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As aparências enganam

Todos temos tendência a julgar pessoas pelas aparências, o meio mais fácil e cômodo, dá menos trabalho, nos empenha poucos neurônios, pouco raciocínio.

Quando olhamos alguém, o primeiro comentário é sempre baseado nas aparências, se a pessoa é bonita, se está bem vestida, se é simpática ou antipática.

Quando na verdade, deveríamos nos preocupar, mais e em primeiro lugar, com seu conteúdo, que logo nos primeiros momentos não pode ser avaliado.

Podemos ver se a conversa está sendo boa, se temos pontos de vista que combinam, se a cultura da pessoa nos esclarece algo, se temos os mesmos pontos de vista em relação à vida, aos acontecimentos.

Às vezes nos deparamos com uma pessoa aparentemente sisuda, mas se tivermos a oportunidade de conversar, essa impressão pode mudar completamente.

E o contrário também pode acontecer.  Alguém aparentemente muito sorridente, à primeira vista, pode se revelar completamente sem graça ao nos aprofundarmos.

Sempre procuro ter a boa vontade de tentar reverter a primeira impressão ruim, mas também dependemos da boa vontade da outra pessoa em nos deixar conhecê-la melhor.

Eu tive um professor na faculdade cuja fama era de pessoa muito rude para com todos os alunos, e mesmo seus poucos amigos comentavam de suas supostas grosserias.

Como ele era também diretor de uma grande multinacional onde trabalhei depois de formada, fui justamente indicada, inicialmente, para fazer um estágio em seu departamento.

Era uma pessoa muito importante, com grande mérito, grande cientista, autor de livros que eram os indicados para os alunos da faculdade e ele tinha consciência de sua capacidade.

O que tentei fazer foi trabalhar com afinco, valorizando sua sabedoria e acatando suas ordens, o que facilitou em muito meu aprendizado.

Ele nunca foi estúpido comigo, como era com muitos, mas me travava com a distância esperada.

Até que, coincidentemente, ele começou a namorar uma grande amiga minha, o que colaborou para que nos aproximássemos mais.

Com isso, ele me conheceu melhor e passou a me tratar com o mesmo respeito mas com mais carinho, demonstrando ser um homem de enorme sentido de humanidade.

Tive, então, a chance de descobrir nele uma pessoa simpática e de bons sentimentos, escondidos debaixo de uma casca aparentemente dura e difícil no trato.

Esse caso me ensinou a pensar antes de julgar alguém pela aparência.

Muitas vezes, a suposta agressividade é uma defesa de pessoa tímida, que ficando sem saber como agir, se protege, tomando atitudes agressivas.

Tento sempre ver através dessas atitudes aparentes e avaliar com cautela a essência da pessoa, antes de julgá-la.

O mesmo ocorre em relação a lugares que gostaríamos de freqüentar.

Entramos em locais lindos, bem decorados, e esperamos encontrar ali a perfeição no serviço que fomos buscar, seja restaurante, teatro, qualquer tipo de
estabelecimento.

Chegamos com uma tremenda expectativa e nos decepcionamos muitas vezes, pois o que buscávamos nada tem a ver com o que esperávamos, exatamente porque fomos influenciados pelas aparências.

Já em lugares mais simples, de repente, encontramos uma comida maravilhosa, bem feita, e apesar da aparência, nos deliciamos e saímos dali com aquela sensação de satisfação e vontade de voltar.

Tenho sempre cuidado com as aparências.

Elas não só enganam mas podem nos impedir de desfrutar de ótimas amizades.

Um abraço e ótimo domingo,

Amanda

Polêmica ou Diálogo: Eis a questão

As pessoas, em geral, confundem polêmica com diálogo, dois ramos de conversas onde opiniões divergem, seja em que ponto de vista for.

A polêmica pode ser construtiva como discussão técnica, em qualquer área da atividade humana, pois esse debate é esperado e até necessário para o esclarecimento, tanto de professores para alunos, como de conferencistas, pois só assim se definem idéias e princípios.

Muitas vezes também se aprende quando determinado assunto é polemizado para que se acendam luzes de sabedoria.

Isso na minha opinião é um diálogo, pois permite que um possa aprender com o outro sem nenhum mal estar.

Já a polêmica, isoladamente, traz sempre um ar desnecessário de duelo.

Se o diálogo é tratado com elegância e respeito, ele se torna interessante e pode evoluir para a criatividade.

O que incomoda são aquelas pessoas que sempre estão polemizando – quase por vicio – em momentos impróprios, como em reuniões sociais, que devem ser descontraídas.

Elas tem o hábito de discordar com quem quer que seja por qualquer assunto, pelo simples prazer de discutir, e gerar polêmica.

Adoram dizer: “Eu discordo”.

E ai, se você pergunta por que, elas sempre desfiam uma série de argumentos — que nem sempre são errados — mas a maneira como são colocados, choca, irrita e obriga, muitas vezes, o interlocutor a iniciar um desafio, na maioria das vezes, desagradável.

Nunca perdi minha autenticidade e expresso minha opinião em todas as situações, quando solicitada, mas sempre com a razão, nunca com a emoção.

Na verdade, um diálogo saudável é interessante e ás vezes, até mesmo construtivo, pois se formos humildes, podemos aprender com a discussão.

Mas quando se torna uma teimosia simplesmente no sentido de vencer a discussão, fica desagradável tanto para o interlocutor, quanto para os que estão por perto.

Quando minha filha era pequena, dizia sempre para ela: pode me questionar sobre qualquer coisa, mas não me desafie quando tiver platéia, porque você vai perder.  Não adianta criar polêmica para vencer um argumento invencível em certas situações.

Realmente uma coisa é certa: quando se tem platéia, as coisas mudam, e quem está discutindo determinado assunto ou instituindo uma polêmica, não quer “perder” a discussão em pauta naquele momento e insiste até que o outro lado resolva desistir ou concordar por educação.

Agora, conheço gente que não permite, por exemplo, polêmica ou perguntas em suas palestras ou conferências.  Isso também não está certo.

Ninguém é absoluto e infalível, e portanto, deveria escutar a idéia de quem está participando, até mesmo para esclarecer algo que o aluno ou o ouvinte não tenha entendido completamente.

Mesmo que o palestrante seja uma sumidade, ele tem que dar a oportunidade de participação do ouvinte e deve escutar as diversas opiniões, pois o fato dele conhecer bem o assunto, não quer dizer que tenha conseguido transmiti-lo com eficácia para quem desconhece o tema.

A polêmica tem dois lados, como tudo na vida: o aspecto destrutivo, quando colocado em ambiente social, por exemplo, mas também o positivo, o diálogo, que pode ajudar a transmitir conhecimento.

Tudo depende de como ela é colocada e o local onde a gente se encontra.

Vamos dialogar?

Ótimo domingo!

Amanda

Respeito

Quanto mais íntima a pessoa que conhecemos ou com quem lidamos, mais respeito lhe devemos.

Minha mãe e eu nunca tivemos uma palavra de desrespeito uma com a outra, e todos   os amigos que privaram de nossa amizade e convivência podem atestar a veracidade do que estou afirmando.

Respeito também as autoridades, tanto no trabalho, como policiais ou eclesiásticas, por exemplo.  Seja a que religião pertençamos, temos a obrigação de respeitar os dirigentes com quem convivemos.

Os nossos funcionários merecem o respeito que temos que ter para com qualquer ser humano, independente de raça, cor ou religião.

Eu fiquei muito surpreendida esses dias ao dar uma carona para uma senhora que saia de um mesmo compromisso na casa de uma amiga.

Quando entramos no elevador, notei-a muito nervosa e apreensiva perguntando minha direção.

Coincidentemente iríamos para a mesma região e disse que poderia levá-la.

No carro, o telefone celular dela não parou de tocar e a filha, do outro lado da linha, falava de forma muito desagradável com ela, cobrando porque ainda não havia chegado.

Sem nenhuma consideração ou carinho com a mãe que se humilhava e pedia calma, claro sem nenhuma liberdade de falar, inibida pela presença de pessoas estranhas.

No final ela mentiu e disse que estava num táxi e que já estaria chegando na casa da filha em seguida.

Fiquei chocada pelo tratamento que foi dispensado a essa senhora, e me perguntava porque ela se submetia a isso.

Enfim, esse fato me deixou triste, pois com carinho e diálogo, tudo poderia se resolver mais facilmente.

Já imaginaram como essa senhora chegou à casa dessa filha, que a esperava, como diria minha mãezinha, com cinco pedras na mão?

E o respeito com os subordinados?

Esse é, para mim, um dos mais importantes, pois mesmo que seja para corrigirmos alguém de qualquer função, o tratamento deve ser respeitoso.

Nem todos são obrigados a saber como nós gostaríamos que as coisas fossem feitas, então a orientação deve ser feita com dignidade.

Por exemplo, tenho uma amiga que trabalha numa empresa de confecção, e fica muito sentida, pois seu chefe lhe chama atenção na frente dos clientes, o que a deixa extremamente constrangida.

Enquanto sua produção poderia ser bem mais proveitosa e rentável para os proprietários, o constrangimento já dificulta o resultado, e os clientes ficam também disfarçando o mal estar que esse tipo de atitude lhes provoca.

Outro aspecto que sempre me deixa inconfortável é o fato de filhos chamarem atenção e criticarem a mãe ou o pai diante de amigos, e muitas vezes apoiados pelo outro cônjuge.

Seja a mãe ou o pai que esteja sofrendo esse tipo de crítica sempre cria um clima de humilhação.

Nós, pais, crescemos na vida cada um à sua maneira e disponibilidade — estudamos, realizamos dentro de nossas possibilidades, sem imaginar que um dia depois de termos criado nossos filhos da melhor maneira que pudemos, tenhamos  ainda que sofrer essa espécie de “bullying” às avessas.

De outro lado, nós, pais, também não temos o direito de fazer o mesmo, repreender os filhos na frente de nossos amigos ou de seus amigos.

Na nossa família, tentamos sempre respeitar os gostos e hábitos de cada um, dentro dos nossos limites.

Como diz o dito popular: Respeito é bom e eu gosto – e é essencial para a boa convivência.

Com todo respeito, bom domingo a todos!

Um abraço,

Amanda

Gente é muito bom

Eu gosto muito de gente, estar com gente, aprender com gente, sofrer com gente amiga, participar de suas alegrias e tristezas, seus momentos de vitórias e também de suas derrotas. Tudo isso faz parte de nosso cotidiano.

E com gente aprendemos em todos os sentidos.  É só estarmos  atentos, porque com a correria e a falta de tempo, nossa tendência é não prestar muita atenção ao que as pessoas dizem ou querem nos contar.

Há poucos dias parei na lanchonete do clube para comer uma salada rapidamente, pois naquele dia eu não dispunha de muito tempo pelos compromissos que já havia assumido.

Me sentei numa mesa localizada num determinado ponto da entrada, assim tinha a vista de todo o ambiente.

Mas comecei a reparar que todos que ali chegavam se sentavam de costas uns para os outros, e não ficavam nem de frente para a vista das piscinas, que é muito bonita.

Estavam sentados de costas mesmo, como que tentando se esconder uns dos outros.  Percebi que, na verdade, não queriam nem o contato do olhar do outro.  Estavam todos de lado e de costas uns para os outros – como se olhando para um paredão.

Ai comecei a observar mais cuidadosamente.

Na mesa a meu lado, sentou-se uma mãe jovem, claro sem me olhar, e com um filhinho de uns 6 anos.  Pediu a comida para os dois.

Nesse momento, chegou outra mãe com seu filho, que tentou falar com o filho dessa mãe que já estava sentada.

A moça nem sequer se dignou a dar um sorriso para a criança, que ficou esperando o contato, e acabou desistindo.

Eu fiquei penalizada, mas não era problema meu, e me contive a minha refeição.

Mas me fez pensar.

Poucos dias antes, havia tido a experiência oposta.

Cheguei para a mesma salada, e meio apressada, dentro de um horário para um compromisso, só que quando entrei, havia apenas uma mesa disponível.

Ao me aproximar dessa mesa, uma outra senhora se dirigia a ela, ao mesmo tempo.

Nos olhamos e sorrimos, meio sem graça.

Ela falou, “se você estiver com pressa pode se sentar”.  E eu respondi, “por que não nos sentamos juntas?”

Eu me arrisquei.  Ela poderia ter dito não.  Mas o que eu perderia com isso?

Mas ela disse sim, com prazer.

Nos sentamos, conversamos, e descobrimos que conhecíamos as famílias, que tínhamos muitas afinidades, e fizemos uma amizade.  Temos tido um contato agradável desde aquele dia.

Às vezes, perdemos a oportunidade de conhecer gente interessante por timidez de nos aproximarmos e travar assim um conhecimento que pode nos proporcionar muitos momentos felizes.  Já fiz grandes amizades simplesmente porque me dei a chance de conhecê-los.

Eu gosto muito de gente e por incrível que pareça, nunca tive decepções com amigos, funcionários de casa ou de empresa, não fui traída e nunca me surpreendi diante de alguma atitude de alguém.  Tento entender o porque das situações e atitudes, seus problemas, e não me aprofundo muito em julgar as pessoas pelo simples prazer de ficar julgando.

Aceito-as como são.

Uma vez, numa roda de amigas, havia uma pessoa que eu não conhecia.  Era amiga das outras pessoas.

Saiu esse assunto e ela disse: “Eu não gosto de gente”.

Ficamos atônitas, pois creio que nenhuma de nós tinha ouvido alguém falar assim com essa franqueza desconcertante.

Surpreendidas com a revelação, o assunto se esvaziou automaticamente.  Perdemos a graça e o fio da conversa.

Dias depois, essa senhora que não gosta de gente, me procurou.  Mas ai, eu não tive muito tempo para ela pois tenho muita gente que gosta de gente no meu rol de amigos.

Bom domingo e um carinhoso abraço a toda essa gente que tanto gosto 🙂

Amanda

Otimismo e Pessimismo

“Aquele que combate será sempre mais forte do que aquele que fica fora da batalha”.

Alberto Montalvão

Outro dia encontrei uma amiga que eu não via há anos.  Fiquei muito feliz e obviamente a primeira pergunta que sempre fazemos:

Como vai?

Ela respondeu: “mais ou menos”.

Achei muito estranho, pois estava linda, bem cuidada, com um ar de prosperidade, descendo de um carrão maravilhoso, na porta de um restaurante muito bom de onde  estávamos saindo.

Evidentemente não se pode nunca imaginar o que está por trás de uma aparência bonita e bem cuidada, pois os dramas íntimos são os que nos fazem sofrer.

Mas uma pessoa com aquela aparência não pode estar em grande sofrimento.  Nem teria tempo físico ou disposição mental para se arrumar tão bem e estar – aparentemente – tão bem disposta.

Tem pessoas que nunca dizem: estou bem, estou ótima.

Acho que por mais que estejam bem física, financeira ou socialmente, nunca estão  felizes com a própria vida.

Toda vez que paro para pensar um pouco no que tenho, e não no que não tenho ou sinto falta, valorizo tudo: meus bens — tanto relativos a saúde como de ordem material, minha família, meus amigos, meus projetos, minhas idéias.  Tudo.

Claro, o que é importante para uma pessoa, para outra nada significa.

Para mim, tendo a saúde — até para lutar para o que se deseja material, profissional ou emocionalmente, já é motivo para se sentir bem, e poder dar uma resposta mais otimista para quem nos pergunta como vamos.

O pessimismo não leva a nada, e ninguém gosta de conviver com  pessoas que não valorizam coisa alguma e só pensam naquilo que não conseguiram ter durante sua vida, em qualquer aspecto dela.

Em compensação, o otimista é sempre bem-vindo em todos os ambientes, pois já chega sorridente, e tem sempre palavras de felicidade a quem se dirige.

Sempre responde com um: “Tudo ótimo”.

E com isso, ele atrai simpatias, sorrisos e bons fluidos das pessoas que com ele convivem, alem de admiração pela sua maneira otimista de encarar situações difíceis.

Ninguém vai conseguir mudar sua vida, a não ser você mesmo, com seu esforço, sua força de vontade, sua luta pelo seu objetivo no sentido de alcançar resultados que o tornem feliz e realizado.

Então se encararmos o que temos de bom, como a saúde, a instrução, disposição física e mental, o negócio é ir à luta com a convicção de que vamos vencer os obstáculos que vão surgindo.

O pessimista  perde seu tempo reclamando.  O otimista ganha tempo realizando e conquistando a boa vontade do próximo através de seu ânimo de viver e lutar.

Se você der algo ao pessimista, ele se perguntará ou perguntará a alguém o porque desse presente ou gesto.

Já o otimista sempre receberá com alegria e prazer o que você lhe oferecer, valorizando a oferta, mesmo que o objeto em questão não tenha valor financeiro.

Ele valoriza o ato de você ter se preocupado em lhe comprar algo, sabendo que tudo o que se oferece teve o empenho de quem comprou.

Custa tão pouco olhar a vida com otimismo.

O otimismo nos proporciona saúde física e mental, e com bom  humor, instantaneamente incitamos o próximo a nos tratar de maneira descontraída e mais alegre.

Nada adianta nosso pessimismo, pois não conseguimos mudar o que já estiver feito, nem acidentes da natureza, nem nossa saúde, que ás vezes não está perfeita. Podemos sim, tentar encarar com otimismo, pensar que vamos melhorar e, enquanto isso, viver com alegria.

Eu, por exemplo, sou otimista — e acho que todos os amigos vão ler e gostar deste blog 🙂

Abraços e bom domingo de muito otimismo, faça sol ou faça chuva!

Amanda