Possessividade

Interessante que sempre que pensamos ou falamos em possessividade, fazemos uma idéia distorcida da pessoa que a pratica, mas na verdade, ela pode ser também uma demonstração de amor, dependendo de quem interfere no comportamento do outro.

Conheço um casal que descreve bem essa situação, ele sendo uma pessoa muito experiente, apesar da pouca idade, mas com uma vivência muito intensa em vários sentidos, tanto intelectual quanto espiritualmente.

Como consequência dessa vida intensa desde tenra idade, na área competitiva e de negócios, se tornou muito possessivo e, de certa forma, munido de um traço de egoísmo em relação ao objeto de seu amor.

E nesse caso, sua possessividade se tornou quase uma obsessão, pois se acha o dono absoluto de uma relação que começou após outras, e após algumas traições, que pela sua inocência, apesar da maturidade, ele nunca imaginou poderia acontecer.

Em consequência de tudo isso, tornou-se – e admite – possessivo com esse novo amor.

O mais interessante é que ela, por sua vez, adotou essa possessão de forma natural. E são felizes assim. Ela não deixa de ter a sua linda personalidade, com seus gostos, atividades que gosta de desenvolver, mesmo submetidas à supervisão constante e controle de seu amado. Ela vê seus gestos e sua vontade de estarem juntos como demonstração de amor.

Ele controla absolutamente tudo o que ela escreve, faz, ou administra, e nada disso faz diferença para ela, que diz, “não tenho nada a esconder”.

Para mim, isso é um tremendo exemplo de respeito entre dois seres que se amam, pois não traz, no caso deles, nenhum tipo de frustração.

É fantástico como exemplo “sui generis” de relacionamento, pois qualquer par com esse tipo de vivência se queixaria de falta de privacidade, e outras queixas. Eles não.

Encontraram uma formula de relacionamento que está dando certo, e isso é muito interessante, os dois são lindos, elegantes, educados, refinados, alegres, cada um na sua, como se diz na gíria atual.

São felizes dessa forma, se divertem juntos, desenvolvem juntos as atividades que lhes couberem ou que escolhem durante sua vida.

Claro, é sabido e falado que a possessividade está ligada frequentemente ao ciúme doentio.

Mas, como tudo na vida, depende da medida em que ela for colocada e, se o que for mais ciumento souber dosar esse sentimento, essa atitude pode ter o aspecto de amor e carinho, por incrível que pareça.

Sabemos que existem níveis de ciúme que vão desde o saudável até o patológico.

No caso deles, se compreendem e aceitam o ciúme de forma natural, sem cobrança.

Importante que, quem possui a tendência à possessividade, encontre esse caminho equilibrado para que a relação não se torne objeto de infelicidade e frustração a ponto de se deteriorar com o passar do tempo.

Importante também que o casal encontre pontos de convergência e de convivência pacífica e alegre, para que, na hora que a possessividade aponta, ela seja menos relevante e sim superada pelo amor que um sente pelo outro, pois sem dúvida, tem que haver uma contrapartida.

Essa maneira de amar, para eles, acaba tomando a forma de companheirismo, de superação de temperamentos, que seria a compensação pela falta de liberdade, cerceada pela própria maneira de ser de quem tem a tendência dominante.

O bom trato e maneira delicada de dominar já é um sinal de bons princípios e de sentimentos positivos.

E assim, diálogo e transparência de idéias e atitudes são fundamentais para que ponteiros sejam acertados e não calcados.

Portanto, cuidado ao julgar um casal e suas atitudes entre si, mesmo que possam ir contra conceitos pré-determinados. Cada um na sua 🙂

Abraços e um ótimo domingo,

Amanda

 

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Publicado em abril 5, 2015, em Inteligência Social e marcado como , , , , . Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

  1. Hmmmmmmmmmm….
    ” Mais si je t’aime prend gard a tois!”

  2. Sueli Puccinelli Geraldi

    Possessividade tem muito a ver com insegurança! Quando uma pessoa se sente insegura tende a querer tomar posse da personalidade ou até das atitudes do outro! Não percebe que poderia se completar com o que o outro tem de diferente ou melhor!
    Tudo na vida demanda um equilíbrio e principalmente o respeito ao próximo! Assim vive-se mais feliz!!
    Grande beijo amiga!!!

  3. Oi querida.
    Possessividade é apego irracional, é posse, é domínio absoluto.
    Não é amar demais. É amar errado.
    Sua inesgotável compreensão e experiência fazem-na vivenciar e entender o exemplo surpreendente do casal amigo.
    Ambos ainda não entenderam que estão exercitando ciúme e egoísmo. É uma base tênue para que uma relação dê certo. Vamos torcer para que dê.
    Bjs

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