Arquivo diário: abril 1, 2012

Tratamento em Restaurantes

Recentemente, eu tive uma experiência num restaurante muito bom, elegante e da moda aqui em São Paulo.

Éramos 10 mulheres num almoço.

Todas pedimos o bacalhau que era a recomendação do dia.  Quando provei a primeira garfada senti um gosto amargo, mas como é de meu principio, não reclamei, mas todas sentiram e duas falaram que iriam reclamar.  Assim o fizeram.

Recolheram-se os pratos e fizemos outro pedido de saladas, etc.  Ao terminarmos  a refeição, o restaurante cobrou normalmente os preços que estavam previstos para o bacalhau. Claro que não foi muito elegante por parte deles, mas o fato de gritar e reclamar não iria mudar a conduta e só criar um clima de mal estar.

Pagamos e saímos, apesar de muitas ficarem literalmente furiosas.  Eu nada falei, e  fomos embora.

No dia seguinte, uma amiga comentou em minha casa que o filho dela tinha estado na noite anterior no mesmo restaurante e achou o bacalhau amargo, e que o garçom  havia comentado que 10 mulheres no dia anterior tinham achado a mesma coisa.

Eu lhe disse: realmente eu estava lá ontem entre as 10 mulheres.

Rimos muito do fato.

Pois bem, um mês se passou e fomos com amigos  no mesmo lugar, e eu nada comentei.  Quando entramos, o maître ficou contente de me ver, e ele  mesmo comentou o fato de um mês atrás.

Todos na mesa me perguntaram porque eu nada havia dito, e respondi:

Vocês estão gostando do que pediram?  Por que eu iria falar mal e colocar vocês preventivamente contra o restaurante que é excelente?  Houve uma falha naquela semana, e foi corrigida.

Todos nós pertencemos a algum núcleo de alguma sociedade em alguma forma, social, financeira ou culturalmente.

E essa convivência não se restringe somente a amigos e parentes.

Temos vários tipos de relacionamentos: com funcionários de dentro de nossas casas ou de nossas empresas, com pessoas que de alguma maneira nos servem pois nos servimos de seu trabalho.

E mesmo sendo proprietários – e chamados “patrões”, clientes ou prestadores de serviço, na verdade somos nada mais, nada menos do que dependentes uns dos outros.

Por isso se nos colocarmos no lugar de quem nos serve, fica mais fácil o trato  educado e respeitoso em qualquer ambiente no qual dependemos do serviço de outras pessoas.

Não custa pedir sugestões ao garçom com educação e fazer os pedidos com gentileza e simpatia, e se a comida não vier exatamente como imaginávamos, reclamar em voz alta só cria um clima desagradável para todos.  Dirigir palavras bruscas a quem está nos servindo, não vai mudar  nada, a comida já veio da cozinha e naquele momento, ele nada vai poder fazer para mudar o que havia trazido.

Pessoalmente eu não reclamo.  Fato é, se não está bom na primeira vez, há grande chance de estar pior na segunda. Eu simplesmente como menos e na próxima vez peço outro tipo de prato.

Mas se realmente tiver que reclamar, eu ajo como faria com um amigo que estivesse me preparando um lindo jantar – e não com estupidez.  Digo que não devo ter conseguido explicar  exatamente o que queria.  É mais fácil e menos traumatizante para todos em volta e evita aquele clima de constrangimento que se cria toda vez que se reclama.

Quem vai a um restaurante busca momentos aprazíveis, amenos e agradáveis, e não se irritar ou se importunar com coisas que no final não tem importância.

E também não é porque o restaurante não acertou uma vez que isso vai se repetir, como presenciei recentemente.  Eu sempre dou uma segunda chance a tudo e a todos.

Minha mãe sempre me ensinou: “Não se corta o pé do burro porque ele deu um coice”.

Grande abraço,

Amanda