Não querer ver

Gosto de citar ditados que escutei desde minha infância, primeiro, porque constituem um aprendizado inesquecível, e, segundo, geralmente, representam verdades incontestáveis.

A sabedoria popular é soberana.

Me traz à lembrança as palavras de minha sábia mãezinha, cuja convivência sempre foi das mais agradáveis e produtivas de que já tive notícia, e de um tirocínio nato.

Ela dizia, “o pior cego é aquele que não quer ver”.

E meu amado marido vai ainda mais longe. Ele diz, “o pior cego é aquele que não quer escutar”. Até metaforicamente falando, quando não consigamos enxergar situações, melhor que escutemos outros que nos querem bem.

Concordo plenamente com essa filosofia.

Muitas vezes, nos deparamos com verdades incontestáveis, que nos recusamos a ver, ou ouvir, nos arriscando a soluções errôneas e consequências com as quais não contávamos ao tomarmos certas atitudes.

Na maioria das situações em que ficamos tendentes a resolver problemas, sejam de relacionamentos, sejam profissionais ou de outros âmbitos, deixamos de decidir por ficarmos presos a sentimentos.

Evitamos, na maioria das vezes, a recorrermos ao nosso raciocínio, que poderia nos mostrar as soluções ideais, ou menos chocantes e infelizes. Mas raciocínio tem um custo emocional e nos recusamos a pagar o preço.

A razão nos mostra soluções que não queremos adotar, por se demonstrarem contrárias ao que desejamos, e isso se constitui no duelo constante de nosso cérebro com nosso coração.

Tento usar a razão sempre que possível, evitando que emoções fortes me dominem.

Claro, nem sempre é fácil. De fato, lutar contra nossas emoções pode ser muito difícil, pois sentimentos nascem do coração.

Vemos, e teimamos em não ver, em grande parte das ocasiões, para não termos que tomar atitudes drásticas que podem ter consequências inesperadas, uma inimizade, por exemplo.

Então, na verdade, não é que não possamos ver, mas sim que não queiramos tomar consciência do que se passa ao nosso redor, nos recusando e, dessa forma, evitando que tenhamos que tomar providências que sabemos não termos condições de suportar, como uma separação, por exemplo.

Conheci uma pessoa, mulher inteligente, bem sucedida, profissional e pessoalmente, que numa determinada época de sua vida conheceu um rapaz que julgou ser seu grande amor.

Com a convivência do namoro passou a perceber atitudes que só a intimidade e o dia a dia conseguem demonstrar.

O relacionamento ficou muito difícil, com ela tomando conhecimento de atitudes que ele assumia diante de situações difíceis, demonstrando absoluta falta de interesse e de capacidade e, além de tudo, vendo seu patrimônio desmoronar.

Mas, apesar de toda essa conscientização da situação, faltou-lhe coragem emocional de interromper o relacionamento, o que provocava uma briga interna envolvendo seu coração e seu raciocínio. Este lhe dizia insistentemente que deveria por um fim naquela relação tão difícil, desequilibrada e onerosa.

Mas sem conseguir terminar, continuaram num clima de litígio constante, traições por parte dele, e terminavam e voltavam, provocando um tremendo desequilíbrio na cabeça sofrida da pessoa em questão.

Até que, depois de algum tempo, tudo ficou bastante complicado, ela perdeu todo o gosto pela vida, se transformando de uma moça linda que era antes desse relacionamento para uma pessoa sofrida, sem conseguir se reerguer emocional e fisicamente.

Ela acabou morrendo, ainda jovem, pois a sua saúde ficou corroída pelo sofrimento contínuo ao qual se deixou submeter.

E igualmente, nos deparamos sempre com essas questões, em diversos ramos de nossa convivência ou de trabalho, devido à “cegueira” que toma conta de nossa falta de visão em determinadas situações, seja porque não queiramos enxergar, ou mesmo porque não conseguimos fazê-lo.

De uma forma ou de outra, devemos nos cuidar para que, dentro do carinho e da dedicação que temos para com o nosso próximo, tentarmos usar nosso raciocínio para que não nos deparemos com uma decepção que poderá prejudicar nossa vida futura.

Abraços e bom domingo 🙂

Amanda

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Publicado em novembro 2, 2014, em Inteligência Social e marcado como , , , , . Adicione o link aos favoritos. 4 Comentários.

  1. Olá Amanda.

    Senti sua falta hoje. Nos veremos na próxima oportunidade, certo? beijo Silvia

    Silvia Bruno Securato Oficina do Livro Editora Fone/Fax: 55 11 5561-3144 http://www.oficinaeditora.com.br contato@oficinaeditora.com.br

  2. Parabéns por abordar um assunto delicado como esse. Beijo.

  3. Oi Amanda:
    Brigar com a consciência em favor da razão cabe aos fortes.
    Os que fogem deste embate ficam sujeitos ao fracasso e a desilusão..
    Sejamos fortes sempre!!!
    Você disse tudo!
    Bjs

  4. Você é surpreendente, Amanda, com a inteligencia e perspicãcia com que escolhe os temas. Este é crucial, nâo querer ver, pra não ter que agir,. Ah este crime constante em nossos remorsos …

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