Arquivo mensal: janeiro 2015

Docilidade

“Deixe que o vento sopre e não pense que o som das folhas seja um barulho de armas”.

Uma recomendação poderosa para nos lembrar que nem tudo neste mundo é movido a violência, e que de nossa parte devemos agir com docilidade, sem nenhum vestígio de má vontade ou irritação, que não levará a lugar nenhum.

Por mais que sejamos provocados a agir com agressividade, se pudermos nos controlar, se nosso raciocínio dominar nossa vontade em situações difíceis, devemos tentar evitar a irritação desnecessária, que não leva a nada.

Normalmente, a docilidade vence a estupidez e a grosseria de quem a praticou, e só serve para angariar as críticas de quem assiste uma reação de estupidez desnecessária.

O mundo moderno exige muito de todos nós e muitas vezes se torna até compreensível, de certa forma, a falta dessa característica que conseguiria, em muitos casos, resolver uma difícil situação.

Que não é fácil em algumas ocasiões, sabemos que não é, mas de outro lado, é onde reside nossa força de caráter e de boa vontade em relação a acontecimentos que poderiam provocar uma reação da qual nos arrependeríamos mais tarde.

Docilidade, evidentemente, não carrega a pecha de submissão, sentido de inferioridade ou falsa anuência, simplesmente por comodismo.

Importante e compreensível mantermos nossos pontos de vista, mas sempre com elegância, criatividade, companheirismo e educação.

Como um tributo à assim chamada “vida moderna”, as pessoas, sem que o percebam, estão cada vez mais impacientes, acham-se sem tempo, embora ele exista e possa ser bem administrado.

Sejamos cautelosos ao reagirmos, pois se somos muito taxativos e donos da verdade, as pessoas vacilam para se aproximar e já se defendem antes mesmo de raciocinarem da validade da opinião emitida.

Em todos esses casos, portanto, a docilidade se torna uma poderosa arma para tentarmos conseguir tudo o que desejamos realizar, e que, na maioria das vezes, depende do nosso próximo.

O desgaste que sofremos com reações adversas ao bom humor e compreensão dos problemas a serem solucionados não compensa os resultados que poderiam ser mais úteis em todos os aspectos, e só podemos vencer em todos os ângulos de um problema, se formos mais dóceis ao discuti-los.

Provavelmente as soluções tenderão a aparecer mais rapidamente, pois as idéias não encontrarão a resistência que se faz presente pela impaciência que poderia transparecer inevitavelmente nessas ocasiões.

A docilidade também pode ser interpretada como flexibilidade, pois sabemos que em muitas situações, ser flexível pode facilitar na busca de soluções que antes poderiam parecer impossíveis de serem conquistadas ou superadas.

De outro lado, não se pode deixar iludir pela docilidade aparente, mas que quando submetida a uma situação de stress ou inusitada, não consegue controlar reações inesperadas que podem prejudicar toda uma convivência.

A docilidade deverá ser autêntica, submetida sempre a um grau de racionalidade que nos leve a soluções adequadas.

Resumo: poupemos adrenalina!

Abraços e bom domingo 🙂

Amanda

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Razão

Assunto delicado, pois a primeira impressão quando falamos em razão, sobre sermos racionais, é de frieza, de raciocínio absoluto, como se não nos preocupássemos muito com o coração.

Notamos que as pessoas ficam muito surpreendidas e admiradas, tendo uma falsa idéia de que se usamos a razão, não temos emoção e somos pessoas frias.

Falsa impressão, pois o fato de sermos racionais não quer dizer que nossos sentimentos não existam, mas sim que podemos evitar de tomarmos atitudes das quais nos arrependamos depois.

Eu ouço desde pequena: “não foi por acaso que a cabeça nasceu acima do resto do nosso corpo”.

Claro que sentimentos devem ser desenvolvidos, pois sem eles é impossível amarmos e sermos amados. E cultivar o amor é extremamente importante entre os seres humanos.

Mas sentimentos não devem tomar conta de nossa mente ao ponto de agirmos com desespero e esquecermos de nossas atividades cerebrais. Se agimos somente obedecendo a sentimentos, seguramente nos esqueceremos do lado prático da vida e estaremos sujeitos a provocarmos consequências muitas vezes insolúveis.

Através do uso da razão, a mente humana chega a conclusões partindo de suposições e premissas e nos permite identificar conceitos, resolver problemas que surgem em nossas vidas e encontrar soluções e coerência em todas as ocasiões.

Na verdade, a razão pode ser uma das maneiras mais viáveis de se descobrir o que é legítimo ou verdadeiro.

Claro que não devemos ser implacáveis e donos da verdade, mas se usarmos a razão, possivelmente, diminuiremos as possibilidades de erros, em todos os aspectos.

Quanto mais pensamos, mais tendemos a errar com menos intensidade. Evidentemente, sem nos esquecermos do nosso coração. Sem emoções, ficaríamos muito duros, e o amor é a mola do mundo.

Mas, ao mesmo tempo que usamos nosso sentimento, devemos pesar a que ponto a razão pode ajudar no equilíbrio de reações para não nos expormos a resultados indesejáveis.

Como sempre, o equilíbrio é o ideal.

Claro, estamos sempre tentando encontrar o ponto perfeito entre a razão e a emoção, e sabemos que não é nada fácil.

Mas se tivermos essa consciência, poderemos diminuir as chances de errarmos ao colocarmos os dois sentimentos de maneira desequilibrada e, nos prejudicarmos, sem chance de retorno.

O fato de raciocinarmos em relação às nossas atitudes não anula de forma nenhuma nossa emoção, sentimento ou amor.

Simplesmente, raciocinando e planejando podemos evitar muitas decepções, atitudes erradas das quais nos arrependamos depois e muitas derrotas, pois colocamos todas as hipóteses na mesa.

E com isso, diminuiremos as chances de fracassos ou desapontamento.

Tento sempre colocar minha cabeça para pensar bem antes de tomar qualquer atitude, lembrando que não é por acaso que ela nasceu acima do resto do nosso corpo  🙂

Fácil nem sempre é, mas o jeito é tentar!

Abraços bom domingo,

Amanda

Solidariedade

Sentimento nobre, até encontrado na natureza, nos chamados seres irracionais, exemplos de animais que auxiliam seres humanos, como guias de cegos, demonstrando essa tendência do auxílio e proteção.

E até outros animais, dispensando o treinamento e recompensa, ajudam na busca de humanos simplesmente pelo amor que lhes dedicam.

Vemos exemplos de solidariedade em diversos aspectos de nossa vida diária que nos comovem tremendamente, muitos deles sem nenhum interesse, simplesmente pelo carinho da ajuda a quem dela necessita.

Vi outro dia uma reportagem sobre uma lutadora de judô que apresentou um câncer, e em consequência da doença e de seu tratamento quimioterápico, sofreu perda de cabelos, condição habitual nessas circunstâncias.

Foi comovente o que se passou em função disso, pois todos os seus colegas de profissão, num ato de companheirismo extremo, rasparam suas cabeças para que ela não se sentisse só no seu momento de dor.

Esse é um exemplo de solidariedade inusitado, pois demonstrou total falta de egoísmo e grande desprendimento de preconceitos e de vaidade superficial.

Quando somos solidários, efetivamente nos sentiremos bem, tal o desapego que essa atitude demonstra e que nos faz continuar acreditando na humanidade, na bondade dos homens.

A solidariedade não deixa de ser uma responsabilidade recíproca, pois não se trata apenas de reconhecer uma situação delicada de uma pessoa ou de um grupo social, mas também consiste em sempre tentar auxiliá-la.

Muitas vezes, somos solidários na concordância com um gesto em muitas ocasiões onde as palavras se tornam mesmo dispensáveis.

A solidariedade chega através de um gesto físico, como um abraço, um olhar de compreensão pelo que se está presenciando, pois pesquisas comprovam o bem estar que um abraço caloroso pode proporcionar.

O abraço age como se fosse um fator que aumenta a compreensão entre as pessoas, tanto em momentos de tristeza como em ocasiões de alegria e comemoração.

O olhar, muitas vezes, por si só de forma até mesmo silenciosa, pode significar apoio a quem esteja passando por uma situação difícil, de dúvida quanto a que atitude tomar.

Li uma vez e achei formidável o enfoque dado a solidariedade, que seria enxergar no próximo as lágrimas nunca choradas e as angústias nunca verbalizadas.

Realmente, é só nos colocarmos no lugar de quem estaria em dificuldades de qualquer natureza, o que gostaríamos de receber naquele momento. Muitas vezes, um olhar de compreensão e apoio pode significar muito mais do que até mesmo uma ajuda financeira ou de outra espécie.

Vamos, portanto, aproveitar o recomeço que todo inicio de ano traz e trabalhar nossos sentimentos para tentarmos ser solidários com nosso próximo, para tentarmos diminuir, quando possível, seu sofrimento, seja físico ou espiritual, e em alguns casos até mesmo imaginário.

Palavras carinhosas podem fazer milagres numa mente conturbada por problemas que para cada um tem sua grandeza.

Ainda que para outros os problemas pareçam pequenos, quem os carrega conhece seu peso.

Sejamos, portanto, solidários sempre que tivermos a oportunidade, e com essa atitude ajudamos o nosso próximo, às vezes, mais do que imaginamos.

Abraços e minha solidariedade a todos vocês, queridos amigos e leitores!

Um ótimo domingo e Feliz 2015 🙂

Amanda