Arquivo mensal: setembro 2014

Falar demais

Minha mamy ensinava sempre que “quem fala demais dá bom a dia a cavalo”.

Ou “a palavra é de prata, o silêncio é de ouro”.

Quando éramos crianças, não entendíamos o que significavam exatamente esses provérbios, e ela esclarecia que devemos nos policiar para o que expressamos, pois se falamos o que não devemos, podemos escutar o que não queremos e pagar um preço muito alto pela leviandade cometida.

Quantas vezes começamos a falar sobre algo ou alguém, e imediatamente percebemos que não devíamos ter feito tal comentário, antes mesmo de proferirmos o restante até da frase iniciada.

Assuntos tabu devem ser estabelecidos na nossa mente, antes que comecemos a dizer algo que nos comprometa, ou que comprometa alguém a quem detestaríamos fazê-lo.

Pensar antes de iniciarmos assuntos delicados é evitarmos, seguramente, confusão posterior.

Se queremos manter nossas amizades que tanto valorizamos, e que muitas vezes nos levou tempo para conquistar a confiança, todo cuidado é pouco para que não fiquemos comprometidos com comentários que, levianamente, possamos fazer e que comprometam o nome de amigos ou conhecidos.

Pois, sem nos acautelarmos com o que expressamos, muitas vezes, podemos comprometer a imagem de uma pessoa, fazendo-a perder amizades que poderiam ser interessantes, ou emprego que estaria esperando.

Nunca sabemos quem está escutando nosso comentário, e como se diz, a palavra não tem volta, pois o que falamos não poderemos apagar.

E, em algumas ocasiões, por mais que tentemos nos desculpar, existem casos em que a parte ofendida se recusa mesmo a escutar nossas explicações e desculpas, ou seja o que queiramos falar a respeito.

Dar opiniões sem ser solicitado, por exemplo, é algo indesculpável, pois se nossa opinião não foi importante para o acontecimento do momento, não temos que nos imiscuir no assunto que, na verdade, não é de nossa competência.

Tanto não é, que não houve solicitação para nossa interferência.

E, quem fala sem ser solicitado, fica numa situação de constrangimento, pior, se as pessoas em questão não forem muito pacientes e tolerantes, está sujeita a alguma resposta não muito gentil, tipo: “não lhe perguntei sua opinião”.

Todos nós já asssitimos a alguma cena desse tipo, e a situação fica difícil, pois das duas, uma: ou alguém se cala, ou muda de assunto.

Então, evitar é o melhor que se pode fazer.

E não é somente no sentido de darmos nossas opiniões, mas também esperarmos a solicitação de alguém para emitirmos o que pensamos, como somos e como procederíamos em determinadas ocasiões.

Reparem que tem pessoas que dizem o que pensam sem nem ao menos terem sido consultadas, simplesmente pelo prazer de interferir em assuntos que não lhes dizem respeito e para os quais não foram perguntadas.

A situação fica constrangedora e, muitas vezes, não se encontra no momento a solução ideal.

Eu, pessoalmente, não me incomodo com esse tipo de interferência e ocasionalmente já ouvi opiniões interessantes que aproveitei, simplesmente porque tento praticar um pouco de humildade, sem me achar dona da verdade e infalível.

Mas tem quem não goste, então melhor é não se arriscar a ouvir algo desagradável.

Abraços e bom domingo 🙂

Amanda

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Arrogância

Arrogância é, essencialmente, a falta de humildade, a vaidade excessiva, sentimentos dos quais não temos que nos orgulhar.

Reparem como ficamos desconcertados quando assistimos uma atitude de arrogância.

Claro que nada podemos fazer, nem interferir em determinadas situações, e isso nos dá uma tremenda sensação de impotência mediante a humilhação a que alguns seres humanos são submetidos.

Temos que assistir calados, pois além de não nos dizer respeito, podemos até tornar pior uma situação ao provocarmos a vaidade de uns e outros, que tendo assistência se sentem na “obrigação” de se imporem mediante a platéia.

Assisti outro dia a uma situação difícil de se resistir a uma interferência. Na saída de um restaurante, um taxi parecia ter passado na frente de um jipe com um casal que iria entrar em uma garagem.

O homem que dirigia o carro parou na frente do taxi e desceu ameaçando-o de forma agressiva verbalmente e o chamando para uma afronta física.

O taxista não respondeu, se desculpou, afinal ele estava a trabalho e não a lazer, e fez o possível para não entrar em uma disputa física.

Nessa altura, a moça que acompanhava o homem agressor, desceu também do carro e provocava o pobre motorista que estava com passageiro e não queria confusão.

A moça gritava no meio da rua, balançando o corpo, foi mesmo desagradável de se assistir. E ficaram de forma ridícula, fotografando com o celular a chapa do carro.

Finalmente, o casal entrou na garagem e o taxi também se foi para seu destino com seu passageiro, tentando ganhar sua vida, provavelmente ganhando numa corrida o que aquele casal gasta num lanche e nem presta atenção na despesa.

O tratamento com arrogância, como o que assisti nessa ocasião, me deixa completamente sem ação, principalmente por serem situações desiguais.

Um trabalhando para ganhar cada tostão e outro numa circunstância de lazer.

Temos que pensar bem, e considerar cada situação em que o outro se encontra, pois as desvantagens, muitas vezes, são imensas, e discutir no mesmo tom pode ser considerado até uma falta de caridade humana.

É como um chefe extremamente vaidoso, cuja arrogância o impede de aprender com seus subordinados, pois sua vaidade excessiva o torna dono da verdade e o impede de ver outros caminhos que poderiam levá-lo a uma situação de progresso em cada iniciativa.

É o famoso sabe-tudo, sem a mínima humildade e capacidade de dividir a fama dos resultados que poderiam advir de tantos projetos, pois seu desejo é ser o dono absoluto dos frutos obtidos.

Devemos, principalmente, aceitar nossos próprios erros, assim como gostamos que nossos acertos sejam elogiados.

Com essa humildade, conseguiremos despertar a admiração dos nossos amigos, alunos, sócios e todos os que convivem conosco em cada setor de atividade humana.

Pois a arrogância distancia os amigos e os que acabamos de conhecer formam uma impressão, muitas vezes, errônea de nós, pois naquele momento demonstramos uma atitude isolada e que nem é a nossa habitual.

Tenhamos, portanto, o cuidado de não passarmos a impressão de arrogância, pensemos antes de emitirmos opiniões, seja em que ambiente for.

Como sempre digo, podemos não ter a oportunidade de refazer o contato com alguém que tenha ficado mal impressionado conosco.

Abraços e bom domingo, com humildade de escutarmos o próximo, sem a pretensão de sermos infalíveis, agindo portanto sem arrogância 🙂

Amanda

Imediatismo

“A pressa é a maior inimiga da perfeição”.

Ouvimos essa frase de nossos antepassados, e quanta verdade ela encerra!

Normalmente, o imediatismo se refere a tudo aquilo que fazemos em busca do momento que vivemos, sem pensarmos nas consequências.

O pior é que essa busca indisciplinada pode trazer resultados inesperados de estresse, com tudo mal resolvido e pessoas que, por não conseguirem os resultados esperados, se tornam infelizes, tornando, como resultado, seus próximos também infelizes e não realizados.

Não tem dúvida de que se trata de um fenômeno da nossa cultura atual, onde a mídia e a indústria nos incentivam a viver na busca de prazer e resultados imediatos, seja na nossa profissão ou em algum projeto que idealizamos.

Mas o imediatismo é praticamente irracional. Quando tomamos uma atitude com imediatismo não nos preocupamos com o que pode advir no futuro.

E, claro, chegam as consequências, na maioria das vezes negativas, por termos desrespeitado o tempo certo para aquela realização, conquista, conversa, relacionamento, etc. Parece clichê, mas as coisas, realmente, acontecem na hora certa se nos permitimos esperar o momento. De forma alguma, quero dizer que não devemos agir em prol dos nossos objetivos. Mas não com imediatismo, e sim com estratégia para não darmos um tiro no pé.

A expectativa da vantagem imediata nos leva, muitas vezes, a atitudes inadequadas, seja na nossa profissão, seja em projetos de diversas áreas da atividade humana e, principalmente no nosso convívio social.

Vivemos uma época de cultura da imagem, e valorizamos o que é instantâneo.

Buscamos a satisfação imediata, e isso faz parte de nosso século, onde resultados são esperados e a concorrência é sempre enorme onde quer que nos coloquemos.

Mas o imediatismo, normalmente, prejudica os resultados, que nem sempre são estudados por completo.

De fato, a pressa pode trazer resultados desastrosos.

Precisamos ter a consciência e a paciência para procurarmos atingir os efeitos que planejamos em qualquer tipo de situação que estejamos vivendo, para não nos tornarmos vítimas do imediatismo.

Vejo muito isso acontecer em relações de amizade ou amorosas. Se temos pressa em nos comunicarmos e firmarmos uma relação, corremos o risco de, numa situação de pressa, perdermos algo que poderia ser mais duradouro.

Quando nos apressamos, não damos tempo das outras pessoas nos acompanhar, acompanhar nosso raciocínio, nossas idéias, nossa maneira de ver a vida e até mesmo as divergências através das quais aprendemos, se tivermos a humildade necessária.

O tempo pode ser nosso melhor amigo e também nosso pior inimigo, por isso agir com pressa em muitas ocasiões nos leva a fracassos que poderiam ter sido evitados, e, muitas vezes, não temos a chance de corrigirmos.

Planejamento é uma palavra mágica para evitarmos que algo que desejamos venha a acontecer.

E devemos tomar cuidado para que nossa pressa não se torne uma carga devido a uma falha de atitude que não conseguimos detectar, e agimos com afobação que, por vezes, domina nossos sentimentos.

Conheço pessoas que, por completa falta de paciência, e insistência no resultado imediato, por exemplo, de uma posição em um emprego que esperava, uma possível promoção ou na exigência de uma aproximação mais sólida num relacionamento que a outra parte não estava preparada para assumir, passou uma impressão errônea, de desespero.

E essas pessoas sempre perdem, seja o emprego tão desejado ou um grande amor.

Tomemos cuidado para não demonstrarmos a estampa de pressa descabida.

Abraços e bom domingo, sem imediatismo 🙂

Amanda

Isenção de ânimos

Em muitas ocasiões não é fácil conseguirmos agir com isenção de ânimos.

Mas devemos tentar sempre manter a imparcialidade em todo e qualquer tipo de julgamento, críticas e juízos que fazemos de outras pessoas com quem convivemos, ou que somente conheçamos superficialmente.

Podemos nos influenciar por opiniões que formamos a respeito do que ou quem quer que seja, relacionamentos ou conceitos que nós mesmos criamos, às vezes até sem fundamento.

Mas eu evito me deixar influenciar por idéias pré-estabelecidas ou propostas por outras pessoas de forma leviana.

Amigos verdadeiros, normalmente, não nos propõem pensarmos algo depreciativo em relação a outros amigos em comum.

Então, sempre que possível, tentemos julgar com isenção de ânimos, isto é, sem nos deixarmos influenciar por outros, que nem sempre o fazem. Ou mesmo até por circunstâncias que poderiam parecer verdadeiras à primeira vista.

Acho muito importante formarmos nossas próprias opiniões de pessoas e conceitos, seja em que âmbito for: social, profissional ou pessoal.

Afinal, nossas “verdades” vem de fatos comprovados por nós anteriormente, e que em geral, aprovamos de acordo com nossos princípios ou técnicas aprendidas durante nossa experiência de qualquer natureza.

Mas importante lembrar também que nossos sentidos podem nos iludir.

Não podemos esquecer que as aparências enganam, como diz o ditado, e por isso temos que tentar ver acontecimentos e pessoas de acordo com nosso ângulo de visão, seja físico ou mesmo mental e espiritual.

Cada um de nós deverá ter sua própria maneira de pensar a respeito de qualquer conceito e temos que cultivar essa característica, para tentarmos não incorrer em erros de julgamento, o que pode nos acarretar consequências muitas vezes inevitáveis.

Claro que não devemos ser inflexíveis, e, como sempre cito, um pouco de humildade de ouvirmos quem tem mais experiência do que nós não nos fará mal algum.

Mas temos que tentar ouvir sempre com a isenção de ânimos, pois alguém, por exemplo, que fala mal de outra pessoa, pode ter uma queixa pessoal que talvez não mereça ser generalizada.

Ouvirmos e registrarmos até para nos prevenirmos de algo é normal, mas se não tivermos nossa própria opinião ficará cada vez mais difícil a convivência com o nosso próximo.

Partimos, claro, do princípio de que cada um de nós tem suas razões quando nos queixamos de algo que não saiu de acordo com nossos desígnios, mas nem por isso todos que nos rodeiam tiveram os mesmos resultados nos objetivos a que se propuseram ou a mesma experiência.

Por isso, importante que tenhamos nossa própria opinião a respeito de cada um e de cada projeto, ou a confecção de uma obra.

Portanto, se uma opinião vem contrária à nossa, aceitemos com isenção de ânimos, sejamos racionais nas nossas decisões para não corrermos o risco de nos acharmos infalíveis.

Abraços e bom domingo 🙂

Amanda