Arquivo diário: abril 29, 2012

Desculpas

Interessante como as desculpas podem ser colocadas de maneira tão especial em algum momento.

Estávamos  almoçando esses dias em um restaurante muito bom, bem freqüentado e de comida excelente.

Éramos 10 mulheres comemorando o aniversário de uma amiga muito querida.

A mesa era retangular, o que já dificulta a conversa e, com isso nossos decibéis foram  aumentando sem que nos déssemos conta, claro.

Mas considero isso muito natural quando somos um grupo maior e o clima é de descontração e amizade.

Estávamos alegres, cada uma contando suas realizações, rindo muito.

Aí entraram três pessoas – um casal e uma moça, que parecia ser a filha.

Sentaram-se numa mesa perto da nossa.

Notei que eles nos olhavam, pois estava de frente e mais próxima deles.

Incomodados com nosso barulho, mais do que óbvio, estávamos ali para conversar e nos divertir, eles já estavam inquietos.

Previ o que iria acontecer, e aconteceu.

Vi quando a moça começou a escrever um bilhete num guardanapo e esperei.

Levantaram-se, pois tinham pedido ao garçom que os trocassem de mesa.  Pediram também que nos entregasse o bilhete.  Ele se recusou.

A moça não teve dúvida.

Parou em frente a nossa mesa e entregou o bilhete a uma de nós, que nos leu o que estava escrito, dizendo que a educação manda que se coma em silêncio.

Claro ficamos surpreendidas, pois sempre tem em restaurante alguma mesa comemorando seja o que for.

Muitas vezes, se é aniversário, as mesas mais próximas até batem palmas juntos na hora do bolo.

Mas eles não.  Estavam muito irritados.

Nós escrevemos um bilhete respondendo à reclamação, por que nunca se deixa alguém sem resposta, e obviamente nos desculpamos.

Danielle, uma mulher de grande vivência social e profissional, jornalista, pessoa muito educada, foi até a mesa dos reclamantes, entregou o bilhete e disse que estávamos festejando o aniversário de uma amiga, sentíamos muito pelo incomodo que havíamos causado e queríamos pedir desculpas  pelo barulho.

Claro, eles ficaram com a cara no chão.

Na verdade, esse foi um pedido de desculpas especial, pois nós havíamos sido o lado ofendido, então foi, como se dizia  antigamente, “ um tapa de luvas”.

Recebemos a ofensa e ainda nos desculpamos.

Como disse uma querida e inteligente amiga a quem eu relatei o fato:

“A felicidade das pessoas ás vezes incomoda”.

Foi o que aconteceu naquele dia, e me fez pensar sobre o tema “desculpas”.

Quando devemos pedi-las ou aceitá-las?

Às vezes, o orgulho fala mais alto do que a razão e se perde a oportunidade de se refazer uma relação ou uma situação.

Pedir desculpas é algo sublime, pois significa humildade mediante alguma atitude que tenhamos tido em algum momento e que pensamos termos sido injustos.

Evidentemente, tem ocasiões em que fica muito difícil desculpar a atitude ofensiva de alguém, por mais predispostos que estejamos.

Mas tudo depende do nível de ofensas que foram feitas.

O ideal é analisar com isenção de ânimo cada situação, tendo em vista, sempre, evitar alguma injustiça – na ofensa ou na defesa.

Tenho uma grande amiga que me relatou um fato onde seria impossível desculpar a pessoa que o cometeu.

Algumas amigas estavam conversando num grupo alegremente, e de repente uma delas, que já era sua conhecida antiga, começou a agredi-la verbalmente, berrando, você sabe o que penso de você?  E disse ofensas incríveis.

Minha amiga, chocada, chorou e ficou sem resposta, pois no inicio, ficou até pensando tratar-se de brincadeira.

Ficou um clima tenso entre todas e, claro, a reunião acabou de maneira desastrosa do ponto de vista social e emocional.

Não há desculpa para esse tipo de atitude, pois a amiga desfiou um rosário de ofensas descabidas para o momento, que era de descontração e alegria.

E também não foi algo momentâneo.

Era algo pesado e que ela tinha como conceito arraigado contra minha amiga, apanhada de surpresa, pois nunca imaginou que a outra tivesse dela essa imagem.

Minha linha de conduta a esse respeito é a seguinte: pensar antes de dar uma resposta ou mesmo antes de expor alguma idéia – ou antes de alguma explosão.  Se não ofendemos, evitamos pedir desculpas.

Desculpem se me alonguei 🙂

Bom domingo!

Amanda