Arquivo diário: fevereiro 23, 2014

“Cada um na sua”

“Cada um na sua” é uma expressão bem humorada de uma observação inadequada e fora de hora.

A tradução em Latim seria: “Ne sutor ultra crepidam”.

A história se passou na antiga Grécia, quando o pintor Apelle fez uma tela onde aparecia uma figura humana.

Com o fim de obter comentários sem sua presença, escondeu-se atrás de uma cortina na janela de sua casa, e de lá, ouvia opiniões sinceras, uma vez que ninguém sabia da escuta.

As pessoas passavam, paravam, comentavam e elogiavam.

Um dos comentários foi de um sapateiro da cidade que, ao analisar a obra, criticou a posição das tiras de couro das sandálias, julgando que teriam pouca resistência às caminhadas.

O pintor concordou e reformou a pintura das sandálias e expôs novamente o quadro.

O sapateiro ao passar, parou novamente, satisfeito com a nova posição pintada nas sandálias de couro.

Mas criticou a musculatura do abdome na mesma figura.

Eis que o pintor abriu a cortina e lhe disse: “Sapateiro, não vá além das sandálias”, querendo dizer, não se meta no assunto que não lhe diz respeito.

Podemos tirar daí uma lição interessante, porque muitas vezes as pessoas se metem a dar opinião sobre assuntos que desconhecem, ou pensam que conhecem, a profissionais da área em questão.

Um médico estava nos relatando outro dia de um cliente que no final da consulta  sugeriu o remédio que deveria ser usado para sua doença.

O profissional, com  toda paciência, explicou-lhe que aquele não seria o medicamento adequado ao que ele havia detectado e com toda delicadeza teve que lembrá-lo quem era o médico naquele momento.

Infelizmente, nos deparamos com pessoas que, sem desconfiar da inconveniência que  estão praticando, se metem a opinar onde não deveriam, e onde não foram solicitados.

Temos que aprender a respeitar o profissional, em qualquer área de sua atuação, pois se nos valemos de sua sabedoria, devemos confiar no que nos recomenda.

Se nos pedem opinião seja para o que for, devemos nos expressar sinceramente, mas sem interferirmos em assuntos nos quais nosso conhecimento conflita com quem nos pergunte, pois poderemos cair numa situação até de ridículo pela inabilidade ou nossa pretensão de um conhecimento que não temos.

Portanto, cuidemos da análise que fazemos a quem tem uma especialização, pois podemos correr o risco de nos expormos a criticas desagradáveis e até de certa forma, humilhantes.

Conhecimento é condição “sine qua” para opinar, senão o melhor que fazemos é nos calarmos até aprendermos a falar com a certeza que o conhecimento nos dá.

E nada nos impede de tentar sempre aprender, para que possamos nos expressar com segurança e podermos ir “além dos sapatos”.

Abraços e bom domingo 🙂

Amanda