Arquivo diário: março 2, 2014

Vítima

Todos nós já nos deparamos com alguém que se acha sempre vítima e sofredora, sem nem mesmo ter passado por algo que realmente a teria ferido tanto física quanto emocionalmente.

Essa condição, para esse tipo de gente, se torna um ponto comum, e nem eles, muitas vezes, saberiam explicar o motivo desse julgamento em relação a si próprios.

Considero vítima, realmente, alguém que contrai alguma doença incurável, uma perda inesperada de alguma pessoa querida, e mesmo uma perda material, resultante de desgraças advindas de acidentes da natureza.

Isso, sim, seriam alguns motivos para se considerar uma vítima, uma sofredora, pois muitos desses problemas ficam aparentemente sem solução, pelo menos, no momento em que nos deparamos com eles.

Mas há pessoas que pelo menor problema ficam chorando pelos cantos, sem enfrentar a situação.  Acreditam que a humanidade tenha contas a acertar com elas e está se recusando a fazê-lo.

Eu nunca tive a inclinação para vítima, sempre tentei e consegui superar os problemas que chegaram em minha vida.

Minha fé sempre me ajudou muito, mas aliada à fé, temos que lutar para conseguir passar pelos momentos difíceis.

Tive esse exemplo na família.

Meu avô paterno foi uma pessoa de muitas posses, e perdeu tudo por esses revezes que a vida, às vezes, nos apresenta.

Meu pai e os seus irmãos foram à luta, e todos trabalharam no sentido de vencer aquela etapa difícil.

Meu pai foi barbeiro, e se saiu muito bem na profissão, como tudo o que fez na sua vida.

Nunca agiu ou se sentiu vítima dos acontecimentos pelos quais ele não teve influência.

Aconteceram independente de sua vontade e ele lutou para se manter.

Estudou, fez direito, psicologia, escreveu mais de 50 livros e criou a filosofia “O Energismo”.  Fez sucesso, dava aulas, tinha seu consultório, angariou uma imagem de seriedade.  Nunca agiu como vitima dos acontecimentos.

Mas quando éramos pequenos, meu irmão e eu, em função de tudo isso e da luta  empreendida por meu pai, realmente em nossa casa havia um ambiente de muita cultura mas pouco dinheiro.

Isso, no entanto, nunca nos incomodou.  Meu pai fazia questão que estudássemos nos melhores colégios da época.  Fazíamos parte de amigos de muito mais posses que nós, éramos queridos por todos da cidade, e na verdade, nem notávamos que nossas posses não eram tão poderosas.

Fazíamos parte de equipes em todos os setores de atividades, e nem passava pela nossa cabeça nos considerarmos vítimas de alguma discriminação por possuirmos menos bens materiais que os outros com quem convivíamos.

Para nós, isso nunca fez a mínima diferença, assim como convivíamos com pessoas de menos posses e fomos criados para, da mesma forma, não termos preconceitos com as diferenças, fossem de cor de pele quanto de posses materiais.

Nunca nos consideramos superiores ou inferiores a quem quer que fosse.

Nossos pais nos educaram para fazermos a nossa parte, nem vítimas, nem superiores.

Iguais, sempre foi nosso lema de vida, foi o que aprendemos.  E é assim que eu vivo e assim que eduquei minha filha.

Abraços e um ótimo domingo 🙂

Amanda