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Liberdade

Saber usar a liberdade é uma arte que temos que aprender e aperfeiçoar durante nossa vida.

Uma variação da bandeira da Inconfidência Mineira tem a inscrição maravilhosa: “Libertas quae será tamen”, que quer dizer “Liberdade ainda que tardia”.

Usar a liberdade não é fácil, pois quando a temos, muitas vezes, não conseguimos enxergá-la, valorizá-la e utilizá-la no sentido maior da palavra, e sem seu uso adequado, podemos torná-la algo difícil de ser compreendido ou mesmo dominado.

Tomemos como exemplo nossa ânsia de liberdade quando somos jovens, quando começamos a vislumbrar os prazeres que a vida pode nos oferecer, e que achamos que a liberdade poderia nos trazer, como sair e voltar na hora que desejaríamos e que não podemos, pois nossos pais, dentro de suas responsabilidades, nos cerceiam a liberdade almejada.

Desejaríamos também não termos tantas responsabilidades de estudar, tantas provas para fazer e tantas obrigações que tornam nosso tempo tão curto e, ao nosso ver, nos deixam, aparentemente, sem o tempo que gostaríamos de ter com os amiguinhos.

Mas nos esquecemos de que quanto mais temos a chamada liberdade, mais responsabilidade trazemos para nós mesmos, pois seu mau uso pode nos acarretar consequências inesperadas e, às vezes, difíceis de serem acertadas.

Lutamos para ter a chamada liberdade, e depois, muitas vezes, não sabemos o que fazer com ela.

Minha filha tem um cão ainda jovem, e rimos muito um dia, pois ele fica bastante ansioso para ser solto de seu recanto.  Mas quando o soltamos, ele realmente não sabe o que fazer com a liberdade.  Não acha muita graça e acaba se deitando, quietinho, junto de nós.

Claro que, em tese, o cidadão tem o poder de exercer sua vontade dentro dos limites da lei, naturalmente.

Mas, na verdade, nossa liberdade nos impõe vários limites: o da lei, o da decência, o da honestidade, o da lealdade, do cumprimento dos deveres.

É muito importante tomarmos conhecimento exato de nossa liberdade, pois ela termina exatamente quando começa a liberdade alheia.

Benjamin Franklin já citou: “Onde mora a liberdade, ali está a minha pátria”.

Importantíssimas palavras, pois temos que reconhecer que a falta de liberdade deve ser terrivelmente deprimente e triste, pois nos priva do convívio e nos condena, muitas vezes, à solidão.

Então, mesmo que em algumas ocasiões nos seja oferecida a liberdade de ação, nosso raciocínio nos apontará sempre à direção mais apropriada a seguir.

Temos um exemplo interessante em nossa equipe de funcionários.

Uma delas  teve uma fratura de tornozelo gravíssima, e o médico  que a atendeu, lhe deu a possibilidade de faltar ao trabalho por três meses, pois teria que usar cadeira de rodas, impossibilitada que estava de pisar.

Por sua própria decisão, ela não usou a liberdade de poder descansar, não faltou um dia sequer, veio trabalhar e usava a cadeira de rodas para se locomover.

Seu trabalho não dependia de muita caminhada, mas sua boa vontade foi de grande valia, pois não interrompeu o andamento de suas atribuições.

A responsabilidade e a grande  amizade que sente por nós impossibilitou-a de usar a liberdade que lhe foi oferecida.

Somos eternamente gratos e reconhecidos por essa atitude.

Usemos nossa liberdade com critério e responsabilidade, assim seremos sempre  livres!

Abraços e bom domingo 🙂

Amanda

Falhas/esquecimento

Não vou falar aqui hoje de falha de caráter ou algo desse tipo e sim de pequenas falhas que todos cometemos e pelas quais podemos sofrer críticas por parte de quem nos rodeia e nos solicita.

É perfeitamente normal nos esquecermos de algum fato ou número sem grande interesse para quem está tratando de determinado assunto.

Na maioria das vezes, nem é de tanta urgência e tão importante, e a falta da lembrança toma uma dimensão fora de qualquer controle.

A cobrança se torna algo maior do que a própria informação.

Quando falhamos, não quer dizer que não demos a devida importância a algum fato relevante e importante ao próximo, e sim, que por qualquer motivo, falhamos.

Cabe a quem deveria ser informado, compreender e tolerar, pois nada vai alterar o que já se passou.

Tentar corrigir a falha da informação é o melhor caminho, pois evita até a humilhação que se impõe ao se cobrar algo que não tem retorno.

Se fala mesmo que o esquecimento é um dos males do século e que não está necessariamente ligado à alguma doença cerebral e sim que pode ser algo até mesmo momentâneo, consequência de ansiedade, muito comum nos dias de hoje.  Muitas vezes, se trata simplesmente de uma memória super carregada, que, como num computador, tem seu limite alcançado e necessita ser esvaziada ou descarregada, de vez em quando.

Eu sempre tive uma tolerância enorme e uma complacência com falhas e/ou esquecimentos, e, pessoalmente, não costumo cobrar algum esquecimento por parte de quem convive comigo, pois compreendo que o constrangimento de quem se esquece de algo  já é tão grande que a minha cobrança só o tornaria  maior e não resolveria nada.

Me lembro que minha mãe, já mais idosa, tinha, como é de se esperar, falhas de memória e me perguntava a mesma coisa algumas vezes seguidas.

Às vezes, enquanto me arrumava para sair, ela fazia a mesma pergunta:

“Onde você vai, minha filha?  Está tão bonita!”

E eu respondia com o mesmo carinho a mesma resposta e saia feliz por vê-la feliz também.

Não me custava nada.

Mau humor não me pega, e muito menos a cobrança por algo que realmente foi esquecido.  Cobrar não resolve, pois quem se esquece já esqueceu e pronto!

A falha pode ser um engano, um equívoco, um insucesso, um erro, uma imperfeição.

Claro que nenhum de nós gosta de falhar.

Temos uma tendência à perfeição, mas temos também que ter em mente que a perfeição não existe e que a tolerância com as falhas alheias sempre nos ajudará no convívio pacífico com quem quer que seja.

Todos nós temos responsabilidades em vários ramos da atividade humana, inclusive as crianças, que já têm obrigações, as quais anos atrás eram restritas aos adultos.

É necessário termos compreensão e tolerância com falhas e esquecimentos de nossos amigos e parentes queridos, para mantermos uma convivência alegre, e que, seguramente, faz muito bem à nossa alma e ao nosso coração.

Abraços e bom domingo 🙂

Amanda

O Energismo

Praticamente desde os 5 anos de idade, quando fui alfabetizada pelo meu pai,

ouço falar da palavra “Energismo”.

Não entendia claramente seu significado, visto que na infância não poderíamos ter a compreensão exata do sentido e da importância dessa filosofia que ele havia criado naquela época.

Mas quando fui crescendo, ele explicava a mim e ao meu irmão que o Energismo defendia a força do pensamento, o desejo de realizarmos nossos sonhos e a positividade em relação ao que planejaríamos executar.

O Energismo, segundo meu pai Alberto Montalvão, é uma doutrina que reconhece a vontade como principal faculdade criadora no Homem e sustenta que todo ser humano, ao nascer, trás, no íntimo de si mesmo, um enorme caudal de forças vivas, das quais não aproveita no decorrer da existência mais que uma parte mínima.

O objetivo principal da filosofia Energista consiste em despertar no ser humano essas energias latentes.

Ele havia estudado Direito também, mas seu maior empenho era mesmo na divulgação dessa filosofia que lhe ocupava todos os pensamentos e toda sua ação.

Como era psicólogo, analisava detidamente o comportamento das pessoas que o procuravam e, nesse caminho, conseguiu ajudar muito a se encontrarem no decorrer de suas vidas.

Escreveu vários livros relacionados com o Energismo, e dava aulas também focando a força da vontade nas relações humanas e relações públicas.

Tenho suas coleções referentes a esse assunto e me orgulho de, algumas vezes, poder folheá-las e beber um pouco de sua sabedoria.

Hoje, eu homenageio sua inteligência, pois com meu blog semanal, alguns de seus ex- alunos e seguidores me procuram para reverenciar sua memória.

O seu gosto e dedicação à cultura fez com que me ajudasse cada vez mais a valorizar o fato de que a vida é um constante aprendizado e não podemos nunca parar de buscar e adquirir conhecimentos, seja em que área for.

“Valemos o que sabemos”, era, por assim dizer, o lema de meu pai.

E nesse aspecto devo muito a ele e procuro seguir sua filosofia de vida.

Sua dedicação ao estudo do ser humano e ao Energismo, assim como sua força de vontade, foi algo que ele conseguiu passar aos seus discípulos sempre que tinha a oportunidade de ser ouvido.  E eu, mesmo que inconscientemente quando pequena, fui me tornando um deles e hoje uso desse aprendizado como base da minha inteligência emocional e social.

Reproduzo aqui algumas de suas palavras, escritas na orelha de um de seus livros, “CONSCIÊNCIA DE FORÇA”, publicado em 1951:

“O homem deve ser esclarecido de que, nas profundezas do seu EU, dormem inumeráveis energias que ele pode empregar para a conquista daquilo que mais ambiciona; que todo indivíduo é tanto mais forte quanto maior for a confiança que tiver em si mesmo; deve ter a convicção plena de que possui uma grande soma de energias ocultas que, uma vez descobertas, o auxiliarão em seus empreendimentos.

De posse desse esclarecimento, afrontará a luta com a convicção de sair dele vitorioso: terá energia e vencerá.

Essa teoria, que denominamos ENERGISMO, deveria ser a base da educação moral moderna, mesmo com o risco de criar nos homens essa tendência que se chama de “presunção” que, a nosso ver, é também uma força  onde quer que se manifeste, desde que não seja uma tola ostentação de qualidades incompatíveis com o indivíduo.

Ter plena convicção de triunfar pode ser qualificado como presunção, mas é precisamente essa convicção que dá ao indivíduo o primeiro impulso e que ao primeiro sucesso, se transforma numa fé inabalável no seu próprio poder. 

Só desenvolvendo a fé nas suas próprias forças é que o homem pode desenvolver as energias”.  Alberto Montalvão.

Abraços e um ótimo domingo, repleto de boas energias 🙂

Amanda

Ação e Reação

Um princípio da física fala exatamente que a toda ação corresponde uma reação.

E isso é uma grande verdade, que não se restringe somente à física.

Falo aqui de nossa vida prática, do ponto de vista de sensibilidade em relação ao nosso próximo.

Pensar antes de agir pode ser um dos grandes trunfos para evitarmos reações com as quais não contávamos, e que podem, portanto, nos surpreender desagradavelmente.

Importantíssimo na nossa maneira de agir é a sinceridade que temos que colocar em tudo o que fazemos ou dizemos, na nossa atitude com as pessoas e com o ambiente que nos cerca.  Devemos agir de forma que leve a uma reação positiva da parte do outro.

Tivemos uma experiência a respeito desse assunto com uma funcionária que nos ajudava semanalmente.

Sentimos que ela não poderia continuar nesse trabalho, por diversas circunstâncias que se apresentaram em sua vida, inclusive mudança de endereço, que dificultaria sua locomoção pela distância e, assim, sua performance dentro de nossas necessidades.  Não daria certo para ambas as partes.

Fomos sinceros uns com os outros e começamos a buscar uma pessoa para substituí-la.

Um amigo, querendo nos ajudar, telefonou para uma conhecida sua dizendo que uma família estava precisando de uma funcionária uma vez por semana, caso ela tivesse interesse pois sabia de suas necessidades.

Como combinamos dela continuar enquanto os dois lados buscavam uma alternativa, assim que chegou para trabalhar, brincou que soube que estaria se substituindo.

Demoramos um pouco para entender a brincadeira.

Mas não é que esse nosso amigo ligou justamente para essa moça para saber se não gostaria de pegar o trabalho — que já era seu? Ele achou que seria perfeito para ela.

Morremos todos de rir.

Afinal, ele recomendaria exatamente a pessoa com a qual havíamos acertado sua saída.

Agora, imaginemos que tivéssemos agido de má fé e começado a procurar alguém pelas suas costas, de modo que ela própria soubesse por terceiros que iríamos substituí-la?

Seria, no mínimo, deselegante de nossa parte, constrangedor para todos nós e poderia gerar uma reação muito desagradável.

Devemos, portanto, tentar evitar todo e qualquer evento que possa desencadear as consequências para atos impensados.

Toda ação realmente provoca uma reação, e se agirmos correta e honestamente com as pessoas, as reações, normalmente são positivas, mesmo que, às vezes, nem sempre são as que gostaríamos.

E, por outro lado, nossas reações também podem gerar ações positivas no futuro.

Tive um funcionário, muito bom na sua função, mas que descobri numa certa ocasião, que não estava agindo corretamente e mentia em algumas situações, por diversos motivos.

Resolvi, ao invés de despedi-lo sem explicações, conversar com ele e saber do motivo daquela atitude.

Explicou-me que passava por alguma dificuldade, e ofereci minha ajuda, conversamos bastante e resolvi dar-lhe a oportunidade que ele pediu.

Ele nunca esperava essa reação de minha parte, foi surpreendente e deu bons resultados.

Nunca mais tive problemas com esse funcionário, e ele nunca mais cometeu alguma falha de comportamento.

Portanto, estou certa de que em alguns casos, a reação não precisa, necessariamente ser mal colocada, e sim compreensiva, mesmo que a ação tenha nos surpreendido e até nos decepcionado.

Vamos tentar sempre agir com compreensão e transparência.  As reações podem surpreender!

Abraços e bom domingo, repleto de boas ações  🙂

Amanda

Adaptação

O que chamamos de adaptação, para mim, nada mais é do que tentarmos encontrar a felicidade e o bem estar onde estivermos.

Pode ser considerada uma característica que faz com que um organismo se torne capaz de sobreviver e até se reproduzir em seu respectivo habitat.

No reino animal, as adaptações ocorrem com o próprio comportamento desses seres vivos em relação à natureza. Eles agem no sentido de se defenderem contra o frio, a seca e outros fenômenos naturais, ou para sua própria proteção contra os predadores, contra a mudança de clima, etc.

Tem animais que chegam a se camuflar no sentido de sua preservação, tal a importância da adaptação em seu próprio benefício.  Alguns chegam a tomar as cores  de onde se encontram dificultando assim sua identificação.

Mas, hoje, falo aqui das adaptações do comportamento social humano.

Na nossa vida diária, acontecem mudanças às quais devemos procurar nos adaptar, para não nos sentirmos infelizes.

Mudamos de idade, de anseios referentes à idade, mudamos de profissão, de estado civil, de condições físicas, financeiras, sociais, e vamos nos acomodando de acordo com as novas situações.

Ou nos adaptamos ou sofremos….

Se começamos a procurar as mesmas características, por exemplo, de uma cidade ou de um pais quando estivermos em outro, poderemos correr o risco da eterna comparação que não leva a lugar algum.

Adaptar-se, no entanto, não significa anular nossas opiniões, nem conformar-se com o que se apresenta diante de nós, e sim conseguirmos encontrar encanto e ver o lado positivo onde estivermos em cada etapa de nossas vidas.

Sempre terá o que nos agrade, em algum setor da atividade humana, seja profissional, social, financeiro ou cultural.

Por isso, acho que um sinônimo da definição da palavra “adaptação” é acomodação. Mas não no sentido de comodismo, e sim de desenvolvermos uma certa harmonia com o ambiente, como fazem os animais.  Assim, nos ajustamos para convivência e sobrevivência em cada determinada situação que a vida nos apresenta.

Nossa inteligência social requer um ajuste constante, ou seja, para atingirmos uma sobrevivência agradável no meio em que vivemos, precisamos estar constantemente nos adaptando às nossas novas condições e mudanças de vida.

E assim, vamos desenvolvendo também um radar para a “frequência” da adaptação do próximo ao nosso redor e aprendemos a reconhecer rapidamente se há ou não a sintonia necessária para uma nova amizade, relacionamentos amorosos e até um novo trabalho ou funcionário.

Sabemos logo quando alguém a quem proporcionamos um trabalho irá se adaptar ou não ao ambiente proposto.  E vice-versa, se vamos ou não nos adaptar a um novo chefe ou uma nova direção numa empresa.  Ou até numa roda social.

Uns chegam e ficam mais à vontade, conversando, se apresentando aos demais, tentando se comunicar positivamente.

Outros, no entanto, chegam mais tímidos e, sem se comunicar devidamente, criam para si mesmos uma situação de rejeição até involuntária, mas natural da parte de quem já está no ambiente.

Por isso, creio que todos nós, para conseguirmos viver dentro de um ambiente saudável e de respeito conosco e com o próximo, devemos nos adaptar, todos os dias, às mudanças que nos são apresentadas – e agir de acordo com cada momento e condições presentes.

Recebi uma vez um email com os seguintes dizeres:

“Perguntaram a Buda: O que mais te surpreende na humanidade?

E ele respondeu: os Homens.

Porque perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem o dinheiro para recuperarem a saúde.  E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de tal forma que acabam por não viver nem o presente nem o futuro, e vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido!”

Adaptarmos ao momento e ao ambiente em que nos encontramos é condição primordial para nossa felicidade e bem estar.

Abraços e bom domingo,

Amanda