Arquivo diário: abril 22, 2012

As duas faces da verdade

Costumamos julgar  pelas aparências, sejam físicas, emocionais ou profissionais.

E sabemos muito bem que isso nem sempre corresponde a realidade, sendo que toda verdade tem dois lados, dois aspectos diferentes, duas visões completamente diversas.  Cada pessoa tem sua própria personalidade e, com isso, seu próprio raciocínio.

Comecei uma vez a escrever um livro que iria se chamar:  AS DUAS FACES DA VERDADE.

Eu já havia escutado tantas vezes opiniões diferentes sobre a mesma situação,  referente ás mesmas pessoas, que isso me chamou a atenção.

Passei, então, a fazer entrevistas com as duas partes: casais, pais e filhos ou filhas, patrões e empregados, e outros tipos de pares.

Claro que eu me comprometia de nunca revelar no livro os nomes reais, pois queria transcrever as entrevistas e no final pegar a opinião de um especialista para recomendar algo naquele relacionamento.

Apesar de comprovar o que já vinha observando durante minha vivência, as surpresas foram enormes.

Uma das vezes fui entrevistar um casal e escutei primeiro a esposa, que respondeu às minhas perguntas com muita simpatia e se descrevendo como uma pessoa muito ardente, muito dedicada ao casamento, ótima mãe.

Em seguida, foi a vez do marido. Eu já tinha as perguntas prontas e tentei me fixar num roteiro previsto anteriormente.

Mas não consegui, pois ele começou a se desabafar, fora de propósito, evidentemente, pois não era meu objetivo.  Na verdade, eu só queria mostrar como as pessoas, muitas vezes, se vêem de uma forma e, quem convive com elas, as vêem de maneira diferente.

Mas ele se referiu à esposa de maneira tão diferente do que ela se via, que fiquei mesmo chocada, pois as diferenças eram enormes em todos os sentidos.

Tempos depois soube que se separaram, o que não me surpreendeu nem um pouco.

Também tive a oportunidade de entrevistar uma mãe e duas filhas, o que foi algo extremamente emocionante.

A mãe se via como uma mãe exemplar, tolerante,  alegre, dedicada, que sempre  ajudava as filhas no que precisassem.

Fui falar com as duas filhas.  Foi impressionante ver a diferença de idéias, de visão que tinham da mãe – que ela era displicente em relação a elas, intolerante e chata.

Muito bem, depois de certo tempo as entrevistas me deixavam muito tristes e acabei com o projeto.

Claro que nem todas as relações são falsas, nada disso.  Mas é bom ter em mente que nem sempre quem convive conosco nos vê como imaginamos que somos vistos.

Quem sabe deveríamos perguntar de vez em quando ao nosso próximo como ele nos vê?  E, aí, ter coragem de receber as criticas e, se acharmos justo, tentar mudar nossos conceitos humildemente.

Grande abraço e um ótimo domingo,

Amanda