Arquivo diário: julho 8, 2012

As aparências enganam

Todos temos tendência a julgar pessoas pelas aparências, o meio mais fácil e cômodo, dá menos trabalho, nos empenha poucos neurônios, pouco raciocínio.

Quando olhamos alguém, o primeiro comentário é sempre baseado nas aparências, se a pessoa é bonita, se está bem vestida, se é simpática ou antipática.

Quando na verdade, deveríamos nos preocupar, mais e em primeiro lugar, com seu conteúdo, que logo nos primeiros momentos não pode ser avaliado.

Podemos ver se a conversa está sendo boa, se temos pontos de vista que combinam, se a cultura da pessoa nos esclarece algo, se temos os mesmos pontos de vista em relação à vida, aos acontecimentos.

Às vezes nos deparamos com uma pessoa aparentemente sisuda, mas se tivermos a oportunidade de conversar, essa impressão pode mudar completamente.

E o contrário também pode acontecer.  Alguém aparentemente muito sorridente, à primeira vista, pode se revelar completamente sem graça ao nos aprofundarmos.

Sempre procuro ter a boa vontade de tentar reverter a primeira impressão ruim, mas também dependemos da boa vontade da outra pessoa em nos deixar conhecê-la melhor.

Eu tive um professor na faculdade cuja fama era de pessoa muito rude para com todos os alunos, e mesmo seus poucos amigos comentavam de suas supostas grosserias.

Como ele era também diretor de uma grande multinacional onde trabalhei depois de formada, fui justamente indicada, inicialmente, para fazer um estágio em seu departamento.

Era uma pessoa muito importante, com grande mérito, grande cientista, autor de livros que eram os indicados para os alunos da faculdade e ele tinha consciência de sua capacidade.

O que tentei fazer foi trabalhar com afinco, valorizando sua sabedoria e acatando suas ordens, o que facilitou em muito meu aprendizado.

Ele nunca foi estúpido comigo, como era com muitos, mas me travava com a distância esperada.

Até que, coincidentemente, ele começou a namorar uma grande amiga minha, o que colaborou para que nos aproximássemos mais.

Com isso, ele me conheceu melhor e passou a me tratar com o mesmo respeito mas com mais carinho, demonstrando ser um homem de enorme sentido de humanidade.

Tive, então, a chance de descobrir nele uma pessoa simpática e de bons sentimentos, escondidos debaixo de uma casca aparentemente dura e difícil no trato.

Esse caso me ensinou a pensar antes de julgar alguém pela aparência.

Muitas vezes, a suposta agressividade é uma defesa de pessoa tímida, que ficando sem saber como agir, se protege, tomando atitudes agressivas.

Tento sempre ver através dessas atitudes aparentes e avaliar com cautela a essência da pessoa, antes de julgá-la.

O mesmo ocorre em relação a lugares que gostaríamos de freqüentar.

Entramos em locais lindos, bem decorados, e esperamos encontrar ali a perfeição no serviço que fomos buscar, seja restaurante, teatro, qualquer tipo de
estabelecimento.

Chegamos com uma tremenda expectativa e nos decepcionamos muitas vezes, pois o que buscávamos nada tem a ver com o que esperávamos, exatamente porque fomos influenciados pelas aparências.

Já em lugares mais simples, de repente, encontramos uma comida maravilhosa, bem feita, e apesar da aparência, nos deliciamos e saímos dali com aquela sensação de satisfação e vontade de voltar.

Tenho sempre cuidado com as aparências.

Elas não só enganam mas podem nos impedir de desfrutar de ótimas amizades.

Um abraço e ótimo domingo,

Amanda