Arquivo mensal: novembro 2012

Aceitar ou não um convite: eis a questão.

Qual a importância de um acontecimento?

Como definir a prioridade ao julgar essa importância?

Será que serei justa na escolha do comparecimento?

Será que vou ofender as pessoas se não comparecer?

Essas são algumas das questões que nos surgem quando recebemos convites ou quando nos propomos a comparecer a algum evento.

Quando somos conhecidos por nossa profissão ou por alunos, ou por qualquer atividade que desenvolvemos, se torna mais difícil coordenar o comparecimento a acontecimentos para os quais somos convidados devido ao grande numero de convites simultâneos.

Muitas vezes, ficamos em dúvida do que deve ser priorizado ao aceitar um convite para determinado local.  Por isso, tento sempre desenvolver um determinado critério de raciocínio em relação a convites e, consequentemente, a acontecimentos aos quais eles se referem.

Se temos atividades que nos torna conhecidos pela sociedade em que vivemos, temos a obrigação, eu acho, de criar uma forma de comportamento lógico em relação a esse assunto.

Em casa, nós desenvolvemos um critério cronológico.

Aceitamos o convite que chega em primeiro lugar, sem deixar de valorizar os posteriores.  Mas nunca mudamos os planos por achar que um convite é aparentemente “melhor”, mais badalado, etc, do que outro.

Quando aceitamos, só doença nos impediria de comparecer.

Se aceitamos o convite, seja para uma simples sessão de cinema com amigos, os que chegam depois, mesmo que sejam muito interessantes, declinamos dizendo que já temos compromisso anterior.  Respeitamos e valorizamos todo e cada convite – de pizza a caviar – e não costumamos leiloá-los. Para nós, todos têm a mesma importância no nosso conceito.

Outra noite tivemos  um exemplo desse comportamento vindo de uma amiga querida, e fiquei ainda mais sua admiradora.  Ela tinha um convite para vir à nossa casa para um jantar.  Confirmou.  Mas em seguida, recebeu um convite para um casamento no mesmo dia, ao qual não poderia deixar de comparecer.

Me chamou ao telefone e disse que viria ao nosso jantar, mas depois iria a um casamento, bem mais tarde, pois meu convite tinha chegado primeiro e ela se comunicou com a pessoa que a convidou explicando a situação.

Realmente, ela veio ao nosso jantar, e sem pressa, depois da meia noite, se retirou para ir abraçar os donos da outra festa.

Eu ajo dessa forma, e achei muito elegante sua atitude.

Um convite é sempre algo que considero importante.  Significa que fomos escolhidos numa listagem – às vezes seleta — pelos donos da festa e nos sentimos muito honrados de fazer parte dela.

Para nós, todo evento é um acontecimento.  Não importa se de menor ou maior vulto, é algo que devemos honrar sempre, uma vez que confirmamos nossa presença.

E faço ainda mais questão de estar presente em acontecimentos tristes, no caso de um falecimento ou doença, por exemplo.  Esses recebem toda minha atenção e vem em primeiro lugar na minha lista de prioridades de compromissos.

A vida não é feita somente de momentos alegres, e uma prova de amizade sincera é exatamente o comparecimento em algum momento em que as pessoas mais precisam de nosso carinho e de nossa presença.

Aceitar ou não um convite é um grande dilema na vida movimentada que todos temos.  Saber ponderar e priorizar faz parte da nossa inteligência – e sucesso – social.

Convite para mim é algo especial: adoro ser convidada 🙂

Abraço e ótimo domingo,

Amanda

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Egoísmo

O egoísmo, a meu ver, está intimamente ligado ao ciúme.

É um sentimento que nos coloca sempre em situação difícil, pois não tem como ser administrado.

Ele constrange e depois de demonstrado, fica quase impossível voltar atrás.

Pode se manifestar desde um forte sentimento de posse por uma pessoa como por objetos que nos pertencem.

O egoísmo faz com que nos apeguemos de maneira exagerada, seja a pessoas ou bens materiais, e se manifesta, muitas vezes, quando as pessoas ignoram a necessidade alheia.

E isso na parte prática da vida, mas tem também o egoísta intrínseco, aquela pessoa que só pensa em si, no que ela quer fazer, no que ela sente. O que o próximo sente ou quer fazer não é problema seu.

Ela quer os amigos só para si, criando situações embaraçosas, pois só pensa no que a faz feliz.

Só que o egoísta é sempre solitário e infeliz.

E o pior, ele pensa que fica feliz fazendo somente o que lhe agrada sem considerar a pessoa ao seu lado, mas no íntimo sabe que não está agindo corretamente e que deveria ouvir a opinião de quem o acompanha.  Mas não o faz.

Tenho uma funcionária, que é como uma irmã para mim.  Ela sempre diz: “quanto melhor vocês estiverem, melhor minha família vai estar”.

O sucesso do próximo deveria sempre ser visto com esses olhos.  A vida é uma troca de atitudes e sentimentos.  Mas muitas vezes, observamos o contrário: Pessoas invejosas e egoístas que passam o tempo se comparando aos que possuem, aparentemente, mais amor, alegria, dinheiro ou até saúde.  Isso não leva a nada.

Eu fico feliz pelo sucesso e conquistas dos outros.

Um dia estava jogando num cassino na França, e ao meu lado tinha uma senhora que se via muito pobre, tentando com suas poucas moedas o prêmio tão desejado por todos.

Me peguei torcendo para que ela pudesse ganhar e aconteceu.  Ganhei meu dia com sua vitória.  Quando queremos o bem do outro, acabamos recebendo em dobro, e isso não é clichê.  Acontece, sim.

Minha torcida foi exatamente porque percebi que naquele momento ela precisava mais do que eu daquele prêmio.

Mas sei que esse sentimento não é comum como acho que deveria ser.

Na maioria das vezes, o egoísmo tem a conotação de inveja, e também de ciúme.

Fica patente quando algumas pessoas percebem que sua amiga dá mais atenção a outra.

Primeiro vem o ciúme, que denota egoísmo, pois gostaria de ter essa amiga mais dedicada a ela.

São sentimentos que raramente percebemos e muito menos a relação entre eles.  Mas mesmo que não queiramos admitir, o egoísmo, inveja e ciúme estão intimamente ligados um ao outro.

E isso não é só entre amigos.  Vejo muito claramente o egoísmo – e ciúme – de muitos pais em relação a seus filhos quando assumem uma ligação amorosa.  Claro, há casos em que os pais, com mais experiência, estão vendo que a relação não vai durar pelas diferenças de hábitos e valores.

Mas outras vezes, é por puro ciúme e por não suportarem a idéia de dividir o amor deles com outra pessoa, acabam interferindo desastradamente nas suas relações, causando o fim do relacionamento de seus filhos, pelo simples prazer de tê-los mais tempo ao seu lado, sem dividir com seus pares.  Ou acabam levando ao distanciamento com os filhos, o que é ainda pior.

Em compensação uma falta de egoísmo, por exemplo, e já presenciei muitas vezes, é alguém prestigiar outro que seria na linguagem popular, seu concorrente.

Meu marido nunca chamou as outras empresas que desenvolviam a mesma atividade que ele, de concorrentes.  Sempre os chamava de colegas de trabalho.  Considerava que todos eles trabalhavam para o bem comum e o desenvolvimento da ciência à qual se dedicavam.

O que denota também falta de egoísmo é o companheirismo entre cônjuges.

Um deve  acompanhar o outro, mesmo que não seja sua atividade predileta, ou permitir que ele pratique o que gosta.  É o respeito às preferências.

Afinal não nascemos iguais.

Mas confesso que sou egoísta ao extremo quando consigo ajudar alguém em qualquer setor da atividade humana.

Se vejo resultados e pude ter alguma influência, fico feliz, e creio que essa felicidade está intimamente ligada ao meu egoísmo, e aqui não há a menor relação com o ciúme ou a inveja.

Espero, então, egoisticamente, que vocês possam apreciar meus blogs 🙂

Abraços, bom domingo.

Amanda

Amizade

Muito se fala sobre este assunto e muitas vezes essa palavra é usada levianamente, sem nenhuma convicção ou fé.

Afinal, o que é um amigo?

Se pararmos para pensar, um amigo é um presente que a vida nos dá.  Em algumas ocasiões, sabemos que sem ele, quando alguma dificuldade se apresenta em nossa vida, não teríamos conseguido superar situações de estresse ou tristeza, seja de teor financeiro ou emocional.

E amigo sincero, com quem podemos contar, não é fácil.

Uma vez uma amiga me disse brincando: para os amigos tudo, para os inimigos, a lei.

Naquele momento demos risadas pela frase, mas realmente os amigos devem ou deveriam ter todos os direitos conosco, claro que estou me referindo a amigos sinceros comprovadamente, que nos apoiaram em momentos difíceis de nossas vidas, sem cobrarem nada em troca.

E não estou me referindo a recursos financeiros, nem cheguei aí, pois muitas pessoas não têm condições de socorrer outras com auxilio dessa natureza, mas não tem preço uma visita no momento oportuno se está passando por uma fase difícil e triste, como doença ou falecimento de um ente querido.

Parece que nada foi empenhado em uma visita, mas foi sim:

O tempo, a programação para dispor daquele momento, pois se estamos em algum lugar, deixamos obviamente de estar em outro, cumprindo outro tipo de obrigação, seja ela qual for.

Valorizo muito quando alguém deixou de fazer algo em seu próprio benefício para dispor de um tempo para me fazer uma visita.

Sempre procuro ver o que fazem por mim, por menor que seja o gesto.

Mesmo que não se tenha muitos gostos em comum, devemos descobrir nos gostos do amigo algo que nos interesse, algum ponto que podemos partilhar e mesmo aprender com as diferenças de opiniões.

Faço questão, por exemplo, de manter minha amizade, mesmo com pessoas que não se dão entre si, e me relaciono com os dois lados, sem permitir interferências malévolas.

A verdadeira amizade desconhece diferença de padrões sociais, financeiros, religiosos, e até mesmo culturais.

Quanto se pode aprender da vida com pessoas que nunca puderam ter uma cultura, mesmo geral ou de colégios?

A carga horária  de convívio também não deve ser usada como índice de profundidade da amizade.

Podemos ter amigos com os quais convivemos relativamente pouco mas temos a certeza de que eles, onde quer que estejam, estarão sempre “de plantão”, esperando um chamado nosso e nos ajudarão, se solicitados, a resolver o que lhes tenha sido pedido.

Outro preceito que aprendi desde cedo é que bons negócios fazem bons amigos.  O acerto de contas deve ser algo normal e elegante.

Isto quer dizer que acordos financeiros devem ser sempre acertados entre amigos, sem constrangimento de ambas as partes, o que denota respeito.

Eu gosto mesmo de ter amigos e os cultivo dia a dia 🙂

Bom domingo e abraços da amiga,

Amanda

Sinceridade/Franqueza

Podemos pensar que ambos tem o mesmo significado, mas na verdade são dois conceitos bem diferentes.

Enquanto a sinceridade pode abordar temas suaves, a franqueza, se mal colocada, pode ser ofensiva.

Tudo depende mesmo até do tom de voz empregado e da situação em si.

Meu marido me relatou um fato que muito me marcou:

Ele ainda era estudante de medicina e fazia um estágio no laboratório do hospital.

Seu chefe marcou com os alunos para um sábado às 17 horas (horário em que todos poderiam ir)  uma foto para registrar o encerramento do estágio recém terminado, claro que de grande significado para todos.

Como ele não se lembrou desse evento que era quase uma ordem, não compareceu e encontrou-se mais tarde com um colega do grupo, que espantou-se com sua ausência para participar da foto.

Na segunda feira ele apresentou-se ao seu chefe desculpando-se por não ter comparecido.

E o chefe lhe disse elegantemente que não se preocupasse com o ocorrido, e perguntou o porquê da ausência.

Ele simplesmente respondeu:

“O senhor me desculpe, esqueci e fui ao cinema”.

O fato poderia ter tido um desfecho desagradável, mas o chefe era uma pessoa justa e inteligente e valorizou o fato dele ter sido honesto e ter dito a verdade.

Isso só aumentou a confiança do chefe, que cada vez mais lhe deu incumbências de maior responsabilidade.

Claro que houve a franqueza nesse diálogo.

O que não se deve misturar é a franqueza desse tipo, chamada de honestidade, com  a franqueza dita de maneira grosseira.

Quem faz isso gosta muito das frases:

“Sou franca, digo tudo o que penso”. Ou “Posso ser franca com você”?

E todos sabemos que não é bem por ai que as coisas se encaminham.

Mesmo porque esse tipo de franqueza geralmente é ofensiva, e muitas vezes dita em tom desagradável.

Tentei sempre passar para a minha filha que nunca deveria culpar os amigos por suas travessuras.  Com isso, ela aprendeu a assumir a própria culpa, ser responsável pelos seus atos e acima de tudo, ser honesta, sincera e verdadeira – mas sempre com respeito.

Esse tipo de atitude norteou a nossa vida, e nunca me arrependi de ter sido transparente nas minhas idéias e sentimentos com colegas, amigos ou parentes.

Mesmo nos piores momentos devemos ter em mente que uma atitude de sinceridade é o melhor que podemos fazer, embora muitas vezes nos custe.

Ela pode ser até acolhida como contundente, não deixando, porém, de ser construtiva.

Isso constrói e fortalece uma amizade entre pessoas que se querem bem de verdade.

Agora, pensar antes de falar é primordial para que uma atitude de sinceridade não se torne uma franqueza rude que possa levar ao fim de uma amizade preciosa.

Claro que temos que ser sinceros quando somos solicitados a dar uma opinião de responsabilidade a uma pessoa amiga, mas vamos medir bem até que ponto essa pessoa que nos pediu quer mesmo ouvir uma opinião sincera.

Espero sempre que possam aproveitar algo de meus blogs, que são feitos com muita sinceridade e franqueza 🙂

Abraços e bom domingo,

Amanda