Senso de oportunidade

Quando falamos que alguém teve “senso de oportunidade”, normalmente queremos dizer que a pessoa foi oportuna ao resolver uma questão, ou não importunou ninguém, e ainda melhor, não teve um comportamento impróprio ou inconveniente.

Inconveniência é uma atitude que me incomoda demais.  Aliás, nem gosto muito dessa palavra.  Quando eu era criança, estava sempre atenta para tudo o que me rodeava, e minha avó paterna me chamava muitas vezes de inconveniente.

E ela dizia isso sem nenhum pudor, na minha presença, e era exatamente pelo fato de que eu opinava acertadamente em alguns assuntos.

Obviamente ela teria alguma razão, pois eu falava mesmo sem ser consultada.  Mas na maioria das vezes, minha opinião não era totalmente fora de propósito, e era exatamente isso que a incomodava. Só que, evidentemente, eu não tinha o senso de oportunidade que a maturidade nos confere.

E é esse senso de oportunidade, que surge com a maturidade, que influencia muito na nossa convivência com as outras pessoas.

Sabemos que até os animais têm esse senso.

Tive uma  experiência interessante nesse sentido.

Minha filha tem dois cães maravilhosos, mas um deles, que ainda é jovem e muito animado, fica, em algumas ocasiões, de certa forma inconveniente por querer participar de tudo ao seu redor.

E como é carinhoso, está sempre se colocando próximo de nós, onde quer que estejamos.  Mas é muito grande e pesado, por isso sempre tomamos algum cuidado com sua aproximação.

Mas foi fantástico num dia em que um de nós não estava bem disposto, tomando alguma medicação e ele ficou absolutamente quieto, comportadíssimo, como se entendesse que não deveria incomodar naquele momento.

Simplesmente ficou deitado em sua caminha, sem se aproximar, sem incomodar, como se estivesse colaborando com a delicada situação. De vez em quando levantava a cabeça, como se quisesse saber notícias do andamento de tudo.

Emocionante, inesquecível e surpreendente, principalmente vindo do Boni.

Mas infelizmente esse senso quase inato de oportunidade não acontece sempre com as pessoas.

Tem gente que fala alto nos cinemas e teatros, em hospitais, onde justamente se pede o silêncio necessário para que outras pessoas possam usufruir de uma calma necessária para entender o que está se passando, seja em que circunstância for.

Existia até uma  expressão jocosa a respeito, quando se dizia que as pessoas que se comportavam dessa maneira estavam com o “desconfiômetro” avariado.

E assim, também devemos desenvolver esse senso de “desconfiômetro” quando nos deparamos com alguém que precisa de nossa atenção e compaixão.

Vamos nos lembrar de que não temos o direito de ignorar, e sim tentarmos  discernir ocasiões em que podemos ou devemos ter a participação, e  emitir opiniões sem agredir a outra parte.

Mas muitas vezes, encontramos pessoas que emitem sua opinião  sem serem solicitadas, o que pode causar grande constrangimento em quem recebe a sugestão  espontânea.

Aí é que entra nosso senso de oportunidade, o discernimento da ocasião apropriada para se opinar.

Abusando da boa vontade de meus leitores, espero que meu senso de oportunidade esteja me levando ao caminho correto em relação aos meus blogs. 🙂

Abraços e bom domingo

Amanda

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Publicado em junho 16, 2013, em Inteligência Social e marcado como , , , , . Adicione o link aos favoritos. 4 Comentários.

  1. Tereza Maria Duarte

    Muito bom Amanda , gostei mutio da relação que estabelece com o animal . Aprendemos muito com eles .
    Faço minhas as palavras de Ligia Kogos , beijo
    Tereza .

  2. Amanda,
    Os seus textos são formidáveis. Além de servirem para reflexão,
    venho usando-os para publicar em nosso Boletim BOCAS,pertencente à Casa da Amizade de Salto – do Rotary Club , da mesma cidade.
    Espero não estar sendo inconveniente com você, não lhe pedindo autorização, para publicá-los..
    Aliás, a esse respeito, lhe escrevi anteriormente.
    Parabéns pela escolha dos assuntos abordados .
    Rosely Milanez Romitelli

  3. Marina Renaux de Sabrit

    AMO seus textos! Amamos voc!!! (Tenho usado “sua” clutch todo o tempo). Saudades, bom Miami!

    Marina de Sabrit

    (55) 11 9 9265 5000 marina@sabrit.com

    http://www.marinadesabrit.com.br

  4. Muito apropriado…evitar tocar em assuntos que
    se sabe difíceis para a outra pessoa, tais como rivalidades, separações, sociedades desfeitas, escândalos…

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