Arquivo diário: julho 22, 2012

Orgulho

Orgulho é uma palavra que tem várias interpretações.  Pode expressar um sentimento positivo, como também pontos negativos, quando se trata de discriminação.

Tivemos na nossa família um exemplo muito feio referente a orgulho.

Minha bisavó paterna, chamada Amanda, foi uma pessoa de muitas posses, tendo sido proprietária de fazendas, e naquela época contava com escravos a seu serviço.

Seu orgulho era desmedido.  Ela se sentia enojada quando era o dia do “Beija Mão”, e se “desinfetava” do contato físico com seus escravos.

Mas no fim de sua vida, arrependeu-se de suas maldades.  Pediu que quando morresse fosse carregada por cinco de seus escravos e enterrada na porta principal do cemitério para que todos  a pisassem.

Essa é uma história famosa na família de meu pai, e se contava também que meu avô paterno, filho dessa senhora, adolescente na época de sua morte, nunca mais entrou no cemitério pela frente para não pisar sobre o corpo da mãe.  Ele pulava o muro lateral.

Meu avô ficou adulto, casou-se e teve  seus filhos, entre eles meu pai.

Como fui a primeira neta, meu avô, que era homem muito bom, pediu aos meus pais que  me dessem o nome de sua mãe.  A principio, minha mãe ficou apreensiva, com receio de que o nome pudesse exercer má influência sobre mim.  Ele não tinha podido dar o nome de sua mãe a nenhuma de suas filhas. Minha avó não aceitava.

Mas meus pais acabaram cedendo por amor a ele.

E minha educação, em função desse fato, foi dirigida para que eu crescesse sem o mínimo orgulho e aprendesse a nunca maltratar os menos afortunados pelo destino.

Nunca me dei mal por isso.

No entanto, as irmãs de meu pai cresceram cultivando um tremendo orgulho, e  mesmo com a família em grandes dificuldades financeiras, se recusavam a trabalhar. Passaram toda a sua vida lutando contra a maré, tentando sobrenadar, sem grandes resultados.

Já a família de minha mãe, que não dispunha de grandes recursos, se dedicou ao trabalho, conquistou o sucesso financeiro para uma vida estável, dando instrução aos filhos que chegaram, mudando assim o rumo de suas vidas, numa atitude digna de outro tipo de orgulho.

O orgulho “bom” vem do sentimento de realização de alguém que nos é querido, pelos seus resultados, seus feitos numa batalha, as boas notas de nossos filhos na escola ou na sua profissão já na idade adulta.

Nos orgulhamos de um amigo ou de um familiar que conquistou o sucesso naquilo que se propôs fazer, que recebeu um prêmio regional ou mundial, que foi reconhecido por uma pesquisa importante para o mundo, e outras situações cuja característica é sempre de reconhecimento de capacidade, seja em que área for.

Um filho agradecido e competente é mesmo algo de que temos que nos orgulhar.

Uma amiga querida se emocionou muito com a frase de seu  jovem e eficiente filho que está vencendo na vida: “Mãe, estou dando meu sangue no trabalho pois você e meu pai trabalharam e trabalham muito para nos dar um futuro bom, e por isso quero dar o meu melhor em agradecimento a vocês”.

Isso é motivo de muito orgulho, do bom, o único que deveríamos ter.

Já pessoas orgulhosas, no mau sentido, como foi minha bisavó, que fazem pouco de quem sabe menos, de quem tem menos ou de quem realiza  menos, são fracas e, na maioria, inseguras.

Precisamos reconhecer que os que não conseguiram sucesso em qualquer setor da atividade humana,  muitas vezes não tiveram como reverter essa situação, pois talvez não tenham sido aquinhoados com o mesmo teor intelectual ou a mesma oportunidade e os recursos de outros.  Temos que compreender e não vitimá-los ainda mais.

Conheço pessoas que, por infortúnio que pode acontecer a qualquer um de nós, perderam sua independência financeira, se dedicaram a trabalhar sem nenhum complexo, trauma ou drama, sem orgulho ou soberba.  Assim, se reinventaram, obtendo novamente o sucesso merecido através da perseverança.

Isso é razão de orgulho, do bom.

Infelizmente, nesse caso, alguns amigos orgulhosos se distanciaram deles, o que não foi grande perda, pois ganharam novos amigos que demonstraram solidariedade e uma amizade sincera e não se preocupavam em avaliar somente a sua conta bancária.

Com muito orgulho, deixo aqui meus cumprimentos aos lutadores e sobreviventes a situações  difíceis.

Um grande abraço e bom domingo,

Amanda