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Escolhas

“O homem que se entrega plenamente à sua profissão, se é um gênio, converter-se-á em um homem prodigioso; se não o é, sua tenacidade elevá-lo-á acima da mediania”.

Diderot

Nós passamos nossas vidas fazendo escolhas — acertando algumas vezes, errando outras – mas constantemente escolhendo nossos caminhos.

Estamos sempre decidindo o que comer, o que vestir, com quem nos relacionamos, onde vamos, se viajamos ou não, o que estudamos, que carreira seguimos, os amigos, etc.

E quando não acertamos, mudamos nossa escolha.

Quantas vezes ouvimos mães contando que seus filhos fizeram uma faculdade e descobriram que não era bem naquilo em que gostariam de trabalhar, se dedicar pelo resto de suas vidas?

Temos amigos cujos filhos estão na terceira faculdade.  Não acho, como muitos dizem, que são perdidos.  Pelo contrário, são corajosos o suficiente para continuar buscando o caminho certo, e no ínterim, estão aprendendo em cada faculdade assuntos diferentes e aumentando a cultura geral, o que vai ajudá-los sempre durante a vida.

E não há nada errado com isso.

Afinal, quem pensa, muda, já diziam os antigos filósofos.

O que não podemos é influir na escolha do próximo.  Aconselhar, se somos  solicitados podemos e devemos, pois a pessoa que nos pediu o conselho se encontra num estágio de indecisão e nos julga mais experientes no determinado assunto.  Mas influir não, e julgar a escolha do outro, por mais próximo que seja, nunca, inclusive a escolha de amigos.

Como os escolhemos?

Muitos dizem que os opostos se atraem, mas eu creio que são as afinidades que unem, de fato, as pessoas.

Acho que valores e atitudes similares tornam mais fácil a convivência no dia a dia.  E sempre preferi a convivência agradável do que a tumultuada e agressiva, cheia de discórdias, tantas vezes desnecessárias.

Mas respeito às individualidades é muito importante, e aí entra a escolha novamente.

O direito de um termina onde começa o do outro.

Uma coisa que não podemos e nem devemos fazer é influir na escolha de amigos  nossos que são amigos de pessoas cujo comportamento não apreciamos.

Não existe colocar nossos amigos em cheque e dar um ultimato tipo: “se você for amigo de fulano, eu não quero mais ser seu amigo”.

É deselegante e demonstra falta de segurança.

Tivemos há pouco tempo um exemplo próximo.

Estávamos oferecendo um jantar sentado para alguns amigos, e não tínhamos conhecimento de que dois deles não se relacionavam, apesar de terem sido amigos no passado.

Fiquei sabendo algum tempo antes do jantar e lamentei, mas ambos vieram, não se cumprimentaram, mas sem alarde.

Foram de uma classe inconteste, e apesar de não terem trocado a palavra durante toda a noite, nenhum convidado percebeu.

O jantar transcorreu num clima de alegria, porque ambos são extremamente educados, pessoas maravilhosas, e nenhum dos dois me disse, “se fulano vai, eu não irei”.

Isso demonstra respeito, educação e uma enorme inteligência social.

Temos o livre arbítrio para fazer a escolha certa, e mudar nossa atitudes e valores quando necessário para se viver melhor, conosco e com os outros.

Tenhamos coragem de escolher e arcar com as conseqüências de nossas escolhas.

“Eu acho que uma pessoa, de cada adversidade, tem uma plataforma para tentar construir seu legado ou seu caminho para o abismo.  Eu sempre procuro usar essa plataforma para criar alguma coisa”.

Maestro João Carlos Martins, amigo querido, e para mim, um herói da superação, com Ph.D em inteligência emocional e social, em entrevista nos EUA à coluna Direto de Miami.

Até as pedras se encontram

Há pouco tempo estávamos em um show num estabelecimento em Miami, nos divertindo muito, escutando um repertório excelente de MPB com Rose Max & Ramatis, um casal de músicos excelentes.

Ao nosso lado havia uma mesa de brasileiros também, que riam e conversavam bastante, numa alegria contagiosa.

Quando o show acabou, eles vieram até nossa mesa e a moça me chamou pelo nome.

Naquele momento, quase não me lembrei de quem se tratava, mas ela se identificou e foi uma explosão, contente de nos rever.

Na verdade, quando se reencontra alguém, tanto pode ser motivo de satisfação como pode se dar o contrário, dependendo de como a relação foi ou terminou no passado.

Essa moça havia sido uma colaboradora em nossa casa quando estávamos em Washington.  Ela é muito alegre e extrovertida.

Mas havíamos tido uma experiência meio desastrosa, pois num dia de festa em casa, tivemos uma surpresa.

Ela surgiu com um vestido vermelho, muito curto, e ao invés de nos ajudar, ficava dançando freneticamente.

O clima ficou pesado, mas nada dissemos, pois não nos adiantaria criar um problema  naquele ambiente festivo.

Confesso que ficamos um tanto envergonhados com seu comportamento, mas já estava feito, e acabamos dando algumas risadas, pois a alegria dela acabou nos contagiando, e levamos na brincadeira.

Não havia nada a fazer naquele momento.

Por natureza, eu não gosto de decidir nada no calor do acontecimento, pois geralmente quando fazemos isso, costumamos nos arrepender depois.

Deixamos passar  alguns dias e, com calma, dispensamos seus serviços por  chegarmos à conclusão de que não era bem a pessoa que precisávamos para aquele tipo de ajuda.

E também nem havia sido somente por causa de suas atitudes na festa, mas pela falta de responsabilidade em outras ocasiões.

Enfim, a dispensa foi macia e nunca mais a vimos até essa noite do show em Miami, onde ela nos encontrou e ficou muito feliz em nos rever.

O reencontro é inevitável neste mundo por isso devemos deixar sempre uma boa impressão.

Seja em cidades diferentes, casa de amigos, numa festa, se tivemos uma boa relação, mesmo que não tenha sido de grande amizade, ou que tenha sido uma relação empresarial, o reencontro deve ser agradável e desejado.

Sempre me lembro dessas sábias palavras que um dia escutei: “até as pedras se encontram”!

Bom domingo,

Amanda

Desculpas

Interessante como as desculpas podem ser colocadas de maneira tão especial em algum momento.

Estávamos  almoçando esses dias em um restaurante muito bom, bem freqüentado e de comida excelente.

Éramos 10 mulheres comemorando o aniversário de uma amiga muito querida.

A mesa era retangular, o que já dificulta a conversa e, com isso nossos decibéis foram  aumentando sem que nos déssemos conta, claro.

Mas considero isso muito natural quando somos um grupo maior e o clima é de descontração e amizade.

Estávamos alegres, cada uma contando suas realizações, rindo muito.

Aí entraram três pessoas – um casal e uma moça, que parecia ser a filha.

Sentaram-se numa mesa perto da nossa.

Notei que eles nos olhavam, pois estava de frente e mais próxima deles.

Incomodados com nosso barulho, mais do que óbvio, estávamos ali para conversar e nos divertir, eles já estavam inquietos.

Previ o que iria acontecer, e aconteceu.

Vi quando a moça começou a escrever um bilhete num guardanapo e esperei.

Levantaram-se, pois tinham pedido ao garçom que os trocassem de mesa.  Pediram também que nos entregasse o bilhete.  Ele se recusou.

A moça não teve dúvida.

Parou em frente a nossa mesa e entregou o bilhete a uma de nós, que nos leu o que estava escrito, dizendo que a educação manda que se coma em silêncio.

Claro ficamos surpreendidas, pois sempre tem em restaurante alguma mesa comemorando seja o que for.

Muitas vezes, se é aniversário, as mesas mais próximas até batem palmas juntos na hora do bolo.

Mas eles não.  Estavam muito irritados.

Nós escrevemos um bilhete respondendo à reclamação, por que nunca se deixa alguém sem resposta, e obviamente nos desculpamos.

Danielle, uma mulher de grande vivência social e profissional, jornalista, pessoa muito educada, foi até a mesa dos reclamantes, entregou o bilhete e disse que estávamos festejando o aniversário de uma amiga, sentíamos muito pelo incomodo que havíamos causado e queríamos pedir desculpas  pelo barulho.

Claro, eles ficaram com a cara no chão.

Na verdade, esse foi um pedido de desculpas especial, pois nós havíamos sido o lado ofendido, então foi, como se dizia  antigamente, “ um tapa de luvas”.

Recebemos a ofensa e ainda nos desculpamos.

Como disse uma querida e inteligente amiga a quem eu relatei o fato:

“A felicidade das pessoas ás vezes incomoda”.

Foi o que aconteceu naquele dia, e me fez pensar sobre o tema “desculpas”.

Quando devemos pedi-las ou aceitá-las?

Às vezes, o orgulho fala mais alto do que a razão e se perde a oportunidade de se refazer uma relação ou uma situação.

Pedir desculpas é algo sublime, pois significa humildade mediante alguma atitude que tenhamos tido em algum momento e que pensamos termos sido injustos.

Evidentemente, tem ocasiões em que fica muito difícil desculpar a atitude ofensiva de alguém, por mais predispostos que estejamos.

Mas tudo depende do nível de ofensas que foram feitas.

O ideal é analisar com isenção de ânimo cada situação, tendo em vista, sempre, evitar alguma injustiça – na ofensa ou na defesa.

Tenho uma grande amiga que me relatou um fato onde seria impossível desculpar a pessoa que o cometeu.

Algumas amigas estavam conversando num grupo alegremente, e de repente uma delas, que já era sua conhecida antiga, começou a agredi-la verbalmente, berrando, você sabe o que penso de você?  E disse ofensas incríveis.

Minha amiga, chocada, chorou e ficou sem resposta, pois no inicio, ficou até pensando tratar-se de brincadeira.

Ficou um clima tenso entre todas e, claro, a reunião acabou de maneira desastrosa do ponto de vista social e emocional.

Não há desculpa para esse tipo de atitude, pois a amiga desfiou um rosário de ofensas descabidas para o momento, que era de descontração e alegria.

E também não foi algo momentâneo.

Era algo pesado e que ela tinha como conceito arraigado contra minha amiga, apanhada de surpresa, pois nunca imaginou que a outra tivesse dela essa imagem.

Minha linha de conduta a esse respeito é a seguinte: pensar antes de dar uma resposta ou mesmo antes de expor alguma idéia – ou antes de alguma explosão.  Se não ofendemos, evitamos pedir desculpas.

Desculpem se me alonguei 🙂

Bom domingo!

Amanda


As duas faces da verdade

Costumamos julgar  pelas aparências, sejam físicas, emocionais ou profissionais.

E sabemos muito bem que isso nem sempre corresponde a realidade, sendo que toda verdade tem dois lados, dois aspectos diferentes, duas visões completamente diversas.  Cada pessoa tem sua própria personalidade e, com isso, seu próprio raciocínio.

Comecei uma vez a escrever um livro que iria se chamar:  AS DUAS FACES DA VERDADE.

Eu já havia escutado tantas vezes opiniões diferentes sobre a mesma situação,  referente ás mesmas pessoas, que isso me chamou a atenção.

Passei, então, a fazer entrevistas com as duas partes: casais, pais e filhos ou filhas, patrões e empregados, e outros tipos de pares.

Claro que eu me comprometia de nunca revelar no livro os nomes reais, pois queria transcrever as entrevistas e no final pegar a opinião de um especialista para recomendar algo naquele relacionamento.

Apesar de comprovar o que já vinha observando durante minha vivência, as surpresas foram enormes.

Uma das vezes fui entrevistar um casal e escutei primeiro a esposa, que respondeu às minhas perguntas com muita simpatia e se descrevendo como uma pessoa muito ardente, muito dedicada ao casamento, ótima mãe.

Em seguida, foi a vez do marido. Eu já tinha as perguntas prontas e tentei me fixar num roteiro previsto anteriormente.

Mas não consegui, pois ele começou a se desabafar, fora de propósito, evidentemente, pois não era meu objetivo.  Na verdade, eu só queria mostrar como as pessoas, muitas vezes, se vêem de uma forma e, quem convive com elas, as vêem de maneira diferente.

Mas ele se referiu à esposa de maneira tão diferente do que ela se via, que fiquei mesmo chocada, pois as diferenças eram enormes em todos os sentidos.

Tempos depois soube que se separaram, o que não me surpreendeu nem um pouco.

Também tive a oportunidade de entrevistar uma mãe e duas filhas, o que foi algo extremamente emocionante.

A mãe se via como uma mãe exemplar, tolerante,  alegre, dedicada, que sempre  ajudava as filhas no que precisassem.

Fui falar com as duas filhas.  Foi impressionante ver a diferença de idéias, de visão que tinham da mãe – que ela era displicente em relação a elas, intolerante e chata.

Muito bem, depois de certo tempo as entrevistas me deixavam muito tristes e acabei com o projeto.

Claro que nem todas as relações são falsas, nada disso.  Mas é bom ter em mente que nem sempre quem convive conosco nos vê como imaginamos que somos vistos.

Quem sabe deveríamos perguntar de vez em quando ao nosso próximo como ele nos vê?  E, aí, ter coragem de receber as criticas e, se acharmos justo, tentar mudar nossos conceitos humildemente.

Grande abraço e um ótimo domingo,

Amanda

Ingratidão

Eu acho a ingratidão um dos piores sentimentos que alguém pode ter.

Ela maltrata a nossa essência, pois quando somos ingratos com alguém, nos sentimos mal, sabemos que cometemos um ato horroroso, desleal.  Mas faz parte da personalidade de algumas pessoas não reconhecer o que lhe foi dado.

E isso evidentemente não se aplica somente a ajuda financeira ou material, mas psicológica – um conselho, um ombro amigo.

Conheci uma pessoa há muitos anos.  Era uma amiga que casou-se, teve dois filhos e a mãe dela, que morava em outro estado, vinha para cuidar de seus filhos, ajudar em tudo sempre que podia.

Ela tinha outros dois filhos lá e deixava tudo para vir olhar os netos dessa filha, minha conhecida.

As crianças foram crescendo e a avó já não era tão necessária na visão da filha, claro erradamente.

Então já não a convidavam para viajar junto com eles, e foram tratando de excluí-la de quase tudo.

Ela se sentia muito desprezada, e como se tornou nossa amiga querida, passei a adotá-la, ficou companheira de minha mãe, passava dias em nossa casa, e se queixava, chorando, do pouco caso que sofria da filha e do genro, e até das crianças, pois eram influenciadas pelos pais.

Muito triste, mas a história não acabou por aí.  A vida sempre dá o troco mesmo.

Anos depois, a senhora faleceu e fiquei muito triste, mas consciente de que eu tinha feito para ela em vida tudo o que podia fazer para deixá-la menos infeliz.  E eu disse para minha mãe que eu queria ouvir um dia da filha dela que havia se arrependido de sua atitude.

E, um dia, assim aconteceu em minha casa.

A filha havia estudado grande parte da doutrina espírita e ficou mais tolerante e tranqüila.  Me falou textualmente de seu arrependimento no trato com sua mãe.

Fiquei, de certa forma, feliz, e emocionada.

Muitos nascem e crescem com um forte sentido de gratidão.  Mas já fico satisfeita de ver aqueles que conseguem desenvolver esse sentimento ao longo dos anos e do próprio sofrimento.

Temos tantas formas de nos sentirmos gratos por tudo, começando pela vida que temos e, saúde, que é nosso bem maior.  Nada fazemos sem ela.

O dinheiro é relativo, pois ele, isoladamente, não nos devolve a vida, a saúde, nem a felicidade.

Ele compra, naturalmente, o conforto material, e todos trabalhamos para poder dar o merecido bem-estar à nossa família e tudo que nos rodeia.

Sou muito grata pela vida que tenho e por todos os meus funcionários, que considero colaboradores.  São a continuação de nossos membros – braços, pernas e até nosso cérebro, pois quantas vezes nos lembram de muitas coisas que no momento estamos deixando de lado.

Merecem gratidão também nossos amigos que em horas difíceis  nos acompanham e nos fazem companhia.

Eu sempre tive ótimas experiências com amigos, nunca fui ofendida por nenhum deles, e sempre tive apoio incondicional.

Sou grata a Deus cada manhã por mais um dia com que Ele me presenteia, e faço a intenção de tentar vivê-lo o melhor que minha mente consegue alcançar.

Sou grata pela minha pequena e adorável família, onde todos são saudáveis física e mentalmente.

Nunca se deve esperar a gratidão como um pagamento, mas é triste sofrer uma ingratidão

Minha gratidão eterna a todos que me querem bem!

Grande abraço e ótimo domingo,

Amanda