Arquivo diário: março 3, 2013

Fidelidade/traição

Fidelidade/traição

Assunto delicado e polêmico ao mesmo tempo.

Quando se fala de fidelidade, pensa-se normalmente em infidelidade no âmbito dos relacionamentos, principalmente amorosos.

Ou se pensa na fidelidade do cão ao seu dono, que realmente é algo maravilhoso de se ver e de se conviver.

Tem também hoje em dia com mais frequência o cartão fidelidade, que nos liga a determinadas empresas e que nos proporciona prêmios do ponto de vista de viagens, compras, etc.

Esses são alguns dos aspectos do significado da palavra fidelidade, que faz parte de nosso vocabulário corriqueiro.

Já falar em infidelidade é sempre um tabu, algo vergonhoso, ligado ao sentido de traição conjugal, principalmente.

Infidelidade traz em seu significado sempre algo pesado.

Já para mim, mais do que a “infidelidade”, considero a mentira uma traição injustificável.

A infidelidade, muitas vezes, vem como resultado da infelicidade, normalmente mútua.  Se reconhecemos que estamos infelizes e somos honestos em nossos relacionamentos, antes de sermos infiéis, raramente vai haver uma “traição” – que considero uma quebra de confiança, e ai, sim, é como um brilhante em pedaços, jamais será reconstruído com a perfeição original.

E um problema ainda maior que vejo é a traição premeditada, o que ocorre muito na área comercial.

A espionagem industrial, ou seja a infidelidade à empresa onde se trabalha, denota uma falha de caráter muito grande, onde pessoas programam roubo de segredos de criação ou de fabricação, tornando difícil a competição séria e ética que deve e deveria nortear os proprietários das empresas.

Entregar a um concorrente, muitas vezes em troca de pagamento, um segredo que estaria guardado há anos, e às vezes séculos, nada mais é que uma tremenda traição da confiança que lhes foi depositada.

Nesses casos, a traição não se reveste de nenhum matiz ideológico, étnico ou religioso, ou de princípios da pessoa, mas sim, por puro interesse pelo dinheiro.

Trabalhei como farmacêutica em indústria, onde eu era chefe de pesquisa de novos produtos, e ali tínhamos que criar fórmulas como também adaptar ao nosso clima tropical os produtos fabricados na Europa.  Me lembro como era importante para nós a fidelidade à nossa marca e aos nossos produtos.

Fidelidade comercial é vital para relacionamentos profissionais e sociais.  Se não temos a consciência da fidelidade no sentido amplo da palavra, tudo fica mais difícil.

Conheço casos em que um dos sócios fez até negociação de venda da empresa sem o conhecimento prévio de outros sócios, e apresentou o negócio praticamente fechado.

Os remanescentes ficaram sem conseguir negociar e não tiveram outra solução a não ser efetuar a venda.

Isso não é infidelidade, e sim um tipo de traição imperdoável, o mesmo tipo de quando um amigo trai um segredo que lhe foi confiado.

Esse tipo de atitude pode comprometer seriamente uma das partes, que não contava que seu segredo, algo que ele confiou a alguém teoricamente de sua confiança, ficasse exposto de alguma forma a alguém estranho ao seu meio e à sua convivência.

Outro dia, numa reunião social, falávamos de relacionamentos amorosos e uma amiga muito querida contou-me sobre uma pessoa com quem ela estaria iniciando um relacionamento e pediu-me segredo do fato.

Claro que não contei a ninguém, nem teria porque fazê-lo.

Dias depois, juntamente com minha filha numa outra reunião, ela falou do assunto e se surpreendeu que eu não havia comentado, nem mesmo com minha filha.

E eu lhe disse, “você me pediu segredo”.

Segredo é segredo.

É muito comprometedor um  comportamento irresponsável, que coloca  em risco o desenvolver de fatos inesperados.

Mas é a condição moral do indivíduo que determina se ele é fiel ou traidor.

O traidor em qualquer setor normalmente é “bem sucedido”, inicialmente, porque ele tem dois auxiliares grátis:

Primeiro –  sua falta de caráter, que lhe é própria.

Segundo –  a confiança do traído, o que lhe dá tranqüilidade para executar seu “trabalho”.

Desculpe se me estendi um pouco hoje, mas o tema merecia.

Ainda bem que temos amigos confiáveis e maravilhosos 🙂

Abraços, e bom domingo,

Amanda