Arquivo mensal: março 2013

Impulsividade

Se tomamos uma atitude por impulso, corremos sempre o risco de errar e cometer injustiças — tanto com nós mesmos como com o próximo, vitima de nossa impulsividade.

Por isso, tento sempre usar o raciocínio lógico para evitar atitudes impulsivas que possam gerar arrependimento e consequências inevitáveis, desagradáveis e, muitas vezes, até irreversíveis.

Todos conhecemos pessoas que, sem pensar, falam demais sobre alguém com quem os outros de uma mesma roda convivem.

Claro que temos o impulso, muitas vezes, de fazer um comentário, de responder sem muita delicadeza a algo que ouvimos e que sabemos não ser verdadeiro, de responder mal a alguém que nos fecha nos trânsito.

Mas aí entra, de novo, o raciocínio, que é essencial para nosso crescimento na área de inteligência social.

Quem recebe nossa reclamação ou crítica, resultado de nosso impulso, pode não ter uma reação pacífica e tornar nossa vida um verdadeiro inferno.

A impulsividade está diretamente ligada ao auto controle, ou melhor, à falta dele.

Temos que ter em mente que as consequências de um impulso podem nos custar muito caro, lembrando que o impulso é gratuito.

Muitas vezes são geradas inimizades irredutíveis, sem volta, por um impulso imaturo, um comentário mal entendido.

Já vi amizades de anos de repente destruídas por palavras ou atos impensados.

Mesmo que nos arrependamos mais tarde, é difícil uma reconciliação.

Sempre digo que a palavra é uma arma perigosíssima, e como uma bala num revolver, quando apertamos o “gatilho verbal”, não tem volta.

Existem pessoas explosivas, que mediante qualquer tipo de conversa partem para respostas desagradáveis, palavrões, e pelo simples fato de discordarem de quem está expondo uma idéia diferente da sua, criam uma situação embaraçosa para quem está participando da mesma reunião.

Estávamos com amigos outro dia que relataram um fato chocante relativo a impulsividade.

Um amigo deles foi a uma festa acompanhado da então namorada.

A relação estava muito frágil e, na volta, na estrada, ele lhe disse que gostaria de terminar o namoro.

A moça ficou  desesperada, perdeu o controle e disse que iria sair do carro.

Então ele parou, com receio que, como ela estava meio desequilibrada emocionalmente, abrisse a porta do carro ainda em movimento.

Ela desceu abruptamente, ficou na estrada, mas infelizmente no escuro um carro que vinha atropelou-a.

Foi chocante, e nesse caso, infelizmente, um caminho sem volta.  Ela faleceu.

Uma vida que acabou, triste e precocemente, por causa de um infeliz impulso que ela não foi capaz de controlar.

O impulsivo não escuta argumentos da parte contrária, seja o parceiro amoroso, comercial ou simplesmente no convívio social, pois ele não tem a menor tolerância, seja em que campo for.

Ele não mede as consequências de seus atos, de suas falas, de sua falta de paciência.

Vamos tentar sempre obedecer aos nossos bons impulsos de ajuda humanitária, ajuda ao próximo, mesmo que seja somente com boas palavras de amor, de consolo e de compaixão.  Mas vamos também tentar cultivar sempre o respeito, aceitando as diferenças e, com isso, diminuindo nosso nível de impulsividade para assim evitarmos o arrependimento tardio – muitas vezes, sem volta.

Abraços e bom domingo, sem impulsos!

Feliz Páscoa 🙂

Amanda

Relacionamentos

Em várias áreas de relacionamentos, nos deparamos com diferentes tipos de pessoas e ocasiões mais diversas.

Aparência nunca foi e nunca será algo que possa definir a personalidade da pessoa que conhecemos há tempo e também de quem acabamos de conhecer.

Minha podóloga, pessoa de minha amizade, me relatava um dia, triste e decepcionada, algo que ela havia presenciado ao atender um cliente pela primeira vez.

Ele chegou com uma tremenda pose, muito bem vestido, terno de grife, bonito e relativamente jovem para a posição que ocupa na vida profissional.

Tratou a todos com indiferença e até com certa grosseria.

Quando se sentou ela lhe pediu, lógico, que tirasse os sapatos.

Decepção total, pois seus pés eram sujos e sem nenhum cuidado, com as doenças típicas de quem não tem muita intimidade com a chamada higiene.

E ele ainda lhe perguntou se ela usava luvas, se tudo estava esterilizado, e se não havia condição de alguma doença ser transmitida.  Ela lhe respondeu que não haveria nenhuma condição de se transmitir a alguém aquilo que ele tinha em seus pés.

E é assim na vida de algumas pessoas, quando  tiram o sapato, claro, figurativamente, pode-se descobrir doenças incríveis, como o orgulho, a indiferença a problemas dos mais necessitados, a antipatia, a falta de consideração com quem lhes serve, a falta de compaixão e outras tantas características que tornam a vida, às vezes, mesmo insuportável.

Tem pessoas que nunca estão satisfeitas com ninguém e com coisa alguma que se faça para que ela fique feliz.

Você faz de tudo, e quando falha em 1% , é duramente criticado como se nada tivesse sido feito.  Isso, para mim, é algo realmente insuportável.

O ideal seria procurarmos buscar no trabalho com outras pessoas, um bom relacionamento sem permitir que estresse de ambas as partes interfira no dia a dia e nos resultados que procuramos obter.

Na área da competição, seja por candidatura a algum trabalho, seja por competição esportiva, ou pela amizade de alguém, os relacionamentos podem estar sujeitos a algum mal estar pela necessidade que todos temos de sair vitoriosos.

Mas eu creio que um relacionamento pode crescer na medida que acreditamos na competição honesta.

Penso também que uma “derrota” deva somente servir de incentivo para uma futura vitória no mesmo campo que disputamos e perdemos anteriormente.

Para mim, o verdadeiro derrotado é aquele que desiste, e o vitorioso aquele que luta honestamente em todos os âmbitos de sua vida – mesmo sem vencer todas as batalhas.

Relacionamento é algo que devemos tentar preservar, colocando de lado sentimentos negativos, como o ciúme, a inveja, o desprezo, etc.

Um bom relacionamento, seja ele, amoroso, societário, trabalhista, comercial ou simplesmente social, deve ser mantido com respeito.

Devemos tentar preservar dentro de nós, acima de tudo, a humildade para reconhecermos erros passados, e os corrigirmos para relacionamentos futuros, seja em que campo for.

Tento sempre tirar de minhas experiências exemplos que facilitem todas as relações.

Abraços e bom domingo, de ótimos relacionamentos 🙂

Amanda

Pretensão

Estávamos uns dias atrás assistindo uma missa numa igreja Católica, e notamos na entrada algo que nunca tínhamos visto.

Era um recipiente de água benta colocado na parede, com uma célula fotoelétrica.

No momento em que se coloca a mão abaixo do recipiente, cai a gota de água benta.

Achamos interessante, e alguém do grupo citou, brincando um dito popular:

“Pretensão e água benta, cada um usa quanto quer.”

E realmente precisamos estar atentos a qualquer atitude de pretensão, pois o resultado negativo de algo que queremos e não conseguimos pode nos trazer grandes frustrações.

Lutar pelo que buscamos é louvável, mas devemos analisar o grau de capacidade que temos para executar determinadas tarefas.  Em outras palavras, não devemos ser pretensiosos, e sim confiantes nas nossas virtudes mas conscientes das nossas fraquezas.

Essas são atitudes que sempre me fortaleceram como mãe, filha, esposa, chefe e funcionária.

Eu, por exemplo, estudei piano desde que era pequena, e não tenho capacidade de tocar.  Já tentei outras vezes depois de adulta, mas reconheço que não consigo desenvolver essa habilidade.

E pronto!

Isso não me frustra em nada.

Mas imagina se tivesse a pretensão de tocar?  Que mico pagaria!

Já violão, sim, eu gosto de tocar, apesar de também não tocar tão bem, mas adoro cantar e assim consigo me acompanhar de forma que me satisfaz.  Faço aulas semanais de violão e aprendo assim uma ou outra música que possa tocar e cantar.  Mas também não tenho a menor pretensão de tocar violão em publico.

Cantar sim.  Já me sinto segura.

Como se pode pretender fazer algo para o qual não temos o dom?

Fica difícil.

Claro que  acredito na força de vontade e no empenho, no estudo, na dedicação e tudo o mais, mas vamos pretender dentro dos nossos limites até mesmo físicos, para realizarmos o que buscamos.  E sempre com um certo cuidado para evitar que a pretensão não se torne sinônimo de vaidade de nossa parte, o que prejudica o senso de julgamento adequado quanto às nossas possibilidades reais de realização de determinado empreendimento.

A pretensão devidamente analisada pode ser extremamente construtiva e nos incitar à realização de nossos objetivos.

Se bem pensada, muito bom, mas se não for bem avaliada pode se tornar algo extremamente frustrante.

Mas aí, “Pretensão e água benta, cada um usa quanto quer.”

E eu tenho a pretensão que vocês gostem do meu blog.

Abraços e um bom domingo 🙂

Amanda

Bom Humor

Sempre digo que se berrar resolvesse, o cabrito não morreria.

Mas se tentarmos solucionar todas as situações com bom humor, tudo automaticamente se resolve mais depressa e sem nos consumirmos, envelhecermos rapidamente e estragar a vida de quem nos rodeia.

Há dias nos aconteceu algo interessante e que pode servir como um débil, mas importante exemplo:

Reservamos para almoçar num restaurante de alto luxo, de cardápio oriental, mas haviam nos dito que o “brunch” era de paladar internacional.

Quando chegamos, o ambiente era de um barulho infernal, que não daria nem para conversarmos entre nós, e a comida era totalmente oriental.

Eu, pessoalmente, adoro, mas pessoas que estavam conosco não apreciam, então na hora, nos olhamos e desistimos, felizmente sorridentes.

Saímos e decidimos ir a uma churrascaria.

Ao chegarmos, esperamos para que nos atendessem, mas nos deixaram de pé por bastante tempo.

Depois desse longo período e das vezes que solicitávamos uma mesa (isso com todas as mesas vazias à nossa frente – e estamos falando de uma churrascaria de luxo em Miami), o maître dizia que logo estaria pronto para nos sentarmos.

No final, ele confessou que não dava para nos atender naquele momento pois não havia garçom disponível.

Incrível, porém verdadeiro!

Preferimos não esperar, e resolvemos, então, ir para outro restaurante já nosso conhecido e onde apreciamos muito a comida e o atendimento.

Saímos, alegres, e claro, famintos, pois nessa altura já era 4 horas da tarde.

Fomos para esse outro restaurante, nos sentamos, fomos muito bem atendidos, comemos muito bem, aproveitamos e rimos muito da situação.

Agora, imaginem isso tudo com mau humor?

Seria simplesmente desastroso, inutilmente, pois a situação não iria mudar somente porque desejaríamos, ou porque ficássemos  de mau humor.

E isso, em se tratando de algo completamente sem importância – um simples almoço familiar num domingo.

Imaginem, então, numa ocasião que envolva assuntos sérios, que demandem muita atenção e muito bom humor para que tudo se resolva de modo satisfatório para todos os envolvidos.  É um desastre total não se conseguir manter a calma e o bom humor.

Nas mais diversas situações, podem crer, o bom humor e sangue frio costumam  resolver.  Ou, pelo menos, ajudar.

Fica muito mais fácil quando encaramos com bom humor, por exemplo, uma fila seja de teatro, cinema, ônibus, táxi, aeroporto, hospital, enfim, locais onde se aguarda para ser atendido.

Já vi cada cena de arrepiar, escândalos enormes porque alguém passou na frente, às vezes até inadvertidamente.

A explosão de mau humor foi tanta que conseguiu chamar atenção de todos que estavam ao redor.  Mas a pessoa causadora do escândalo foi quem ficou sem resolver seu problema e se tornou ridícula perante aos que a cercavam.

O mesmo já vi várias vezes em situações de divergência de opiniões.  Já presenciei discussões incríveis por causa disso.

Se conseguirmos expor opiniões diferentes daquelas dos nossos interlocutores, com calma e ponderação, elas serão muito mais respeitadas e ouvidas do que as que são expostas aos gritos e onde impera o mau humor.

Vamos, portanto, tentar manter o bom humor, mesmo em momentos críticos.

Claro que muitas vezes não é fácil. Mas vale tentar.

Abraços, bom domingo, com ótimo humor 🙂

Amanda

Fidelidade/traição

Fidelidade/traição

Assunto delicado e polêmico ao mesmo tempo.

Quando se fala de fidelidade, pensa-se normalmente em infidelidade no âmbito dos relacionamentos, principalmente amorosos.

Ou se pensa na fidelidade do cão ao seu dono, que realmente é algo maravilhoso de se ver e de se conviver.

Tem também hoje em dia com mais frequência o cartão fidelidade, que nos liga a determinadas empresas e que nos proporciona prêmios do ponto de vista de viagens, compras, etc.

Esses são alguns dos aspectos do significado da palavra fidelidade, que faz parte de nosso vocabulário corriqueiro.

Já falar em infidelidade é sempre um tabu, algo vergonhoso, ligado ao sentido de traição conjugal, principalmente.

Infidelidade traz em seu significado sempre algo pesado.

Já para mim, mais do que a “infidelidade”, considero a mentira uma traição injustificável.

A infidelidade, muitas vezes, vem como resultado da infelicidade, normalmente mútua.  Se reconhecemos que estamos infelizes e somos honestos em nossos relacionamentos, antes de sermos infiéis, raramente vai haver uma “traição” – que considero uma quebra de confiança, e ai, sim, é como um brilhante em pedaços, jamais será reconstruído com a perfeição original.

E um problema ainda maior que vejo é a traição premeditada, o que ocorre muito na área comercial.

A espionagem industrial, ou seja a infidelidade à empresa onde se trabalha, denota uma falha de caráter muito grande, onde pessoas programam roubo de segredos de criação ou de fabricação, tornando difícil a competição séria e ética que deve e deveria nortear os proprietários das empresas.

Entregar a um concorrente, muitas vezes em troca de pagamento, um segredo que estaria guardado há anos, e às vezes séculos, nada mais é que uma tremenda traição da confiança que lhes foi depositada.

Nesses casos, a traição não se reveste de nenhum matiz ideológico, étnico ou religioso, ou de princípios da pessoa, mas sim, por puro interesse pelo dinheiro.

Trabalhei como farmacêutica em indústria, onde eu era chefe de pesquisa de novos produtos, e ali tínhamos que criar fórmulas como também adaptar ao nosso clima tropical os produtos fabricados na Europa.  Me lembro como era importante para nós a fidelidade à nossa marca e aos nossos produtos.

Fidelidade comercial é vital para relacionamentos profissionais e sociais.  Se não temos a consciência da fidelidade no sentido amplo da palavra, tudo fica mais difícil.

Conheço casos em que um dos sócios fez até negociação de venda da empresa sem o conhecimento prévio de outros sócios, e apresentou o negócio praticamente fechado.

Os remanescentes ficaram sem conseguir negociar e não tiveram outra solução a não ser efetuar a venda.

Isso não é infidelidade, e sim um tipo de traição imperdoável, o mesmo tipo de quando um amigo trai um segredo que lhe foi confiado.

Esse tipo de atitude pode comprometer seriamente uma das partes, que não contava que seu segredo, algo que ele confiou a alguém teoricamente de sua confiança, ficasse exposto de alguma forma a alguém estranho ao seu meio e à sua convivência.

Outro dia, numa reunião social, falávamos de relacionamentos amorosos e uma amiga muito querida contou-me sobre uma pessoa com quem ela estaria iniciando um relacionamento e pediu-me segredo do fato.

Claro que não contei a ninguém, nem teria porque fazê-lo.

Dias depois, juntamente com minha filha numa outra reunião, ela falou do assunto e se surpreendeu que eu não havia comentado, nem mesmo com minha filha.

E eu lhe disse, “você me pediu segredo”.

Segredo é segredo.

É muito comprometedor um  comportamento irresponsável, que coloca  em risco o desenvolver de fatos inesperados.

Mas é a condição moral do indivíduo que determina se ele é fiel ou traidor.

O traidor em qualquer setor normalmente é “bem sucedido”, inicialmente, porque ele tem dois auxiliares grátis:

Primeiro –  sua falta de caráter, que lhe é própria.

Segundo –  a confiança do traído, o que lhe dá tranqüilidade para executar seu “trabalho”.

Desculpe se me estendi um pouco hoje, mas o tema merecia.

Ainda bem que temos amigos confiáveis e maravilhosos 🙂

Abraços, e bom domingo,

Amanda