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Pontualidade

A pontualidade cria a confiabilidade com quem convivemos.  Sabemos que podemos marcar compromissos sem a angústia da falha alheia.

É muito desagradável você chegar pontualmente num encontro e ficar esperando os outros.

Às vezes me acontece, pois sou extremamente pontual, me organizo para sair  de casa e chegar no horário.

Fico esperando sem me irritar,  pois já me acostumei e nem peço explicação.  Muitas vezes a desculpa foi o trânsito, um telefonema inoportuno ou outro motivo qualquer.  Entendo que não foi proposital e que o atraso tenha sido ocasionado por circunstâncias alheias à vontade da pessoa.

Mas já conheci pessoas que simplesmente vão embora de um restaurante ou outro local que tenham marcado com alguém que não chegou no horário combinado.

O retardatário sempre penaliza o pontual, que deixou de fazer algumas coisas para chegar no horário e o retardatário as fez, e chega com um sorriso como se fosse a coisa mais normal do mundo.

Tem certas pessoas que habitualmente chegam atrasadas em qualquer compromisso previamente agendado.  É o atrasado crônico.

Alguns casos são até divertidos.  Os amigos já sabem quem vai chegar fora do horário  marcado, e marcam com eles mais cedo do que com os outros.

E quando chegam, são recebidos com festa e alegria.

O difícil num jantar é coordenar os aperitivos.  Muitos são servidos quentes e começam a passar quando chegam os primeiros convidados, sempre penalizados se os outros se atrasam demais pois ficam horas comendo os mesmos – e muitos — aperitivos, o que depois prejudica o apetite para o jantar.

Nós, brasileiros, estranhamos quando recebemos  um convite com hora marcada para começar e terminar.

Em outros países, muitas vezes, marcam até mesmo festas de casamentos com horário para terminar e termina mesmo, com os garçons fechando as cadeiras e retirando as toalhas das mesas, sem considerar sua presença no salão.

Normalmente funciona bem, com elegância.

Acabou, acabou.

Consideração pelo horário e tempo das pessoas é condição numero um para uma boa convivência social.

Vejamos casamentos na igreja, por exemplo.

Já sabemos que a noiva chega sempre com algum atraso.  Faz parte e fica até bonito ela chegar com a igreja lotada, quando todos estão acomodados.

É um espetáculo digno de toda uma preparação que foi feita para esse momento especial e geralmente único em sua vida.

Mas já fomos a casamento onde a noiva  se atrasou  por mais de hora e meia.

Os convidados já estavam tão  impacientes que não aproveitaram a beleza do momento por causa da irritação que sentiam.

Sempre tento ser pontual  para qualquer compromisso, planejando, colocando despertador, e quando não consigo, fico muito aborrecida.

Pontualidade é respeito!

Um bom domingo para todos e até o próximo, pontualmente.

Abraços,

Amanda

Expectativas

Já repararam que, na maioria das vezes, criamos expectativas a respeito de tudo e de todos?

Na verdade, podemos nos surpreender, pois nem sempre nossas expectativas corresponderão à realidade em relação a pessoas ou acontecimentos.

Vemos, por exemplo, um trailer de um filme, e quando vamos assisti-lo, nos decepcionamos porque muitas vezes nos mostram, à primeira vista, somente os momentos que despertam a nossa curiosidade quanto à continuação ou ao desfecho que nem sempre corresponde ao resultado que esperávamos.

E as pessoas?

Conhecemos, conversamos e, quando temos que recomendá-las a alguém, seja como funcionárias ou para uma simples convivência, temos que pensar bem.

Li uma vez um livro cujo titulo é: “Todo mundo é incompetente, inclusive você”, dos autores Laurence J. Peter e Raymond Hull.

Muitas vezes funcionários que correspondem ou até superam nossas expectativas em um trabalho especifico podem não ter condições de executar outra função ou em outro lugar o mesmo que nos ofereceram.

Todos nós, de maneira geral, temos o nosso nível de incompetência, em qualquer  setor de atividade.

É sempre um risco, por exemplo, promover uma pessoa dentro de uma organização antes que ela esteja  preparada para o novo cargo.

Um bom líder tem experiência para reconhecer as aptidões da equipe, sem falsas expectativas, e promover cada um no momento certo, para que o funcionário continue exercendo suas funções  com a mesma eficácia.

Eu, pessoalmente, tive uma experiência interessante nesse sentido.

Como sou farmacêutica, e não encontrava trabalho na área, passei a buscar outro ramo de atividade.  Havia estudado também administração e comecei a me candidatar a secretária executiva.

Me sai bem no trabalho e fui promovida a assessora financeira.

Sempre acho que podemos preparar pessoas de nossa confiança para cargos superiores desde que tenham correspondido às nossas expectativas em cada incumbência para as quais os tenhamos responsabilizado anteriormente.

Agi dessa forma com meus funcionários e encontrei muitos deles dispostos a mudar de função e provaram a si mesmos e a mim que estávamos certos quanto às expectativas que tivemos em relação a eles.

Nunca me arrependi.

O mesmo ocorre com amigos.  Não podemos esperar que eles nos socorram em tudo e em todos os momentos que precisamos, pois, muitas vezes, eles não têm condições, sejam financeiras, comerciais ou emocionais de nos ajudar.

E ai vem a decepção e a cobrança injusta.

Portanto, ao solicitar auxílio a um amigo, pensemos bem, se ele terá condições de corresponder ao que esperamos dele.  Se não tiver, não vamos julgá-lo erradamente,  achando que houve má vontade, quando na verdade, ele não tinha condições de atender ao que nosso pedido exigia.

E assim ocorre também com viagens, que podem gerar grandes expectativas — boas ou ruins.

Nos preparamos para sair de merecidas férias, gastamos tempo selecionando local, hotel, passeios, e ao chegar, muitas vezes depois de termos pago pela hospedagem e tudo o mais, vemos que nada daquilo que estava nos folhetos  correspondia à nossa previsão.

É triste, desanimador, expectativas frustradas, mas o que fazer?

Eu procuro sempre enfrentar de bom humor e aproveitar cada situação no seu tempo e cada pessoa no momento de vida.

E minha expectativa hoje é de que vocês, queridos amigos, gostem deste blog 🙂

Abraços e bom domingo,

Amanda

Comparações

Comparar grandezas incomparáveis muitas vezes é chover no molhado.

Claro que comparações, muitas vezes, são inevitáveis.  Mas o importante entre pessoas, para se manter uma amizade sólida e saudável, é exatamente evitar a comparação entre elas.

Quantas vezes ouvimos dizer: fulano é mais simpático, mais bonito ou mais inteligente que beltrano?

Comparação completamente fora de cogitação, visto que cada um de nós já nasceu com determinadas características, tanto físicas quanto emocionais, inteligência  privilegiada ou não, personalidade mais forte ou mais fraca, espírito de luta maior ou menor, e portanto com resultados completamente diferentes.

Por exemplo, quando dizemos que um amigo nos dedica mais atenção que outro, podemos estar completamente equivocados, pois não consideramos que aquele que nos dá mais atenção dispõe de mais tempo, com a vida menos difícil que o outro.

Eu tenho amigas que se dedicam, e eu adoro, mas tenho a consciência de sua disponibilidade em todos os níveis, que outras não possuem, por trabalharem fora ou pelo empenho que a família lhes exige, motivos financeiros, de saúde e outros.

Não devemos nunca cobrar a convivência sem levar em consideração todos esses aspectos.

E o mesmo pode se dizer nas comparações entre cidades ou países.

Também totalmente fora de sentido, visto que cada cidade ou cada país tem sua própria vida financeira e cultural.

Podemos preferir um ao outro, mas nunca comparar.

Temos amigos, por exemplo, que preferem viver numa cidade tranquila ou visitar pequenos lugarejos ao invés de uma metrópole, como São Paulo, Nova York ou Londres.  Já outros preferem as grandes cidades, com seus problemas de trânsito, de filas para todas as atividades.

Tudo depende, naturalmente, da personalidade de cada um de nós.

Agora, se você vive numa grande cidade usufruindo de todas as variedades de programações que ela oferece, tem que assumir também as dificuldades que esse tipo de população acarreta, seja nas ruas, no trânsito pesado todo o tempo, os perigos de uma cidade grande, e tudo o mais.

Pesar as vantagens para seu tipo de personalidade é o ideal.  Mas nunca comparar.  A comparação é uma espécie de boicote emocional.  Os elementos que entram na composição não são os mesmos para cada lado, seja pessoal, seja de cidade ou país.

Tento aproveitar onde estou — geográfica, física e emocionalmente — em cada momento de minha vida e aceitar as pessoas como são, sem comparação.

Comparar, em geral, é se aborrecer pois não se encontra tudo em todo lugar.

Como diz a peça de Pirandello: cada um a seu modo!

Bom domingo, sem comparações 🙂

Amanda

Orgulho

Orgulho é uma palavra que tem várias interpretações.  Pode expressar um sentimento positivo, como também pontos negativos, quando se trata de discriminação.

Tivemos na nossa família um exemplo muito feio referente a orgulho.

Minha bisavó paterna, chamada Amanda, foi uma pessoa de muitas posses, tendo sido proprietária de fazendas, e naquela época contava com escravos a seu serviço.

Seu orgulho era desmedido.  Ela se sentia enojada quando era o dia do “Beija Mão”, e se “desinfetava” do contato físico com seus escravos.

Mas no fim de sua vida, arrependeu-se de suas maldades.  Pediu que quando morresse fosse carregada por cinco de seus escravos e enterrada na porta principal do cemitério para que todos  a pisassem.

Essa é uma história famosa na família de meu pai, e se contava também que meu avô paterno, filho dessa senhora, adolescente na época de sua morte, nunca mais entrou no cemitério pela frente para não pisar sobre o corpo da mãe.  Ele pulava o muro lateral.

Meu avô ficou adulto, casou-se e teve  seus filhos, entre eles meu pai.

Como fui a primeira neta, meu avô, que era homem muito bom, pediu aos meus pais que  me dessem o nome de sua mãe.  A principio, minha mãe ficou apreensiva, com receio de que o nome pudesse exercer má influência sobre mim.  Ele não tinha podido dar o nome de sua mãe a nenhuma de suas filhas. Minha avó não aceitava.

Mas meus pais acabaram cedendo por amor a ele.

E minha educação, em função desse fato, foi dirigida para que eu crescesse sem o mínimo orgulho e aprendesse a nunca maltratar os menos afortunados pelo destino.

Nunca me dei mal por isso.

No entanto, as irmãs de meu pai cresceram cultivando um tremendo orgulho, e  mesmo com a família em grandes dificuldades financeiras, se recusavam a trabalhar. Passaram toda a sua vida lutando contra a maré, tentando sobrenadar, sem grandes resultados.

Já a família de minha mãe, que não dispunha de grandes recursos, se dedicou ao trabalho, conquistou o sucesso financeiro para uma vida estável, dando instrução aos filhos que chegaram, mudando assim o rumo de suas vidas, numa atitude digna de outro tipo de orgulho.

O orgulho “bom” vem do sentimento de realização de alguém que nos é querido, pelos seus resultados, seus feitos numa batalha, as boas notas de nossos filhos na escola ou na sua profissão já na idade adulta.

Nos orgulhamos de um amigo ou de um familiar que conquistou o sucesso naquilo que se propôs fazer, que recebeu um prêmio regional ou mundial, que foi reconhecido por uma pesquisa importante para o mundo, e outras situações cuja característica é sempre de reconhecimento de capacidade, seja em que área for.

Um filho agradecido e competente é mesmo algo de que temos que nos orgulhar.

Uma amiga querida se emocionou muito com a frase de seu  jovem e eficiente filho que está vencendo na vida: “Mãe, estou dando meu sangue no trabalho pois você e meu pai trabalharam e trabalham muito para nos dar um futuro bom, e por isso quero dar o meu melhor em agradecimento a vocês”.

Isso é motivo de muito orgulho, do bom, o único que deveríamos ter.

Já pessoas orgulhosas, no mau sentido, como foi minha bisavó, que fazem pouco de quem sabe menos, de quem tem menos ou de quem realiza  menos, são fracas e, na maioria, inseguras.

Precisamos reconhecer que os que não conseguiram sucesso em qualquer setor da atividade humana,  muitas vezes não tiveram como reverter essa situação, pois talvez não tenham sido aquinhoados com o mesmo teor intelectual ou a mesma oportunidade e os recursos de outros.  Temos que compreender e não vitimá-los ainda mais.

Conheço pessoas que, por infortúnio que pode acontecer a qualquer um de nós, perderam sua independência financeira, se dedicaram a trabalhar sem nenhum complexo, trauma ou drama, sem orgulho ou soberba.  Assim, se reinventaram, obtendo novamente o sucesso merecido através da perseverança.

Isso é razão de orgulho, do bom.

Infelizmente, nesse caso, alguns amigos orgulhosos se distanciaram deles, o que não foi grande perda, pois ganharam novos amigos que demonstraram solidariedade e uma amizade sincera e não se preocupavam em avaliar somente a sua conta bancária.

Com muito orgulho, deixo aqui meus cumprimentos aos lutadores e sobreviventes a situações  difíceis.

Um grande abraço e bom domingo,

Amanda

Paciência/Impaciência

A paciência é uma arte que se pode praticar.

Não é fácil, claro, pois existem situações em que fica mesmo muito difícil manter a calma.

Mas isso também se educa.

Quando se perde a paciência em alguma situação, sempre ou quase sempre, nos arrependemos, e nos perguntamos, por que não pensei antes?

Por isso, minha conduta é de tentar pensar antes de ter uma atitude impetuosa ou impaciente da qual tenha que me arrepender.  Mesmo porque, às vezes, nunca mais se tem a oportunidade de  reverter uma situação provocada pela nossa impaciência.

Sempre consegui praticar a paciência em situações difíceis, como por exemplo, em sociedades comerciais, onde temperamentos diferentes dos sócios nos exigem, às vezes, o que se chama uma  “paciência de Jó”.

As diferenças de vivência, de costumes, de temperamento e de contexto familiar plasmam o comportamento de cada um de nós, mas ocasionalmente nossa paciência é exigida exatamente para o bom andamento dos negócios cujos sócios se demonstram tão diferentes de nós com o passar do tempo.

Como perceber e lidar com isso?

Primeiro, detectar o valor profissional dos sócios, pois sozinhos o nosso êxito seria menor.

Também é necessária boa dose de criatividade para que os negócios possam progredir e para que não deixemos o barco afundar.  Temos que pensar também na necessidade financeira de cada um e não colocar tudo a perder pela falta da paciência.

E o mesmo pode ser dito para atitudes impacientes em situações sem tanta importância: a fila para pagar no supermercado, a fila de carros à sua frente no trânsito, o atraso na chegada de um email que se esperava, a vendedora que estava atendendo outra pessoa antes de nós, o manobrista que demorou cinco minutos mais para trazer o carro, o garçom que não trouxe o que havia pedido, o amigo que ficou de telefonar e ainda não chamou, e assim por diante.

Tudo é motivo de irritação para o impaciente crônico.

Os aeroportos estão cheios deles.

Nós temos uma política de chegar cedo.  Prevenidos pelo possível atraso no trânsito, nos programamos, saímos com antecedência, mas pode acontecer que quando chegamos no aeroporto, haja um contratempo, atraso no vôo ou problemas técnicos que não estavam previstos.

O que podemos fazer? Absolutamente nada – mas nada com paciência é mais agradável.

E com essa atitude, lidamos melhor com a espera ou aborrecimentos cotidianos que sempre podem ocorrer  em qualquer situação nas nossas vidas.

Perder a paciência  em nada vai ajudar, pois a situação estabelecida não vai mudar somente porque queremos que ela mude.

E nunca, jamais, perder a paciência com quem sabe menos.  Esse tipo de atitude é cruel e chega a ser uma falta de caridade com quem não teve a mesma chance de estudar.

A Oração da Serenidade reflete perfeitamente minha visão de vida: “Concedei-me, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar aquelas que posso e sabedoria para distinguir umas das outras”.

A paciência pode sim, ser educada e instituída em nossa personalidade, e assim evitarmos um stress desnecessário ou uma injustiça sem retorno.

Paciência se tomei seu tempo, mas valeu a intenção.

Ótimo domingo!

Amanda