Arquivo mensal: março 2014

Esperança

Esperança é um sentimento que se apresenta no início de nossas vidas, ocasião em que atividades cerebrais, como a volição, ainda não existem, donde podemos chamar  de atos instintivos.

Sem eles, não haveria prosseguimento da vida.

Na natureza, todo ser, já no seu nascimento, espera ter algo para se alimentar.

É a primeira e única necessidade para que a vida siga em frente e não seja interrompida.

Emocionalmente, e com o tempo, a esperança vai além do instinto de sobrevivência e se torna uma crença na probabilidade de que consigamos resultados positivos, tanto em acontecimentos como em algumas circunstâncias de nossa vida pessoal.

Realmente, como viver sem a esperança de que tudo aconteça como desejamos?

Seria muito triste, pois se lutamos para a realização de algo é porque esperamos que haja êxito nas nossas empreitadas. Mas cabe-nos, com visão ampla e sabedoria, dimensionar a possibilidade de atingirmos as metas propostas.

Podemos não ter a certeza dos acontecimentos que vão chegar, e temos sempre receio do amanhã de nossas vidas, como diz a canção, mas devemos sempre manter viva dentro de nós a esperança da realização, mas com pé no chão e espírito de luta para conseguirmos os objetivos que almejamos.

Aprendemos desde cedo, “Façamos de nossa parte, e Ele ajudará”.

Cruzar os braços e ficarmos sentados nada resolverá.

Nunca esqueci a história de uma moça que veio trabalhar na casa de minha tia quando eu ainda era pequena.

Era uma família muito simples, que chegara há pouco tempo da roça.  No caminho para a cidade, ganharam sapatos, que calçaram pela primeira vez na vida pois sempre andavam descalços.

Eles puseram os sapatos nos pés, e ficaram lá, sentados.  Até que alguém lhes perguntou porque não saiam dali e caminhavam.

Responderam que estavam esperando que os calçados os levassem a algum lugar.

Esperança mais do que perdida, pois isso jamais aconteceria.

Uma outra historinha que também adoro é de uma pessoa com muita fé em Deus, mas muito fanática, que saiu em um barco que se avariou em alto mar.

Passou a Guarda Costeira oferecendo para socorrê-la e ela dizia que Deus viria para salvá-la.  Passaram pessoas com seus barcos e ela novamente recusou-se, à espera da intervenção divina.  E, claro, acabou morrendo afogada.

Chegando no Céu, questionou porque Deus não lhe teria acudido.

E Ele lhe respondeu: Eu lhe mandei a Guarda Costeira, mandei homens com seus barcos, helicópteros e você se recusou a ser salva por todos eles.

Temos que dimensionar nossas esperanças com alguma sabedoria para não almejarmos o impossível.  Nossa capacidade tem seus limites e é importante que saibamos reconhecê-los e respeitá-los.

Assim, evitamos o desencanto e a frustração.

Temos nossa capacidade de realização, e o mundo que nos cerca também tem suas limitações.

Devemos lutar para que nossas esperanças sejam passíveis de realização, afim de não nos desiludirmos com possíveis fracassos.

Tenhamos, sim, sempre esperança sadia, bem dosada, equilibrada, mas não deixemos nunca que ela nos cegue e nos paralise.

Por tudo o que vimos e por mais ainda, validamos cada vez mais aquilo que desde criança fomos acostumados a ouvir: “A Esperança é a última que morre”.

Que ela não morra nunca dentro de cada um dos meus queridos amigos e fiéis leitores!

Abraços e bom domingo, cheio de esperança 🙂

Amanda

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Grandeza

Qualidade do que é grande é uma das comuns acepções de “grandeza”, uma palavra com tantos significados.

Na nobreza, antigamente, por exemplo, o termo grandeza era dado a nobres que prestavam serviços grandiosos à sua pátria, e isso principalmente em tempos de guerra.

Mas hoje quero destacar aqui a grandeza de espírito, que comporta nossas atitudes perante a vida e todos os seus acontecimentos, todas as suas emoções, o comportamento mediante nossos sentimentos, sejam eles de que volume e espécie forem.

E a quem se dirigem os sentimentos, devem ser sinceros e a medida, a dimensão em si, dependem muito do nível de proximidade que temos com quem é o objeto de  nosso carinho, de nosso amor, enfim, do sentimento que dedicamos a cada um.

Falamos sempre da grandeza de algumas profissões que atendem o ser humano, dignificando o trabalho, com dedicação ao seu próximo, sem pensar no seu próprio benefício, sem egoísmo ou economia de atitudes.

Vemos a grandeza de caráter, de coração, quando encontramos pessoas que se dedicam a tornar menor o sofrimento de quem necessita de bens materiais ou espirituais, os que precisam do mínimo para viver e que dependem da caridade do próximo.

Conheço gente que não precisaria realizar eventos beneficentes, nada lhes trazem  como lucro material, mas que sentem essa necessidade no sentido de angariar  recursos para os hipossuficientes.

Essa é a grandeza de espírito, o que faz com que essas pessoas se sintam felizes e realizadas, mesmo que atravessem, vez por outra, problemas pessoais, familiares, sociais, ou mesmo financeiros. E sem se queixarem, nem exprimirem suas tristezas pessoais como se fossem intransponíveis.  Vão em frente.

São pessoas especiais que vivem alegremente, como que recompensadas pelo bem  que providenciam em favor dos menos favorecidos.  Se esquecem de seus próprios desgostos, pois a sua felicidade está na grandeza de se doarem em favor de seu próximo.

Isso tem um nome: Generosidade.

E, com certeza, quem tem a capacidade de se doar, a grandeza de resultados é extremamente proporcional ao empenho dedicado.

Nosso lema, portanto, deverá ser, sempre que formos capazes, de desenvolver nosso senso de grandeza.

Mesmo em situações em que nos julguemos injustiçados, ou que tenhamos sido objetos de atitudes que não merecíamos, desenvolvamos nossa grandeza do perdão, pois quem nos tratou com descaso, não possui o mesmo senso que nós, a nossa grandeza de perdoar, de esquecer e não propiciar ao próximo o mesmo desgosto que nos impôs.

Grandeza de espírito é o que devemos a quem nos rodeia.

Abraços e um ótimo e grandioso domingo 🙂

Amanda

Agressividade

São diversos meios para que se exprima a agressividade.

Nem sempre ela vem acompanhada de palavras ou atos agressivos fisicamente, e se torna pior quando ela chega em forma de agressão silenciosa, e muitas vezes, até em tom divertido e jocoso.

Temos a agressividade em forma de reação a uma ordem dada, seja ela pública ou privada.

Uma reação a uma ordem, sem palavras, mas com desprezo para o que foi pedido, é uma atitude de agressividade muito mais pesada do que se fosse uma resposta falada em voz alta ou com palavras de baixo calão.

Um silêncio pode ser, muitas vezes, mais agressivo, dependendo do  assunto e do momento em que ele for demonstrado, pois o tipo de expressão facial pode ofender  mais do que mil palavras.

Quando esperamos uma resposta e ela vem reduzida e seca, não houve nenhum sinal de má educação, mas veio carregada de indiferença. Isso se traduz numa atitude agressiva, aparentemente inocente.

É profundamente desagradável receber esse tipo de atitude, que não leva a nada, mas é óbvio que satisfaz quem a teve, pois vê, claramente, que atingiu o objetivo de conseguir aborrecer o interlocutor.

Mas, de outro lado, quem agride, fica tremendamente decepcionado quando não consegue o efeito desejado ao cometer uma agressão psíquica. E isso exige do agredido uma tremenda força íntima para que o agressor fique bem infeliz.

Por isso, sempre que conseguirmos ignorar qualquer tipo de agressão, bancarmos os desentendidos, mais faremos com que a pessoa que nos falou algo desagradável fique, como diziam os antigos, “sem graça”.

As pessoas irritadas ou revoltadas com algo na vida, agridem mesmo instintivamente, até no trânsito, tentando impedir um carro, sem que seja sua vez de passar, a pé ou em outro transporte, como bicicleta.

Vemos pessoas que tentam nos provocar para que haja uma discussão sem nenhum motivo aparente, provocando uma reação que não temos habitualmente.  Mas, que, na mente agressora, isso significaria uma vitória por ter conseguido nos irritar.

Triste vitória, dirão vocês.

Também acho, mas já me deparei com pessoas que tentaram me “tirar do sério”, o que é raro de ocorrer comigo, pessoalmente.  Soube reconhecer o propósito bem explícito de agressividade, não física, mas com o intuito de provocar em mim um tipo de resposta não habitual.

A pessoa não conseguiu, ficando extremamente decepcionada.

Felizmente, desistiu de tornar a fazer outra tentativa.

Temos que nos cuidar para não sermos vítimas ou causadoras de agressividade e termos sempre em mente que ela é caracterizada pelo descontrole das nossas emoções, podendo gerar reações de violência.

E, normalmente a agressividade não é proporcional aquilo que a desencadeou. Dependendo de quem a recebe, pode tomar proporções bem perigosas.

Vamos, portanto, nos policiar sempre que possamos para que a agressividade não seja uma arma contra nós mesmos.

Vale mais um bom acordo do que uma boa demanda, como se diz.

Abraços e bom domingo, de muita harmonia e nenhuma agressividade 🙂

Amanda

Exemplos

Minha mamãe, tão querida, simples e sábia, sempre que falávamos de exemplo, dizia que mais vale um bom exemplo do que um simples ensinamento.

Conforme fomos crescendo, nos certificamos dessa grande verdade.

Como princípio, devemos ter em mente que temos exemplos a serem seguidos e outros que não devemos definitivamente considerar.

Nós decidimos como agir.

Pouco adianta ensinarmos algo que não praticamos, com certeza os nossos filhos nunca seguirão, pois não têm e nem poderiam ter, sem experiência, a noção da importância de se dar o exemplo.

Agir com honestidade de princípios, na teoria, fica difícil de explicar para uma criança e até mesmo para os muito jovens, mas quando os filhos nos assistem tomando uma atitude de honestidade, certamente irão nos copiar.

Se ensinamos a enganar, a bancar os espertinhos para passar seus próximos para trás, será dessa forma que irão viver, se achando os mais inteligentes por conseguirem enganar.

Um exemplo também se refere a um fato já existente para demonstrarmos alguma situação e seu resultado.

Se seu filho assiste uma demonstração de indignação pelos menores problemas que acontecem, seja na rua, dentro do lar, em qualquer lugar público, ele vai, certamente, seguir o exemplo de acordo com a atitude que presenciou do adulto que o acompanha.  Pode ser a violência com que determinada situação foi encarada ou uma reação provocada por algum incidente que ele presenciou.  Seguramente, ele também vai agir assim no futuro, pois foi o que assistiu.

Ao contrário, se conseguirmos ter o equilíbrio necessário para encararmos os problemas que se apresentam, sem perdermos a nossa temperança, nossos filhos reagirão da mesma forma ao enfrentar as mesmas situações.

Eles, normalmente, são nosso produto, no bom sentido.

Claro que existem as exceções, filhos de pais bem educados e gentis, e que pelo temperamento, são diferentes, mas a maneira educada de agir que aprenderam desde a infância, na maioria das vezes, acaba predominando sobre o temperamento.

Pelo menos, irão pensar antes de tomar alguma atitude precipitada, pois a educação vai prevalecer.

Exemplos podem, na verdade, constituir uma inspiração a ser seguida.

Ouvimos desde crianças nossos pais citarem exemplos de gente que venceu por trabalhar seriamente, jovens que tiveram bons resultados porque estudaram duramente e também maus resultados na vida de quem agiu com desonestidade.

Aprendemos muito com exemplos, assim nossas atitudes devem ser sempre vigiadas, pois, provavelmente, se agirmos diferentemente do que ensinamos, seremos cobrados.

“Você fez, por que não eu?”

Sempre tentei ser e seguir bons exemplos 🙂

Abraços e bom domingo

Amanda

Vítima

Todos nós já nos deparamos com alguém que se acha sempre vítima e sofredora, sem nem mesmo ter passado por algo que realmente a teria ferido tanto física quanto emocionalmente.

Essa condição, para esse tipo de gente, se torna um ponto comum, e nem eles, muitas vezes, saberiam explicar o motivo desse julgamento em relação a si próprios.

Considero vítima, realmente, alguém que contrai alguma doença incurável, uma perda inesperada de alguma pessoa querida, e mesmo uma perda material, resultante de desgraças advindas de acidentes da natureza.

Isso, sim, seriam alguns motivos para se considerar uma vítima, uma sofredora, pois muitos desses problemas ficam aparentemente sem solução, pelo menos, no momento em que nos deparamos com eles.

Mas há pessoas que pelo menor problema ficam chorando pelos cantos, sem enfrentar a situação.  Acreditam que a humanidade tenha contas a acertar com elas e está se recusando a fazê-lo.

Eu nunca tive a inclinação para vítima, sempre tentei e consegui superar os problemas que chegaram em minha vida.

Minha fé sempre me ajudou muito, mas aliada à fé, temos que lutar para conseguir passar pelos momentos difíceis.

Tive esse exemplo na família.

Meu avô paterno foi uma pessoa de muitas posses, e perdeu tudo por esses revezes que a vida, às vezes, nos apresenta.

Meu pai e os seus irmãos foram à luta, e todos trabalharam no sentido de vencer aquela etapa difícil.

Meu pai foi barbeiro, e se saiu muito bem na profissão, como tudo o que fez na sua vida.

Nunca agiu ou se sentiu vítima dos acontecimentos pelos quais ele não teve influência.

Aconteceram independente de sua vontade e ele lutou para se manter.

Estudou, fez direito, psicologia, escreveu mais de 50 livros e criou a filosofia “O Energismo”.  Fez sucesso, dava aulas, tinha seu consultório, angariou uma imagem de seriedade.  Nunca agiu como vitima dos acontecimentos.

Mas quando éramos pequenos, meu irmão e eu, em função de tudo isso e da luta  empreendida por meu pai, realmente em nossa casa havia um ambiente de muita cultura mas pouco dinheiro.

Isso, no entanto, nunca nos incomodou.  Meu pai fazia questão que estudássemos nos melhores colégios da época.  Fazíamos parte de amigos de muito mais posses que nós, éramos queridos por todos da cidade, e na verdade, nem notávamos que nossas posses não eram tão poderosas.

Fazíamos parte de equipes em todos os setores de atividades, e nem passava pela nossa cabeça nos considerarmos vítimas de alguma discriminação por possuirmos menos bens materiais que os outros com quem convivíamos.

Para nós, isso nunca fez a mínima diferença, assim como convivíamos com pessoas de menos posses e fomos criados para, da mesma forma, não termos preconceitos com as diferenças, fossem de cor de pele quanto de posses materiais.

Nunca nos consideramos superiores ou inferiores a quem quer que fosse.

Nossos pais nos educaram para fazermos a nossa parte, nem vítimas, nem superiores.

Iguais, sempre foi nosso lema de vida, foi o que aprendemos.  E é assim que eu vivo e assim que eduquei minha filha.

Abraços e um ótimo domingo 🙂

Amanda