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Resgatando a Emoção

Emoção é uma entrega dos sentimentos, sem a auto censura que nos impõe a restrição  de senti-la.

Seja por vergonha, por orgulho, seja pelo que for, costumamos nos segurar, e nos controlamos para escondê-la, disfarçá-la como se fosse uma inimiga perigosa.

Chorar de emoção?

Nem pensar, ou melhor, o que vão pensar de mim?

E a maquilagem, que fim vai levar?

É tão bom chorar quando algo nos emociona.  A emoção não é, de forma alguma, algo de que deveríamos nos envergonhar.

É sinal de que ainda temos a capacidade de nos emocionarmos, de que estamos vivos, tanto por um acontecimento triste, como até mesmo por um momento de alegria, de um reencontro, de realizarmos algo que desejávamos.

Choro sempre que presencio um ato de covardia, como a humilhação a alguém que não merece.

As lágrimas chegam aos olhos, muitas vezes, sem que nem mesmo possamos nos controlar.

Conversando com uma grande amiga, mulher inteligente, decidida, vivida e, também, muito sensível, surgiu o assunto “emoção”.

Ela comentava como nos tempos atuais a emoção tem sido deixada de lado, em função da praticidade, da correria do dia a dia – e os jovens já não vivem mais a emoção do amor em si.

A vida foi ficando muito prática e a luta pela sobrevivência tem feito com que  a emoção seja colocada em segundo plano.

Essa amiga me relatou de um romance que teve na juventude, época em que se apaixonou por um grande e renomado poeta bem mais velho.  Era uma relação regada de emoção. Ela recebia cartas de amor desse homem, mais de 2000 que ainda mantém guardadas.

Contou-me que ele jamais a tocou fisicamente, viviam de uma emoção intensa, fato totalmente impossível nos dias atuais, em que os romances são vividos com outro nível de intensidade – mais prático e menos romantizado.  Ela me contou isso com uma expressão de felicidade, saudosa daqueles momentos de antigamente.

Não sou uma pessoa saudosista, pelo contrário, e muito menos tradicional no sentido “careta”.  Acredito plenamente na juventude, renovação e importância da gente acompanhar os tempos e se adaptar às mudanças.

Mas emoção é um sentimento, e sentimentos não são nunca “caretas”, como conceito, não envelhecem ou ficam ultrapassados por uma nova tecnologia.

São eternos: o amor, a saudade, o respeito, a admiração, a alegria e a tristeza.  Eles são atemporais. E por isso, não podem nunca ser ignorados pela correria da vida moderna.

Claro que seria quase impossível viver esse romance platônico de minha amiga nos dias de hoje, mas temos também que tentar trabalhar a nossa emoção, o nosso espírito de felicidade íntima ao lado da parte prática de nossa vida, que é igualmente importante no atual contexto.

Chorar de emoção ao assistir um concerto, ao ouvir uma canção lindamente interpretada de uma forma que nos remete a um momento passado, tudo isso faz bem a nossa alma e nos alivia, muitas vezes, a saudade de alguém que tenha sido importante em nossas vidas.

Sinto sempre, por exemplo, uma emoção especial quando canto alguma música que minha mãe gostava.  E não me envergonho da lágrima que as vezes derramo ao cantá-la.

E emoção não se manifesta somente para momentos de tristeza, mas muito e principalmente em momentos de felicidade, em sorrisos que recebemos ao encontrarmos alguém que não víamos há tempos, ou um novo encontro que nos faz felizes.

A emoção em si nada tem a ver com contato físico, e sim com a saudade gostosa que sentimos de pessoas que foram importantes em nossas vidas, pais, irmãos, filhos, amigos.

Precisamos permitir a emoção, sem culpa.

Um abraço cheio de emoção e votos de um ótimo domingo!

Amanda

Criticas e Elogios

“Você não será recordado pelos seus pensamentos secretos.  Peça ao Senhor a força e sabedoria para expressá-los”.

– Gabriel García Márquez

Fica bem difícil agir nessas duas situações, pois por incrível que pareça, elas estão ligadas.

Se somos responsáveis por um determinado trabalho, empresa ou departamento, muitas vezes temos que corrigir ou tentar melhorar o trabalho de algum de nossos subordinados, e isso pode ser interpretado como uma critica.

E de fato não deixa de ser.

Mas podemos ter uma forma de corrigir, isto é criticar, se preferem, sem ofender.

Acho isso primordial.

Se temos um critério, educação e respeito, a pessoa que sofreu a critica até concordará conosco, principalmente se temos razão no que falamos.

Agora, o que acontece é que, de forma geral, as pessoas se desgastam com criticas a todo momento.

Então quando elas fazem alguma critica séria, que realmente vai mudar algo para melhor, sua imagem já ficou estabelecida como rabugenta, ranzinza e chata.

Fazer uma critica construtiva, que vai com certeza melhorar o desempenho, e portanto aumentar resultados, na maioria das vezes, todos aceitam, com prazer, principalmente quando quem está criticando também elogia com a mesma propriedade.

Elogios que devem ser feitos quando a pessoa merece, sempre fazem muito bem para o ego, e se depois numa outra ocasião você tem que fazer a critica – ou recebê-la, ela é aceita com boa vontade.

Se evitamos implicar por pequeninas falhas, a critica tem mais valor, assim como o elogio, que deve ser sincero e genuíno.

A grande dermatologista Ligia Kogos, queridíssima amiga de muitos anos, é um dos maiores exemplos para mim, e para todos que tem o privilégio de compartir de sua amizade.

Ela sempre tem uma palavra de elogio para as pessoas. Além de ser uma mulher linda, sorri sempre e conquista a simpatia de todos que a conhecem.

E não mente nunca quando faz um elogio, pois valoriza o que a pessoa tem de realmente bonito e bom.

Todas as mulheres adoram sua simplicidade e sinceridade, e isso as incentiva a se cuidarem cada vez mais.

O elogio decididamente é algo sensacional para o nosso ego.

Vamos aprender a elogiar mais o que é bom no próximo, e tentar ser o mais criterioso e justos nas criticas para sermos ouvidos.

Regra básica: criticar somente se formos solicitados.

Um abraço e ótimo domingo 🙂

Amanda

Escolhas

“O homem que se entrega plenamente à sua profissão, se é um gênio, converter-se-á em um homem prodigioso; se não o é, sua tenacidade elevá-lo-á acima da mediania”.

Diderot

Nós passamos nossas vidas fazendo escolhas — acertando algumas vezes, errando outras – mas constantemente escolhendo nossos caminhos.

Estamos sempre decidindo o que comer, o que vestir, com quem nos relacionamos, onde vamos, se viajamos ou não, o que estudamos, que carreira seguimos, os amigos, etc.

E quando não acertamos, mudamos nossa escolha.

Quantas vezes ouvimos mães contando que seus filhos fizeram uma faculdade e descobriram que não era bem naquilo em que gostariam de trabalhar, se dedicar pelo resto de suas vidas?

Temos amigos cujos filhos estão na terceira faculdade.  Não acho, como muitos dizem, que são perdidos.  Pelo contrário, são corajosos o suficiente para continuar buscando o caminho certo, e no ínterim, estão aprendendo em cada faculdade assuntos diferentes e aumentando a cultura geral, o que vai ajudá-los sempre durante a vida.

E não há nada errado com isso.

Afinal, quem pensa, muda, já diziam os antigos filósofos.

O que não podemos é influir na escolha do próximo.  Aconselhar, se somos  solicitados podemos e devemos, pois a pessoa que nos pediu o conselho se encontra num estágio de indecisão e nos julga mais experientes no determinado assunto.  Mas influir não, e julgar a escolha do outro, por mais próximo que seja, nunca, inclusive a escolha de amigos.

Como os escolhemos?

Muitos dizem que os opostos se atraem, mas eu creio que são as afinidades que unem, de fato, as pessoas.

Acho que valores e atitudes similares tornam mais fácil a convivência no dia a dia.  E sempre preferi a convivência agradável do que a tumultuada e agressiva, cheia de discórdias, tantas vezes desnecessárias.

Mas respeito às individualidades é muito importante, e aí entra a escolha novamente.

O direito de um termina onde começa o do outro.

Uma coisa que não podemos e nem devemos fazer é influir na escolha de amigos  nossos que são amigos de pessoas cujo comportamento não apreciamos.

Não existe colocar nossos amigos em cheque e dar um ultimato tipo: “se você for amigo de fulano, eu não quero mais ser seu amigo”.

É deselegante e demonstra falta de segurança.

Tivemos há pouco tempo um exemplo próximo.

Estávamos oferecendo um jantar sentado para alguns amigos, e não tínhamos conhecimento de que dois deles não se relacionavam, apesar de terem sido amigos no passado.

Fiquei sabendo algum tempo antes do jantar e lamentei, mas ambos vieram, não se cumprimentaram, mas sem alarde.

Foram de uma classe inconteste, e apesar de não terem trocado a palavra durante toda a noite, nenhum convidado percebeu.

O jantar transcorreu num clima de alegria, porque ambos são extremamente educados, pessoas maravilhosas, e nenhum dos dois me disse, “se fulano vai, eu não irei”.

Isso demonstra respeito, educação e uma enorme inteligência social.

Temos o livre arbítrio para fazer a escolha certa, e mudar nossa atitudes e valores quando necessário para se viver melhor, conosco e com os outros.

Tenhamos coragem de escolher e arcar com as conseqüências de nossas escolhas.

“Eu acho que uma pessoa, de cada adversidade, tem uma plataforma para tentar construir seu legado ou seu caminho para o abismo.  Eu sempre procuro usar essa plataforma para criar alguma coisa”.

Maestro João Carlos Martins, amigo querido, e para mim, um herói da superação, com Ph.D em inteligência emocional e social, em entrevista nos EUA à coluna Direto de Miami.

Até as pedras se encontram

Há pouco tempo estávamos em um show num estabelecimento em Miami, nos divertindo muito, escutando um repertório excelente de MPB com Rose Max & Ramatis, um casal de músicos excelentes.

Ao nosso lado havia uma mesa de brasileiros também, que riam e conversavam bastante, numa alegria contagiosa.

Quando o show acabou, eles vieram até nossa mesa e a moça me chamou pelo nome.

Naquele momento, quase não me lembrei de quem se tratava, mas ela se identificou e foi uma explosão, contente de nos rever.

Na verdade, quando se reencontra alguém, tanto pode ser motivo de satisfação como pode se dar o contrário, dependendo de como a relação foi ou terminou no passado.

Essa moça havia sido uma colaboradora em nossa casa quando estávamos em Washington.  Ela é muito alegre e extrovertida.

Mas havíamos tido uma experiência meio desastrosa, pois num dia de festa em casa, tivemos uma surpresa.

Ela surgiu com um vestido vermelho, muito curto, e ao invés de nos ajudar, ficava dançando freneticamente.

O clima ficou pesado, mas nada dissemos, pois não nos adiantaria criar um problema  naquele ambiente festivo.

Confesso que ficamos um tanto envergonhados com seu comportamento, mas já estava feito, e acabamos dando algumas risadas, pois a alegria dela acabou nos contagiando, e levamos na brincadeira.

Não havia nada a fazer naquele momento.

Por natureza, eu não gosto de decidir nada no calor do acontecimento, pois geralmente quando fazemos isso, costumamos nos arrepender depois.

Deixamos passar  alguns dias e, com calma, dispensamos seus serviços por  chegarmos à conclusão de que não era bem a pessoa que precisávamos para aquele tipo de ajuda.

E também nem havia sido somente por causa de suas atitudes na festa, mas pela falta de responsabilidade em outras ocasiões.

Enfim, a dispensa foi macia e nunca mais a vimos até essa noite do show em Miami, onde ela nos encontrou e ficou muito feliz em nos rever.

O reencontro é inevitável neste mundo por isso devemos deixar sempre uma boa impressão.

Seja em cidades diferentes, casa de amigos, numa festa, se tivemos uma boa relação, mesmo que não tenha sido de grande amizade, ou que tenha sido uma relação empresarial, o reencontro deve ser agradável e desejado.

Sempre me lembro dessas sábias palavras que um dia escutei: “até as pedras se encontram”!

Bom domingo,

Amanda

Desculpas

Interessante como as desculpas podem ser colocadas de maneira tão especial em algum momento.

Estávamos  almoçando esses dias em um restaurante muito bom, bem freqüentado e de comida excelente.

Éramos 10 mulheres comemorando o aniversário de uma amiga muito querida.

A mesa era retangular, o que já dificulta a conversa e, com isso nossos decibéis foram  aumentando sem que nos déssemos conta, claro.

Mas considero isso muito natural quando somos um grupo maior e o clima é de descontração e amizade.

Estávamos alegres, cada uma contando suas realizações, rindo muito.

Aí entraram três pessoas – um casal e uma moça, que parecia ser a filha.

Sentaram-se numa mesa perto da nossa.

Notei que eles nos olhavam, pois estava de frente e mais próxima deles.

Incomodados com nosso barulho, mais do que óbvio, estávamos ali para conversar e nos divertir, eles já estavam inquietos.

Previ o que iria acontecer, e aconteceu.

Vi quando a moça começou a escrever um bilhete num guardanapo e esperei.

Levantaram-se, pois tinham pedido ao garçom que os trocassem de mesa.  Pediram também que nos entregasse o bilhete.  Ele se recusou.

A moça não teve dúvida.

Parou em frente a nossa mesa e entregou o bilhete a uma de nós, que nos leu o que estava escrito, dizendo que a educação manda que se coma em silêncio.

Claro ficamos surpreendidas, pois sempre tem em restaurante alguma mesa comemorando seja o que for.

Muitas vezes, se é aniversário, as mesas mais próximas até batem palmas juntos na hora do bolo.

Mas eles não.  Estavam muito irritados.

Nós escrevemos um bilhete respondendo à reclamação, por que nunca se deixa alguém sem resposta, e obviamente nos desculpamos.

Danielle, uma mulher de grande vivência social e profissional, jornalista, pessoa muito educada, foi até a mesa dos reclamantes, entregou o bilhete e disse que estávamos festejando o aniversário de uma amiga, sentíamos muito pelo incomodo que havíamos causado e queríamos pedir desculpas  pelo barulho.

Claro, eles ficaram com a cara no chão.

Na verdade, esse foi um pedido de desculpas especial, pois nós havíamos sido o lado ofendido, então foi, como se dizia  antigamente, “ um tapa de luvas”.

Recebemos a ofensa e ainda nos desculpamos.

Como disse uma querida e inteligente amiga a quem eu relatei o fato:

“A felicidade das pessoas ás vezes incomoda”.

Foi o que aconteceu naquele dia, e me fez pensar sobre o tema “desculpas”.

Quando devemos pedi-las ou aceitá-las?

Às vezes, o orgulho fala mais alto do que a razão e se perde a oportunidade de se refazer uma relação ou uma situação.

Pedir desculpas é algo sublime, pois significa humildade mediante alguma atitude que tenhamos tido em algum momento e que pensamos termos sido injustos.

Evidentemente, tem ocasiões em que fica muito difícil desculpar a atitude ofensiva de alguém, por mais predispostos que estejamos.

Mas tudo depende do nível de ofensas que foram feitas.

O ideal é analisar com isenção de ânimo cada situação, tendo em vista, sempre, evitar alguma injustiça – na ofensa ou na defesa.

Tenho uma grande amiga que me relatou um fato onde seria impossível desculpar a pessoa que o cometeu.

Algumas amigas estavam conversando num grupo alegremente, e de repente uma delas, que já era sua conhecida antiga, começou a agredi-la verbalmente, berrando, você sabe o que penso de você?  E disse ofensas incríveis.

Minha amiga, chocada, chorou e ficou sem resposta, pois no inicio, ficou até pensando tratar-se de brincadeira.

Ficou um clima tenso entre todas e, claro, a reunião acabou de maneira desastrosa do ponto de vista social e emocional.

Não há desculpa para esse tipo de atitude, pois a amiga desfiou um rosário de ofensas descabidas para o momento, que era de descontração e alegria.

E também não foi algo momentâneo.

Era algo pesado e que ela tinha como conceito arraigado contra minha amiga, apanhada de surpresa, pois nunca imaginou que a outra tivesse dela essa imagem.

Minha linha de conduta a esse respeito é a seguinte: pensar antes de dar uma resposta ou mesmo antes de expor alguma idéia – ou antes de alguma explosão.  Se não ofendemos, evitamos pedir desculpas.

Desculpem se me alonguei 🙂

Bom domingo!

Amanda