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Teimosia

Teimosia é uma característica que tem dois aspectos, como quase tudo.

Usamos o termo “teimosia” para diversas reações, muitas relacionadas com atitudes que, às vezes, não passam de perseverança, ou tenacidade.  E nesse caso, a teimosia se torna positiva, pois os persistentes desenvolvem o valor da luta por algo que desejam e acabam realizando.

Não deixa de ser uma força de vontade, aliada à dedicação em realizar algo, objeto de seu desejo.

Até em razão de saúde, ouvimos falar de alguém cuja teimosia desenvolvia sua força com que se agarrava à vida.

Assim, alguma vezes o que chamamos de teimosia, pode ser considerado positivo, quando se trata de persistência no sentido de realizar ou tentar realizar algo a que nos propusemos.

Cultivar a força de vontade e “teimar”, até remando contra obstáculos que nos são impostos, é uma qualidade, mas desde que não prejudiquemos ninguém e nem a nós mesmos.

Muitas vezes comparamos a insistência de algo ou alguma idéia de alguém como a “teimosia de uma mula”.  Isso normalmente é dito em tom de brincadeira, sem que  ninguém tome como uma ofensa pessoal.

A teimosia não deixa de ser uma obstinação em muitas ocasiões.  O perigo é quando a teimosia prejudica um convívio, se transformando muitas vezes até mesmo numa discussão estéril quando insistimos em discutir ou afirmar algo que, na verdade, não teria a mínima importância.

Por exemplo, uma  noite estávamos jantando agradavelmente com amigos muito queridos, com os quais adoramos estar juntos.

Numa mesa ao nosso lado estavam várias pessoas e entre elas um casal, ela pessoa de conhecimento do grande público e o marido um médico também conhecido.

Nossa amiga que estava junto nos chamou discretamente a atenção sobre a presença do casal, mais por simpatia do que por curiosidade.

Seu marido disse que não eram eles, que eram pessoas parecidas.

A discussão sobre o assunto tomou um rumo de teimosia que ela parou até de afirmar e resolveu ignorar.

Mas ele não.

Ficou até mesmo meio irritado, olhava e dizia seguidamente, de forma quase obsessiva, que não eram eles, mesmo!

Até que no final do jantar, por curiosidade, discretamente eu resolvi perguntar ao garçom que nos servia se se tratava das pessoas que estávamos pensando.  E ele afirmou que sim.

Morremos todos de rir com a situação.

Ao ver que havia se enganado, nosso amigo que insistiu durante todo o jantar que essas pessoas não eram quem imaginávamos, teve uma atitude muito elegante, como não poderia deixar de ser, visto tratar-se de pessoa vivida, educada e de bons princípios.

Pediu, humildemente, muitas desculpas à esposa por ter usado a teimosia como uma forma inadequada de impor sua opinião.

E foi tão genuíno seus pedidos de desculpas que até sugeriu que eu escrevesse a respeito, inspirando assim o blog de hoje.

Aquela noite, mais uma vez, me confirmou uma grande lição que aprendi há muitos anos.

Vamos tentar usar nossa teimosia para algo que valha a pena, para realizar, para informar de maneira positiva, sem nos estressarmos, evitando assim correr o risco  de  criar um mal estar completamente desnecessário.

E como disse semana passada, vale a pena?

Teimar para realizar, sempre!  Por pura teimosia, nunca!

Abraços e bom domingo, sem teimosia 🙂

Amanda

Vale a pena?

Essa é uma questão que temos que analisar em várias situações.

Diálogo entre amigos pode, muitas vezes, gerar polêmica ou algum mal estar quando um não concorda efetivamente com o outro, com suas idéias ou sua maneira de viver.

Estávamos justamente conversando sobre isso outro dia com algumas amigas numa reunião.

Comentei que raramente me altero, não gosto de discussão, me faz mal de verdade e sempre acho que não leva a nada.

Me recuso a alimentar polêmica ou idéias contrárias às minhas próprias.

Temos que admitir que todos tem o direito de pensar como quiserem e acho que não temos o direito de passar o tempo tentando convencer o próximo a pensar como nós.  Adoro aprender com o outro e expor minhas idéias de forma agradável.  Mas impor, jamais.

Mesmo que não concordemos, a discussão não leva a nada e só serve para criar um mal estar em quem nos escuta naquele momento.

Dentro desse raciocínio, parto do princípio de que se pensarmos bem, quase nada vale a pena uma irritação, ou uma conversa que só gera briga, seja com quem for e que grau de intimidade se tenha com o nosso interlocutor.

Ao expor essa minha opinião, o grupo concordou e todos passaram a constatar que, na verdade, pouca coisa realmente pode interessar tanto que se tenha que discutir ao ponto de romper uma relação, o que muitas vezes acontece.

Mas ainda um pouco céticos, me perguntaram como eu posso lidar com as discordâncias sem criar uma situação muitas vezes irreversível.

Não sou conformista ou tenho medo de entrar em assuntos polêmicos, mas o faço com isenção de ânimos e simplesmente não dou a importância indevida a situações que não merecem a discussão estéril.

Diante de qualquer impasse, me pergunto: Vale a pena?

Tenho certeza, por experiência própria, que na maioria das vezes, se pararmos para ponderar sobre qualquer assunto, veremos que quase nada vale a pena uma atitude da qual possamos nos arrepender depois.

Devemos, portanto, valorizar o que tem de ser valorizado, sem nos perdermos com o problema de impormos nossas idéias ou nosso ponto de vista.

Isso, normalmente, é vaidade que não leva a nenhum resultado.  Ao contrário, pode nos levar a consequências bem desastrosas, dependendo do momento e de quem nos rodeia.

Uma vez, falando sobre esse meu ponto de vista com uma amiga, ela até se emocionou e disse que se exaltava com facilidade e isso a fazia sofrer.  Admitiu que  realmente muito pouca coisa valeria a pena no sentido de evitar um mal estar a troco de nada ou quase nada.

Se alterar não ajuda na resolução de qualquer que seja o problema a se enfrentar.

De outro lado, se conseguimos manter uma certa frieza no raciocínio, a resolução poderá aparecer de forma mais clara.

A pergunta chave é: Vale a pena?

Abraços e bom domingo,

Amanda

Decepção

Quantas vezes ouvimos alguém dizer que se decepcionou com a atitude de outras pessoas ou com o desenvolvimento de algo que esperava e que não se concretizou?

A decepção está associada à tristeza e frustração, porém a intensidade do desapontamento normalmente é proporcional ao tempo, ao valor que damos ao que esperamos e à magnitude de nossa expectativa.

Sim, porque tudo o que planejamos vem carregado de esperança no sentido de bons resultados para o sucesso de qualquer realização.

E além de idealizarmos resultados que esperamos e desejamos, promovemos expectativas que, se não chegam, nos frustra e nos faz infelizes.

Nos decepcionamos quando alguém a quem amamos, seja em que âmbito for, age de maneira que não esperávamos e nos leva ao que chamamos de desilusão.

E isso não se reflete somente na área amorosa, mas também nas amizades, cuja sinceridade é imprescindível para nossa segurança emocional.

Sob outro aspecto, se nos decepcionamos com alguém a quem queremos bem e não tenha agido da forma que estaríamos esperando, o ideal seria tentar entender o que teria levado essa pessoa a agir de forma inesperada.

Muitas vezes podemos ser vítimas de algum mau comentário por parte de outra pessoa, e um bom diálogo poderia esclarecer uma situação de risco para uma inimizade indesejada.

Igualmente nos negócios, planejamos e, muitas vezes, conseguimos efetivar até certo ponto, dentro de nossa capacidade de realização, mas corremos o risco de nos decepcionarmos se não atingimos  o nosso objetivo.

Temos que estar preparados psicologicamente para que uma possível decepção sofrida não interrompa o curso da criação de algum projeto que, apesar de parecer fracassado, pode  ser passível de modificações que o tornem um sucesso.

Perder a esperança, jamais!

Ir  à luta é a palavra de ordem, pois nada conseguimos sem nos  arriscarmos, evidentemente dentro de uma medida de segurança e equilíbrio que devemos nos impor sempre.

E temos que ter em mente que uma decepção também pode ser algo que nos impulsione e nos ensine, no sentido de executarmos melhor numa próxima tentativa.

Depende de nós podermos desenvolver nossa capacidade de análise de determinada situação e encarar um possível fracasso como um incentivo para  vencermos o imprevisto.

Uma atitude de prevenção e estudo pormenorizado em tudo o que planejamos seria o ideal para diminuirmos a possibilidade de uma decepção maior e que poderia causar transtornos, muitas vezes irremediáveis.

Estudar muito bem possibilidades de sucesso em todas as áreas da atividade humana pode ser uma das soluções para tentarmos evitar ou diminuir frustrações, e por conseguinte, decepções que poderiam nos levar ao desânimo e continuidade de luta.

O esforço no sentido de não nos desanimarmos pode frequentemente ser  recompensado, pois lutamos quando temos o estímulo interior e afrontamos o fracasso com a garra necessária para atingirmos o sucesso.

Antes de nos decepcionarmos definitivamente, devemos tentar uma solução madura e sem ressentimentos prévios.

Espero que meus blogs não os decepcionem, pois isso me incentiva a continuar 🙂

Abraços e bom domingo,

Amanda

Rótulos

Um rótulo é normalmente uma referência definitiva, pois contém informações sobre algo que precisamos saber para não nos enganarmos a respeito daquilo que ele descreve.

Se é um medicamento, seu rótulo contém a fórmula com o princípio ativo e indicações completas sobre seu uso, posologia, etc.

Esses são regulamentados por órgãos especializados e responsáveis pela autenticidade que determina seus efeitos.

As informações são sempre corretas, claras e precisas para se evitar efeitos indesejáveis.

Os alimentos, igualmente, possuem rótulos que determinam suas características, validade e composição.

Mas existem outras formas de rótulos que temos que evitar.

Tendemos, por exemplo, a  rotular pessoas e objetos, com adjetivos tanto elogiosos quanto depreciativos.

Devemos prestar atenção quando nos referimos a alguém com uma característica que se destaca naquele momento.

Uma coisa é SER.  Outra é ESTAR.

São situações completamente diferentes e saber distingui-las é nossa obrigação no meio em que estivermos vivendo.

Por exemplo, uma pessoa que apresenta um quadro de irritação ou nervosismo passageiro não pode ser classificada de agitada ou nervosa.  Pode não se tratar de um nervosismo permanente, e sim de uma situação passageira e inusitada, muitas vezes provocada por algo ou por alguém.

Importante é sabermos reconhecer se até mesmo nós não tenhamos provocado uma reação no outro, e nesse caso sempre tendemos a colocar a culpa na sua reação e não na nossa ação.

Não sabemos se uma ofensa pode ter provocado uma reação inesperada para que essa pessoa tenha reagido de forma não habitual.

Não devemos julgar, ou melhor, rotular.

O rótulo é perigoso.  Corremos sempre o risco de injustiçar gravemente alguém, até prejudicando-o social, comercial ou financeiramente.

E, muitas vezes, perdemos a chance de uma amizade que poderia ter sido muito proveitosa.

O mesmo com apelidos.  Apelidar alguém também pode ser uma forma de juízo precipitado e de rótulo leviano.

Saber lidar com as pessoas e com certas características que não sejam totalmente de nosso agrado é uma arte que temos que nos esforçar para desenvolver, pois só assim conseguiremos superar e sentir a tênue diferença entre o ser e o estar.

Essa é uma chance que a convivência nos dá e que pode nos trazer surpresas agradáveis ao constatarmos que conseguimos distinguir entre uma situação que podemos contornar e uma definitiva que temos que eliminar.

Importante é não nos deixarmos levar pelo preconceito, pela insegurança, medo  do desconhecido ou por simples imaturidade.

Pensemos bem antes de rotularmos algo ou alguém que ainda não conhecemos totalmente.

Abraços e bom domingo,

Amanda

Lei da Compensação

Como encarar uma situação, onde achamos que fomos injustiçados ou não fomos atendidos?

Sem ser conformista, creio que as forças divinas, muitas vezes, interferem sem que possamos compreender.

Outro dia estávamos, minha filha e eu, no trânsito e um enorme temporal caiu de repente com uma força incomum, relâmpagos e trovões realmente assustadores, e um perigo iminente do trânsito virar um verdadeiro caos, pelos alagamentos previstos.

Havia também a possibilidade de falta de freios nos carros, os faróis estavam com problemas e, mesmo assim, alguns motoristas corriam mais do que deveriam em função do mau tempo.

Só que para completar, por acaso, pegamos todos os faróis fechados.

Minha filha, então, fez um comentário em tom de brincadeira: “Deus não está do nosso lado hoje”.

E eu lhe disse: “Quem sabe Ele está nos segurando nos faróis para nos evitar um problema maior, uma batida mais à frente ou algo assim?”

Ela concordou e seguimos nosso trajeto para casa, graças a Deus sem maiores problemas.

Tudo é questão de enfoque.

Às vezes, achamos que alguma coisa não se passou como gostaríamos, mas na verdade, não sabemos se a lei da compensação funcionou e saímos ganhando com algo que pensávamos estar perdendo.

Uma amiga estava me contando a esse respeito uma passagem de sua vida bem interessante.

Se casou jovem, e teve uma filha que faleceu de acidente aos 3 anos de idade.  O marido não correspondeu ao que ela esperava, criando uma situação de abandono e de desgosto.

Sua vida era de muito sofrimento.  Eles se separaram e anos mais tarde, já morando nos Estados Unidos, ela conheceu um rapaz com quem se identificou, e se apaixonaram.

Sem se abater pela experiência anterior, ela superou o trauma, e não se deixou influenciar pelos acontecimentos do passado.

Hoje, ela acredita ter recebido a “compensação” de um grande amor e diz que se não tivesse passado pela primeira má vivência, talvez não tivesse valorizado a próxima relação.

Soube reconhecer que a vida a recompensou de certa forma, até com uma felicidade que não ousava sequer sonhar que um dia poderia vir a ter.

Ela se permitiu viver uma nova experiência, baseada no amor.

E assim, temos que tentar reconhecer quando somos recompensados, mesmo quando aparece um farol vermelho no nosso caminho.

Acreditemos ou não, sempre aprendi e comprovei por experiência, que Deus, muitas vezes, escreve certo por linhas tortas.

Vamos ser agradecidos pelas compensações em nossas vidas.  Elas chegam diariamente de formas diferentes.  Basta sabermos enxergá-las.

Abraços e bom domingo 🙂

Amanda