Arquivo diário: janeiro 13, 2013

Desapego

O desapego, de maneira geral, não quer dizer que nada tenha importância.

Para mim, o significado da palavra desapego é mais voltado ao sentido de equilíbrio – de acreditar que existe uma medida para tudo.  Assim, o desapego com algo sentimental, material ou social não deve nos prejudicar.  Não quer dizer frieza de sentimentos – e sim, a meu ver, uma maturidade no sentimento de propriedade, que pode prejudicar os relacionamentos com as pessoas ou posses.

As recompensas do desapego são muitas, como a serenidade e a paz interior, resultados de nossas atitudes em relação a ajuda emocional ou espiritual, que tantas vezes conseguimos oferecer a alguma pessoa amiga, com total desapego mas enorme carinho e consideração.

Acho muito interessante ouvir e presenciar diferentes pontos de vista em relação a “desapego”, vindos de pessoas com as quais sempre nos relacionamos.

Falávamos outro dia numa roda de amigas sobre o desapego em todas as suas formas.

Uma delas contava que não se sente a vontade em outro país ou cidade que não seja a sua, onde conhece muita gente, fala sua língua e está habituada aos costumes locais.

Além disso, ela se incomoda de deixar parentes, filhos, netos, e outros afins e estar longe sem poder ajudar em caso de necessidade.

Esse é um aspecto de apego ao qual nos familiarizamos em todos os sentidos.

Já uma outra pessoa,  também mulher esclarecida, inteligente, bem informada, acostumada a viajar quase todo o tempo, pensa de maneira completamente diferente de todas as pessoas que conheço.

Ela tem uma enorme alegria de viver e encara a vida sob um aspecto muito feliz e livre.

Seu marido estava com problemas de saúde, mas isso nunca os impediu de marcar uma viagem ao exterior ou para onde fosse.

E um dia alguém lhe fez a pergunta:

E se ele morrer no navio?

Ela respondeu prontamente: Morre feliz!

Morremos de rir, pois ela falou de forma natural e alegre.

Achei o comentário surpreendente, de desapego elogioso, mas que nem todos nós conseguiríamos colocar em prática.

Seu ponto de vista é louvável.

Ela faz questão de aproveitar a vida com alegria, enquanto pode fazê-lo e sua saúde lhe permitir.

Disse também que os filhos estão prevenidos que, quando ela viaja, se considera solteira, órfã e estéril.

Argumenta que de longe nada poderia resolver.  Nenhuma providência poderia tomar e nada adiantaria alguém lhe comunicar que um ou outro estaria com problemas, por exemplo.

Realmente, me fascina ver tantos pontos de vista diferentes em relação ao termo “desapego”.

Outro dia mesmo, conversando com uma amiga sobre a vida, de maneira geral, e jogos, ela disse que não gostava de jogar nada porque não sabe perder.

E falou sobre isso com muita seriedade, referindo-se a perder em qualquer circunstância.

No começo rimos muito, mas depois pensei na profundidade dessa expressão.

Ficamos impressionadas com sua sinceridade, pois dificilmente alguém afirma algo assim, por ficar com receio de ser criticada.

Pois ela não teve o mínimo problema a respeito de quem a escutava naquele momento.

Disse que não sabe perder em nada, por isso nunca se arrisca, pois sabe que o fato de perder lhe daria um tremendo desgosto.

É um ponto de vista que respeito, pois cada um age e pensa como quer.  De fato, esse é o meu desapego com o próximo, no sentido de respeitar  a todos como são.  Não tento mudar ninguém, e esse meu “desapego” se traduz em ótimos relacionamentos.

Mas penso diferente.

A perda, para mim, não significa necessariamente um fracasso e sim um incentivo para a luta.

Perco e ganho com desapego.  Mas tento sempre me desapegar com equilíbrio, seja de coisas materiais ou de relacionamentos que não dão certo.

Só espero que não se desapeguem do meu blog 🙂

Abraços e bom domingo

Amanda