Arquivo do autor:amandadelboni

Reclamar

O ato de reclamar torna-se quase um vício, em se tratando de certas pessoas.

Nada serve, nada foi feito de acordo com o que desejariam, ninguém fez o suficiente, e assim por diante.

As pessoas com essas características, e já conheci algumas delas, passam a vida reclamando de tudo e de todos, de seus funcionários, dos funcionários de lojas que as atendem, dos chefes, dos amigos, da família, enfim, ninguém as satisfaz.

E, claro, vivem infelizes, pois, muitas vezes, nem tudo sai exatamente de acordo com o que desejaríamos, ou que tínhamos em mente.

Mas será que, tendo um pouco de tolerância e/ou paciência, não poderíamos instruir com mais eficiência a quem nos serve de algum modo?

Será que, realmente, explicamos o que gostaríamos que fosse feito e a maneira como estaríamos imaginando?

Será que consideramos todas as variáveis que tal situação poderia nos favorecer a chegarmos a resultados planejados?

Pensemos antes de fazermos reclamações, pois, muitas vezes, nós mesmos fomos os responsáveis pelos efeitos indesejados, quer por falta de planejamento de nossa parte, quer por não termos exposto de maneira mais compreensível o que imaginamos.

Muitas vezes achamos que explicamos de maneira indiscutível algo a alguém, mas temos que considerar se o nível tanto intelectual, quanto a experiência da pessoa que recebeu a ordem, se coadunam com nossa explicação.

E também sempre conhecemos alguém que, mesmo que lhe façam tudo perfeito, encontrará algo a reclamar.

Tudo isso tem muito a ver com a tolerância.

Digo tolerância pois vemos, por exemplo, que uma pessoa que tem a responsabilidade de arrumar sua casa, faz de tudo para que esteja impecável.

Ai, ela se esquece de um pequeno detalhe, e você assume uma atitude de crítica, ao invés de reconhecer tudo o que foi realizado na arrumação, no atendimento de outros aspectos da casa, etc.

Por que cobrar, ainda mais de maneira irritada, como sabemos que existe, e não você mesma fazer?

Ou deixar passar, reconhecendo simplesmente o que foi feito e não o que não foi ?

A própria pessoa que executa um trabalho para você, se sentirá, cada vez mais, responsável, e, creia, tentará fazer sempre mais para que você se sinta feliz.

Normalmente são detalhes tão pequenos que nós mesmos poderemos complementar, sem reclamar.  Claro, dentro de uma lógica de comportamento que incentive a eficiência naquele trabalho.

Outro dia uma pessoa responsável por certas funções em minha casa esqueceu-se de um pequeno detalhe na arrumação, e eu complementei, pois não me custou nada.

Ai, de repente ela se lembrou e me falou, eu disse: já fiz, não se preocupe.

Nunca mais aquilo foi esquecido.

Claro que não estamos aqui nos referindo a reclamações de produtos que chegam com defeitos e que temos a obrigação de tentarmos adquirir substituição para que possamos usá-los – e outras circunstâncias graves.

Mas mesmo assim, podemos fazê-lo com educação, e, provavelmente, seremos melhor atendidos do que os que chegam gritando e exigindo.

Pelo menos, tenho conseguido bons resultados, mesmo usando de meu direito e precisando reclamar, mas o primordial é realmente fazê-lo gentilmente, sem irritação, e principalmente com educação.

Abraços e bom domingo, sem reclamação 🙂

Amanda

Não querer ver

Gosto de citar ditados que escutei desde minha infância, primeiro, porque constituem um aprendizado inesquecível, e, segundo, geralmente, representam verdades incontestáveis.

A sabedoria popular é soberana.

Me traz à lembrança as palavras de minha sábia mãezinha, cuja convivência sempre foi das mais agradáveis e produtivas de que já tive notícia, e de um tirocínio nato.

Ela dizia, “o pior cego é aquele que não quer ver”.

E meu amado marido vai ainda mais longe. Ele diz, “o pior cego é aquele que não quer escutar”. Até metaforicamente falando, quando não consigamos enxergar situações, melhor que escutemos outros que nos querem bem.

Concordo plenamente com essa filosofia.

Muitas vezes, nos deparamos com verdades incontestáveis, que nos recusamos a ver, ou ouvir, nos arriscando a soluções errôneas e consequências com as quais não contávamos ao tomarmos certas atitudes.

Na maioria das situações em que ficamos tendentes a resolver problemas, sejam de relacionamentos, sejam profissionais ou de outros âmbitos, deixamos de decidir por ficarmos presos a sentimentos.

Evitamos, na maioria das vezes, a recorrermos ao nosso raciocínio, que poderia nos mostrar as soluções ideais, ou menos chocantes e infelizes. Mas raciocínio tem um custo emocional e nos recusamos a pagar o preço.

A razão nos mostra soluções que não queremos adotar, por se demonstrarem contrárias ao que desejamos, e isso se constitui no duelo constante de nosso cérebro com nosso coração.

Tento usar a razão sempre que possível, evitando que emoções fortes me dominem.

Claro, nem sempre é fácil. De fato, lutar contra nossas emoções pode ser muito difícil, pois sentimentos nascem do coração.

Vemos, e teimamos em não ver, em grande parte das ocasiões, para não termos que tomar atitudes drásticas que podem ter consequências inesperadas, uma inimizade, por exemplo.

Então, na verdade, não é que não possamos ver, mas sim que não queiramos tomar consciência do que se passa ao nosso redor, nos recusando e, dessa forma, evitando que tenhamos que tomar providências que sabemos não termos condições de suportar, como uma separação, por exemplo.

Conheci uma pessoa, mulher inteligente, bem sucedida, profissional e pessoalmente, que numa determinada época de sua vida conheceu um rapaz que julgou ser seu grande amor.

Com a convivência do namoro passou a perceber atitudes que só a intimidade e o dia a dia conseguem demonstrar.

O relacionamento ficou muito difícil, com ela tomando conhecimento de atitudes que ele assumia diante de situações difíceis, demonstrando absoluta falta de interesse e de capacidade e, além de tudo, vendo seu patrimônio desmoronar.

Mas, apesar de toda essa conscientização da situação, faltou-lhe coragem emocional de interromper o relacionamento, o que provocava uma briga interna envolvendo seu coração e seu raciocínio. Este lhe dizia insistentemente que deveria por um fim naquela relação tão difícil, desequilibrada e onerosa.

Mas sem conseguir terminar, continuaram num clima de litígio constante, traições por parte dele, e terminavam e voltavam, provocando um tremendo desequilíbrio na cabeça sofrida da pessoa em questão.

Até que, depois de algum tempo, tudo ficou bastante complicado, ela perdeu todo o gosto pela vida, se transformando de uma moça linda que era antes desse relacionamento para uma pessoa sofrida, sem conseguir se reerguer emocional e fisicamente.

Ela acabou morrendo, ainda jovem, pois a sua saúde ficou corroída pelo sofrimento contínuo ao qual se deixou submeter.

E igualmente, nos deparamos sempre com essas questões, em diversos ramos de nossa convivência ou de trabalho, devido à “cegueira” que toma conta de nossa falta de visão em determinadas situações, seja porque não queiramos enxergar, ou mesmo porque não conseguimos fazê-lo.

De uma forma ou de outra, devemos nos cuidar para que, dentro do carinho e da dedicação que temos para com o nosso próximo, tentarmos usar nosso raciocínio para que não nos deparemos com uma decepção que poderá prejudicar nossa vida futura.

Abraços e bom domingo 🙂

Amanda

Disponibilidade

“Submeter-se não significa ser escravo, mas ser livre para receber santos conselhos”.

Bela colocação em relação ao conceito de submissão, um pensamento creditado a um religioso, mas que tão adequadamente resume esse conceito, que não passa de uma disposição – de nos colocarmos disponíveis — para dar e receber, tanto conselhos, quanto atitudes de auxílio a quem necessita.

Isso é disponibilidade: o ato de estarmos disponíveis a qualquer momento e para qualquer atividade à qual nos dispusermos ou sejamos convocados ou convidados a completar.

Claro, o fato de estarmos disponíveis não quer dizer que sempre estaremos dispostos a executar tarefas que não nos agradem, ou que não sejam inerentes à nossa atividade profissional.

Tenho ouvido falar de chefes de empresas que usam o tempo disponível de seus funcionários — e às vezes fora de seus horários de trabalho — pedindo-lhes que executem tarefas que não são de sua alçada e nem mesmo sua obrigação. Falo de casos absurdos como um funcionário com mestrado e cargo alto tendo que trocar pneu de carro de chefe no fim de semana.

Isso é exploração, como se diz, do homem pelo homem, e é mesmo um abuso de autoridade, pois negar pedido do chefe pode ser sinônimo de demissão ou de perseguição.

Claro que numa situação emergencial, devemos até mesmo nos oferecermos para auxiliar. Colaboração, dentro de um espírito empresarial, em situações de emergência, sempre se faz quase obrigatória, mas deve haver um sentido de reconhecimento por parte de quem recebeu a devida ajuda.

Percebam que sempre conhecemos pessoas com as quais podemos contar, seja em que circunstâncias forem, tanto de atenção, quanto de ajuda mecânica, financeira, enfim, como dizemos, para qualquer eventualidade em que sejam solicitadas. Estão sempre disponíveis e com um sorriso no rosto.

E também há outras que, mesmo sem serem convocadas, parecem adivinhar nossas necessidades, e aparecem sempre na hora oportuna e cheias de disposição, como se fôssemos os únicos e ninguém mais as necessitasse.

Sem precisarmos falar, elas chegam e dão sua mensagem, estão sempre aparentemente disponíveis e dão a sensação, espontaneamente, de que somente estão à nossa disposição e não têm mais nada a fazer na vida a não ser nos ajudar.

Essa sensação de disponibilidade é muito confortável para quem recebe qualquer tipo de auxilio, ao contrário de outras pessoas que, para tudo e para todos exibem uma sensação constante de que aquela ajuda que estão nos dando é resultado de grande sacrifício tanto do ponto de vista moral, algum conselho, pura e simplesmente, ou mesmo ajuda financeira e outras.

Havia uma vizinha de minhas tias em Minas Gerais que ficou marcada por um apelido, pois tudo que lhe perguntavam, respondia “um sacrifício”, o que lhe rendeu o apelido de “Maria sacrifício”.

Nada a fazia feliz ou contente, e isso acontece muitas vezes com pessoas que conhecemos, pois, por mais que a vida lhes dê, nada as torna felizes.

São as eternas descontentes, e com isso, ficam sempre indisponíveis para que as coisas boas cheguem às suas vidas.

Devemos nos disciplinar para termos disponibilidade para que as pessoas nos procurem e nos ofereçam uma amizade, pois nossa vida se torna mais fácil e divertida quando a dividimos com os amigos.

Aprendemos sempre com a convivência, se soubermos ouvir e se estivermos disponíveis para isso.

Abraços e bom domingo, com toda a disponibilidade do mundo 🙂

Amanda

Tempo para viver  

Sempre escutamos que o tempo pode ser nosso maior inimigo, pois se mal utilizado ou usado de maneira inadequada, pode se tornar realmente algo difícil de se administrar.

Temos que tentar sempre utilizá-lo para desfrutá-lo, fazendo dele nosso aliado ao invés de nosso inimigo.

Usufruir de momentos que nos foram presenteados, e que ainda estamos vivendo, presenciando acontecimentos, encontrando gente querida e criando oportunidades de aproveitar nosso tempo de maneira produtiva é um dos grandes segredos para nos sentirmos realizados e felizes.

E isso pode ser em qualquer atividade, social, comercial ou cultural.

O tempo tem que ser organizado e aproveitado para que coisas sem valor não nos façam falta.

Isso tudo depende de quanto valorizamos bens de consumo, quanto nos falta para conseguirmos nossos objetivos, sejam eles focados na educação, na nossa vida particular ou pública, dependendo de nossas atividades do dia a dia.

Como fazer para encontrarmos o equilíbrio ideal?

Claro que o valor de uma atividade ou de uma diversão vai variar para cada um de nós, pois tudo depende de nosso temperamento, de nossas necessidades, de nossa vontade naquele momento.

Mas independentemente de atividades profissionais, sociais, financeiras, obrigações das quais não podemos e nem devemos ignorar, todos nós temos que pensar bem para que nosso tempo seja usado para conseguirmos os resultados que imaginamos, que desejamos e precisamos.

Nossa vida deverá ser pautada pela honestidade de princípios, tendo em mente que nosso próximo estará pronto para nos criticar caso sejamos vítimas de fracassos, seja em que aspecto for.

E será que a culpa teria sido mesmo nossa, de algum fracasso do qual tenhamos sido vítimas?

Será que fizemos mesmo tudo que podíamos ter feito para que os resultados fossem os mesmos que aqueles que tenhamos conseguido?

E no caso do trabalho excessivo ao qual nos dedicamos na busca de algo tão desejado por nós, vamos nos esquecendo de nossa vida pessoal, familiar, social, dos amigos?

Amigos que sempre esperam de nós uma troca de amizade, nossa presença física, e que provavelmente, não seriam capazes de perdoar nossa possível ausência, tanto física quanto espiritual em certos momentos.

Portanto, devemos sempre tentar encontrar a medida ideal para que nossas obrigações de trabalho e atividades que nós mesmos criamos para desempenharmos não nos impeçam de viver.

E o que chamamos de viver?

É exatamente tentarmos administrar o tempo, no sentido de que ele seja nosso amigo e não nosso pior inimigo em potencial.

A organização do tempo é importantíssima para que consigamos cumprir nossas tarefas, sem nos impedir de usufruirmos do convívio com nossa família, nossos amigos e nós mesmos.

Tempo para viver.

Abraços e bom domingo, com uma vida o mais produtiva possível 🙂

Amanda

Expressar sentimentos

Pensam que é fácil?

Algumas pessoas me falaram certa vez que, por timidez, não conseguem dizer: “Eu te amo” para quem realmente elas cultivam esse sentimento tão lindo que é o amor.

Para mim, é a frase mais bonita que se pode dizer a alguém, mas realmente não é fácil para quem a timidez domina sua maneira de ser.

Não tem culpa, faz parte de sua personalidade, ou da maneira como foi sua criação, de como seus pais sempre agiram em relação a demonstração de sentimentos, etc.

São vários os motivos pelos quais muitas pessoas não se expressam, tanto em relação ao amor, quanto em relação a outros sentimentos.

Guardam tudo dentro de si, e com isso, vivem de forma que seus afetos nunca são demonstrados.

E se esquecem que, dessa maneira, perdem demonstrações de amor e de amizade que poderiam enriquecer sobremaneira sua vida diária.

Elas, normalmente, também não dizem palavras agradáveis, com receio de parecerem falsas nos seus elogios, e perdem com isso aquele sorriso de agradecimento que recebemos quando falamos de beleza a alguém ou a algo que lhes pertence.

Na verdade, não custa nada mesmo reconhecer e comentar sobre as qualidades que se sobressaem nas pessoas, sejam nos pais em relação aos seus filhos, seja ao contrário, quando elogiamos qualquer pessoa da família por algum feito do qual tomamos conhecimento.

Fico toda feliz quando ouço alguém falar de algo que leu escrito por meu pai, e, apesar dele não estar mais entre nós, considero uma honra por ouvir, até mesmo algum aspecto que eu mesma desconhecia em relação a sua obra ou algum feito honroso que ele teria praticado.

Uma palavra positiva é responsável, em muitas ocasiões, por resultados que, sem termos tido o propósito, influiu na carreira de alguém que se achava em dúvida do que seguir.

Devido a alguma obra experimental que afirmamos ser muito boa, uma pessoa pode ter abraçado a carreira de pintor, ou de arquiteto, de engenheiro ou outra.

E pode se dar muito bem, com resultados excelentes, influenciado por algum ato ou produto primitivamente sem aquele objetivo.

Por isso, nos calarmos é imprudente, desde que sejamos sinceros sobre tudo aquilo que nos expressarmos, principalmente sabendo que poderemos influenciar no futuro de alguém, e mais ainda, se esse alguém for jovem.

E o mesmo se dá numa relação amorosa, pois quando dizemos “eu te amo”, temos de primar por nos expressarmos com a maior sinceridade. Essas palavras poderão desencadear todo o desenrolar de uma vida futura.

Sinceridade acima de tudo é a palavra chave.

Nunca, mas nunca mesmo, devemos nos expressar sobre algo que não seja nosso puro sentimento, para não corrermos o risco de errarmos e, com essa atitude, gerarmos uma série de acontecimentos.

Acontecimentos que podem ser de toda ordem, profissional, amorosa, de amizade, de negócios, enfim, podemos provocar um verdadeiro desastre em nossas vidas ao nos expressarmos de maneira hipócrita ou sem uma análise profunda.

Se formos autênticos, não erraremos, e expressar nossos sentimentos, seja em que ocasião for, é um ato de humildade, de falta de vaidade, de reconhecimento.

Abraços e bom domingo, com todo meu carinho 🙂

Amanda