Perfeição é o pior inimigo da realização

À primeira vista pode parecer bem estranho dizer que a perfeição é o pior inimigo da realização.

Mas pense bem.  Muitas vezes, procuramos tanto a perfeição que não conseguimos realizar nada do que estávamos nos propondo.

Conheci pessoas que tinham tanto a mostrar e a fazer, a realizar e, na eterna busca da perfeição, nada fizeram.  Passaram a vida buscando o ideal e nunca chegaram a ponto algum – porque nunca nada estava perfeito o suficiente.

Só que a perfeição não existe.  Existe uma meta de trabalho, e vencemos, crescemos e realizamos a cada etapa e a cada desafio.  Mas o próprio conceito de perfeição é perigoso – é como o conceito da beleza perfeita, das capas de revistas de moda.  É irreal.

Perfeição é um conceito subjetivo.

O que é perfeito para um não é necessariamente perfeito para o outro.

Na prática, temos que nos atrever um pouco, nos soltarmos, mostrar o que sabemos, e principalmente, estarmos prontos para as críticas, o que nos ajuda a chegar a um ponto de relativa perfeição, que sempre buscamos naquilo que desejamos mostrar ao mundo, ou melhor, ao mundo que nos rodeia.

E nessa busca vamos aprendendo cada vez mais – e assim, cada vez mais, tentando encontrar o caminho mais próximo da perfeição dentro das nossas limitações e dos desafios que se apresentam.

A realização de cada um depende de raízes intrínsecas, de hábitos antigos, de proporções adequadas.

Mas na verdade, esperar a perfeição o tempo todo para que possamos realizar algo, é atraso de vida.  É impossível.

Reconhecer nossas limitações é o passo mais importante na nossa eterna busca pela realização, pelas conquistas, uma a uma.  O conceito “perfeição” é um pleno boicote a nós mesmos.

Muitas vezes, nosso chefe, cônjuge, nossa equipe, todos estão satisfeitos com o sucesso de um projeto ou um encontro, com os resultados obtidos.

Só nós continuamos julgando imperfeitos os tais resultados atingidos.

E isso não é saudável.  Essa eterna busca pela perfeição é o pior inimigo da realização.

Minha mãe aos 90 anos fazia aula de escultura, coisa que nunca tinha feito antes.  Achei uma boa forma dela ter uma atividade criativa para que continuasse a usar o cérebro o mais possível.

Ela não tinha o constrangimento que é sempre uma das características de quem não sabe, ou acha que não sabe.  Mas tinha criatividade nata.

Criava e executava esculturas belíssimas, pois não havia se prendido a censura de quem está sempre consciente de suas limitações.  Ela não se preocupava com o que não sabia.  Aprendia ao fazer.

E fez muitas e lindas obras, que mandei fundir em bronze, e que guardarei por toda a minha vida.  São perfeitas aos meus olhos.

Vamos lutar, sim, pela perfeição em tudo o que pudermos realizar, mas sem deixar que a eterna busca pela ilusão da perfeição nos cegue a ponto de nunca chegarmos ao resultado satisfatório de uma realização.

Analisemos com cuidado, claro, mas sem obsessão, para evitarmos um sofrimento desnecessário.

O termo perfeição já significa “sem defeito”.  Isso, sabemos, não existe em ninguém.

Mas existe na natureza, nas flores, nos animais, na beleza pura de uma criança.

Podemos sim, buscar a perfeição no nosso sentimento de bondade, de compreensão, de caridade humana.

Realize mais e mais que a perfeição se manifesta através da perseverança, melhor amiga da realização – no próximo blog.

Bom domingo e até lá 🙂

Abraços,

Amanda

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Publicado em dezembro 9, 2012, em Inteligência Social e marcado como , , , , . Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

  1. ” Aprender ao fazer ” como você ensina,livrar-se da armadilha de não realizar para não errar, sublime….

  2. Existe um ditado indiano que diz: “de tanto afinar a harpa passou a hora da sua apresentação”…

  3. Muito bom, Amanda! Num dos belos salmos de David, ele pede a Deus que não releve seus pecados, porque não há na terra nenhum ser perfeito. O máximo que podemos fazer na busca pela perfeição, é batalhar, dia a dia, pelo aperfeiçoamento de nosso caráter, e, persistir no objetivo de melhorar nossos feitos cada vez mais.

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