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Muros ou Pontes?

“Se você se sente só, é porque provavelmente construiu muros ao invés de pontes”.

Li e concordo com essa frase, pois muitas vezes nem nos percebemos de quando erguemos muros ao invés de tentarmos as pontes da comunicação entre as pessoas com quem gostaríamos de conviver.

Pois os obstáculos não são somente físicos, mas, muitas vezes simplesmente insinuados, o que pode tirar inteiramente a disposição de interlocutores de emitirem suas opiniões, seus valores pessoais, suas idéias a respeito de qualquer tópico abordado inicialmente.

Se já no início de um determinado assunto nos colocamos com uma opinião inflexível, fica difícil argumentarmos sem que se crie um mal estar inicial.

Temos que estar abertos a novos argumentos para que consigamos o ideal que seria o diálogo, a conversa, a exposição de pontos de vista, com os quais podemos aprender se estivermos dispostos. Mas para isso, devemos ter a nobre humildade de expor as diferenças de opiniões sem que hajam críticas ou ofensas desnecessárias.

Mesmo porque, no caso de somente ouvirmos comentários desagradáveis, essa atitude pode interferir demais na nossa autoconfiança, e com isso diminuir nossa produtividade e criatividade.

Por isso, se construímos pontes simbólicas de comunicação, para que as críticas não ofendam a quem queremos ajudar, essas pontes poderão ser transpostas com simpatia e interesse.

O que, nesse caso, facilita tremendamente a abordagem no sentido de ajudarmos na transformação ou na atitude a ser tomada, sem que a pessoa se sinta ofendida, porque se isso acontece, ao invés de se sentir ajudada, ela vai resistir até mesmo a uma ajuda que lhe poderia ser extremamente útil.

Assim, a abordagem, mesmo quando oferecemos algo, deve ser cautelosa para não construirmos um muro, o que dificultaria tremendamente a comunicação, mas sim uma ponte.

A ponte é um meio de entendimento, de entrosamento entre as pessoas para que tudo possa transcorrer de maneira mais fácil e, com isso, podermos obter os resultados pelos quais lutamos.

Basta olharmos uma figura de uma ponte para compreendermos que significa um meio de acesso a outros locais, muitas vezes diferentes e nos quais observamos e aprendemos.

Já os muros sempre nos dão a idéia da falta de travessia, de diálogo, de troca de conceitos, nos impedindo de aprender, e, portanto de progredir.

É simbólica e importante essa troca, pois vemos exemplos no mundo, tanto político, como social e geográfico.

Ao ser derrubado o muro de Berlim, foi possibilitada a aproximação das pessoas, que antes estavam tão próximas, e no entanto não conseguiam se encontrar ou se ver.

Quantas descobertas devem ter ocorrido, quantas surpresas ao descobrirem um mundo novo além daquele muro, que os impediu por tantos anos de acompanhar o progresso e conhecer pessoas com outras idéias, outras intenções e outras realizações.

Construamos, portanto, pontes que nos levarão a progressos de todas as formas, e a aprender e viver outras histórias, sempre com as novidades que nos serão apresentadas, uma vez derrubada nossa resistência.

É simbólico, mas prático:

Construa pontes de comunicação e aprendizado e derrube os muros e barreiras, mesmo que pareçam resistentes.

Abraços e bom domingo 🙂

Amanda

Propósitos

Sempre que pretendemos realizar algo, precisamos, em primeiro lugar, levar em conta se temos ou não as condições ideais para obtermos os resultados aos quais nos propusermos.

Isso para que evitemos de sofrer as decepções que poderiam advir de atitudes precipitadas, e antes que acontecimentos inevitáveis nos levem a problemas de difíceis soluções.

E para que possamos realizar nossos propósitos, não bastam as boas intenções, mas a força de nosso trabalho, seja ele físico ou mental, no sentido de alcançarmos tudo que desejamos.

Se não conseguirmos, pelo menos valeu nossa luta, e se conseguimos a vitória, nosso sentido de orgulho de realização nos dá um tremendo conforto e maior auto confiança.

Claro que existem vontades e desejos fora de propósito, e é aí que temos que contar com nosso bom senso para que consigamos pretender resultados naquilo que possamos ter alguma chance de vencer.

É nessa oportunidade que devemos usar o que os antigos chamavam de “desconfiômetro”, isto é, desenvolvermos nosso sentido de análise isenta de qualquer ânimo, do que temos a capacidade de fazer ou não.

Sem esse sentido, muitas vezes, temos a pretensão de realizarmos atividades para as quais não estamos aptos, ou nem mesmo temos tendência.

E nesse caso promovemos para nós mesmos uma desilusão desnecessária, pois não tivemos a oportunidade de analisarmos nossa competência.

Então, os propósitos também devem ser concebidos de alguma porcentagem de capacidade de realização.

Na verdade, propósitos são desígnios, finalidade, intenções que, em geral, nos impomos implantar em nossas vidas para que tenhamos melhores resultados em tudo o que pretendamos fazer.

E, importante para nos propormos a algo que desejamos, é termos consciência das limitações em todas as áreas de nossas vidas, para que possamos realizar atividades para as quais realmente somos capazes.

Mas importante também lembrar, que mesmo reconhecendo nossas limitações, isso não exclui a luta para atingirmos os propósitos que pretendemos atingir, pois nossa força de vontade é imperativa e pode nos ajudar a alcançarmos resultados que nem mesmo poderíamos imaginar. Paciência e perseverança são palavras chave para conquistarmos nossas metas.

Um costume interessante e que quase todos fazemos são os propósitos de início de cada ano:

Comer cada vez menos, fazer mais caridade ao nosso próximo, seguir com mais intensidade nossa religião, estudar mais, resolver os problemas sem deixar nada pendente e outros desígnios que nossa vontade deseja alcançar.

Não vamos esquecê-los. Viver com propósitos é evoluir e realizar.

Abraços e bom domingo, cheio de bons e realistas propósitos 🙂

Amanda

Possessividade

Interessante que sempre que pensamos ou falamos em possessividade, fazemos uma idéia distorcida da pessoa que a pratica, mas na verdade, ela pode ser também uma demonstração de amor, dependendo de quem interfere no comportamento do outro.

Conheço um casal que descreve bem essa situação, ele sendo uma pessoa muito experiente, apesar da pouca idade, mas com uma vivência muito intensa em vários sentidos, tanto intelectual quanto espiritualmente.

Como consequência dessa vida intensa desde tenra idade, na área competitiva e de negócios, se tornou muito possessivo e, de certa forma, munido de um traço de egoísmo em relação ao objeto de seu amor.

E nesse caso, sua possessividade se tornou quase uma obsessão, pois se acha o dono absoluto de uma relação que começou após outras, e após algumas traições, que pela sua inocência, apesar da maturidade, ele nunca imaginou poderia acontecer.

Em consequência de tudo isso, tornou-se – e admite – possessivo com esse novo amor.

O mais interessante é que ela, por sua vez, adotou essa possessão de forma natural. E são felizes assim. Ela não deixa de ter a sua linda personalidade, com seus gostos, atividades que gosta de desenvolver, mesmo submetidas à supervisão constante e controle de seu amado. Ela vê seus gestos e sua vontade de estarem juntos como demonstração de amor.

Ele controla absolutamente tudo o que ela escreve, faz, ou administra, e nada disso faz diferença para ela, que diz, “não tenho nada a esconder”.

Para mim, isso é um tremendo exemplo de respeito entre dois seres que se amam, pois não traz, no caso deles, nenhum tipo de frustração.

É fantástico como exemplo “sui generis” de relacionamento, pois qualquer par com esse tipo de vivência se queixaria de falta de privacidade, e outras queixas. Eles não.

Encontraram uma formula de relacionamento que está dando certo, e isso é muito interessante, os dois são lindos, elegantes, educados, refinados, alegres, cada um na sua, como se diz na gíria atual.

São felizes dessa forma, se divertem juntos, desenvolvem juntos as atividades que lhes couberem ou que escolhem durante sua vida.

Claro, é sabido e falado que a possessividade está ligada frequentemente ao ciúme doentio.

Mas, como tudo na vida, depende da medida em que ela for colocada e, se o que for mais ciumento souber dosar esse sentimento, essa atitude pode ter o aspecto de amor e carinho, por incrível que pareça.

Sabemos que existem níveis de ciúme que vão desde o saudável até o patológico.

No caso deles, se compreendem e aceitam o ciúme de forma natural, sem cobrança.

Importante que, quem possui a tendência à possessividade, encontre esse caminho equilibrado para que a relação não se torne objeto de infelicidade e frustração a ponto de se deteriorar com o passar do tempo.

Importante também que o casal encontre pontos de convergência e de convivência pacífica e alegre, para que, na hora que a possessividade aponta, ela seja menos relevante e sim superada pelo amor que um sente pelo outro, pois sem dúvida, tem que haver uma contrapartida.

Essa maneira de amar, para eles, acaba tomando a forma de companheirismo, de superação de temperamentos, que seria a compensação pela falta de liberdade, cerceada pela própria maneira de ser de quem tem a tendência dominante.

O bom trato e maneira delicada de dominar já é um sinal de bons princípios e de sentimentos positivos.

E assim, diálogo e transparência de idéias e atitudes são fundamentais para que ponteiros sejam acertados e não calcados.

Portanto, cuidado ao julgar um casal e suas atitudes entre si, mesmo que possam ir contra conceitos pré-determinados. Cada um na sua 🙂

Abraços e um ótimo domingo,

Amanda

 

Responsabilidade

Ouvimos, desde crianças, que somos responsáveis pelos nossos próprios atos.

Será que adquirimos essa consciência durante nossa vida, ou temos que esperar que algo nos aconteça para que consigamos nos dar conta de que temos que nos policiar no sentido de não cometermos algo que nos prejudique?

Essa vigilância sobre o que fazemos ou dizemos deveria ser uma constante em nossa existência, pois nossa responsabilidade e suas consequências são inevitáveis, e muitas vezes cruéis.

Nossa atenção também deve estar sempre presente em qualquer momento, pois quanto mais crescemos, tanto cronológica quanto social e culturalmente, mais nos tornamos focos de crítica, ou de modelo.

Nossa responsabilidade se inicia quando começamos nossa existência, e em nossa infância já chega o aprendizado de cumprimentar as pessoas com atenção e gentileza.

Nos ensinam a tratar bem os animais, a termos piedade com os menos afortunados, respeito aos mais idosos, etc.

Crescemos e, com a idade, vamos nos dando conta de que nossos encargos também aumentam na mesma proporção.

Os relacionamentos, por exemplo, exigem um grande poder de adaptação desde o jardim da infância, pois ficamos, pela primeira vez, sem nossos pais para nos protegerem, e não é fácil nos relacionarmos com as outras crianças completamente desconhecidas até aquele momento.

E à medida que vamos progredindo, seja em idade, em cultura, nos estudos e em nossas carreiras, estamos, cada vez mais, sujeitos às consequências do nosso próprio comportamento.

O que, muitas vezes, pode nos levar a pagarmos muito caro no caso de faltarmos às nossas responsabilidades, seja de arcar com pagamentos pré-estabelecidos, seja no sentido de guarda infantil, ou qualquer outro compromisso assumido e não cumprido perante as leis vigentes do país em que estejamos.

E conforme vamos crescendo, mudando de curso e de colégio, nosso grau de responsabilidade também muda, seja em relação aos estudos, o cuidado com nossos objetos, a obrigação que temos de atingir o próximo curso, etc.

Sabemos o que nossos pais esperam que façamos, e de maneira geral, nosso propósito seria agradá-los e retribuir o que eles nos proporcionam, tentando nos dar uma vida futura bem sucedida.

Importante lembrar que não existem vitórias sem luta constante, e devemos manter a consciência da honestidade, da responsabilidade que vamos adquirindo e que cresce com o passar dos anos.

Destacamos também a responsabilidade social, que trata da parte de auxílio a quem necessita, no sentido de podermos apoiar movimentos que trabalham pela manutenção e renovação de projetos sociais.

Esse tipo de atitude pode ser empreendido por empresas aos seus funcionários, procurando dar-lhes a assistência necessária para que resultem em melhores trabalhos dentro de cada especialidade.

Assim, vamos tentar também não ignorar as necessidades de quem nos rodeia, sejam elas quais forem.

Como foi dito no “Pequeno Príncipe”:

“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. (Antoine de Saint-Exupéry)

Abraços bom domingo 🙂

Amanda

Julgamento

“Quando julgar alguém, seja extremamente caridoso”.

Uma grande lição de vida, que devemos fazer de tudo para seguir, muito verdadeira e muito triste, pois geralmente as pessoas têm a tendência do julgamento precipitado, e, muitas vezes, nos baseamos em informações nem sempre comprovadas.

É muito perigoso julgarmos de acordo, por exemplo, com as aparências, com informações nem sempre comprovadas, pois poderemos estar cometendo erros irreparáveis, na maioria das vezes.

Temos a tendência de acreditar naquilo que nos chega como informação, e sem comprovarmos a autenticidade da mesma, se quem nos falou a respeito havia tomado conhecimento da realidade daquilo que estava difundindo ou se por leviandade iria espalhando boatos.

E normalmente quem toma esse tipo de atitude nem se preocupa com a realidade dos fatos, e muito menos tenta esclarecer o nível de realidade ao qual eles pertenceriam.

Julgar é um ato extremamente delicado, e envolve isenção de ânimos e muita seriedade, sabedoria e discernimento.

Temos vários tipo de julgamento, seja na área referente às escolhas, como padrões de beleza de pessoas, animais, produtos. E, claro, temos também o julgamento religioso, quando nos referimos a Deus, ao compensar ou punir o ser humano, e o jurídico, que se refere a uma decisão de um juiz que julga um ato e profere a sentença que ele acha adequada.

O julgamento é, na verdade, uma avaliação de fatores e condições, no que diz respeito ao que estamos julgando.

Mas ao julgarmos, é muito importante não sermos levianos quando expomos nossas ideias a respeito de pessoas ou eventos, opiniões que podem nos levar a situações delicadas, até inimizades.

Fato é que julgar não é quase nunca adequado para uma vida em sociedade, pois o possível erro poderá não ser perdoado, nunca.

E lamentaríamos, sem sombra de dúvida a perda de uma amizade duradoura, por não termos pensado antes de exprimirmos nossas ideias levianamente. O julgamento precipitado está sujeito a erros que podem resultar numa interrupção de relacionamento em que ambos os lados sairiam perdendo.

Por tudo isso, julgar é realmente muito delicado, e temos que evitar essa tentação de críticas abusivas, muitas vezes sem fundamento e que poderiam trazer resultados inesperados e prejudiciais.

Como dizia minha saudosa mamy, quem somos nós para nos metermos a julgar alguém?

E principalmente sem o devido conhecimento da verdade de cada um, pois todos os lados têm sua própria história, sempre.

A injustiça, tanto quando somos vítimas ou algozes, é triste e provoca a infelicidade de quem a comete ou é sua vítima, seja por atos, palavras ou simplesmente através de algum gesto de desprezo, muitas vezes infundado, o que, incrível que pareça, torna o autor extremamente infeliz.

Paradoxo?

Como li uma vez, melhor sofrer uma atitude injusta que cometermos esse horror que é a injustiça.

Abraços e bom domingo 🙂

Amanda