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Juventude

O que é a juventude?

Claro que na primeira definição, diremos que é uma faixa de idade imposta pela sociedade em que vivemos para podermos classificar, separar e criar bolsões que abrigam as pessoas.

Mas se pensarmos bem, vamos ver que a juventude nem sempre se refere a pessoas jovens fisicamente, mas, mais importante, ao espírito jovem, com disposição mental e física, independente de sua idade.

A idade cronológica nem sempre qualifica, pois a falta de horizontes é o que confere à pessoa a sensação de velhice.

A responsabilidade que a faixa denominada juventude carrega é enorme, pois de sua conduta dependerá o futuro de pessoas, e por que não dizer, da nação.

Nos deparamos, de um lado, com jovens que demonstram desde cedo maior capacidade de julgamento, maior equilíbrio emocional, e sem que o saibam, são magníficos instrumentos de progresso dentro da coletividade.

Encontramos também pessoas que nunca deixaram de ser jovens, apesar da passagem do anos.

E não estou falando aqui de irresponsáveis, que nunca crescem, mas sim da juventude no sentido pleno: adultos que apreciam cada momento da vida, cada descoberta, com a mesma pureza de criança.  São pessoas que agem com seriedade que a própria experiência lhes conferiu, mas o ar de juventude não os abandonou.

Eu sou uma delas.  Me sinto cada dia mais jovem.

E minha mamy também era uma dessas pessoas.  Encantava a todos, e até seus 93 anos, quando teve um sério problema de saúde que a deixou incapaz até os 96, ela foi de um discernimento fora do comum.

Tinha a capacidade de raciocínio especial, apesar da falta de erudição, de cultura,  porque na sua época de juventude não se usava comumente oferecer estudo a uma mulher no interior de Minas Gerais.

Mas ela conseguia entender e usar de uma racionalidade, emitindo sempre que solicitada, opiniões corretas e coerentes com os problemas que lhe eram apresentados.

Fantástico!

Sempre fazíamos uma brincadeira e meu marido dizia que eu era uma adolescente, minha mamy uma pessoa madura, e nossa filha, uma velha idosa.

Nossa filha leva o trabalho demais a sério, é muito madura — e muito caseira.  Eu já gosto muito de sair, de programação com as pessoas amigas.  Ela também, mas com uma certa medida, o que não acontece comigo.  Sou festeira mesmo.

Enfim, dentro da brincadeira, existe uma seriedade que admiramos, tanto na discrição  da filha, como na modernidade que minha mamy sempre demonstrava.

Essa consideração toda é para compararmos exatamente como a juventude independe totalmente da idade que temos na carteira de identidade.

Ser jovem é um estado de espírito e, até mesmo, uma questão de disposição de energia, de vitalidade e capacidade de lutar e ver sempre na vida a perspectiva de realização.  É ter esperança em todos os sentidos.

E isso acho que as três gerações de mulheres da minha família: eu, minha mãe e minha filha sempre tivemos de sobra.

Vamos cultivar nossas esperanças e viver as alegrias que a vida nos oferece, para termos forças na luta dos momentos mais difíceis!

Abraços e bom domingo 🙂

Amanda

Não se desespere!

Outro dia num determinado evento, alguém perdeu a paciência por algo completamente sem importância, a nosso ver.

Claro que não podemos nos arvorar em juízes, pois cada um de nós tem o seu nível de paciência e a necessidade de resolver imediatamente uma determinada situação.

Mas, uma amiga também presente ao incidente, disse a essa outra amiga impaciente:

“Não se desespere”.

A amiga parou um segundo e se mostrou, de início, surpreendida.  Mas, em seguida, parecendo raciocinar rapidamente, mudou a expressão facial para uma espécie de alivio, e respondeu, mais calma, que a outra tinha razão.

Tudo se resolveu rapidamente e o mal entendido passou imediatamente, o que não teria ocorrido no ambiente desagradável anteriormente estabelecido.

Digamos que nem sempre é fácil conseguirmos manter a calma necessária para  a resolução adequada em certas situações, mas aí entra, como sempre tento fazer, o raciocínio para que se possa evitar um mal estar, na maioria das vezes totalmente desnecessário.

E, mesmo porque, como dizia  minha saudosa mamy, quem grita sempre acaba perdendo a razão, em todos os sentidos.

Evidentemente que existem situações em que temos a tendência de nos desesperarmos e com razão, uma delas é a constatação de uma doença grave, com a qual não temos condições de lutar.

Mas, na verdade, se pensarmos bem, fora doença e grandes perdas, quase nada do que participamos, é motivo de desespero.  Ao contrário, enquanto nos desesperamos,  perdemos o tempo e a oportunidade de tomar as medidas certas para as devidas resoluções.

Se estamos atrasados, por exemplo, para chegarmos em algum lugar, a solução foi perdida quando não nos organizamos para chegarmos mais cedo, portanto, no meio do caminho, nosso desespero não abrirá o fluxo só porque queremos que isso aconteça.

Solução: sempre se prevenir pensando no horário para atingirmos nosso objetivo.  E se isso não ocorreu, não adianta ficar nervoso depois.

Muitas vezes, nos livramos de situações que pensamos termos sido vítimas, quando, de fato, fomos beneficiados por circunstâncias que desconhecíamos anteriormente.

Não se trata de conformismo, mas muitas vezes nos atrasamos por qualquer motivo e, ao invés de lamentarmos o tempo todo, se pensarmos bem, quem nos garante que aquele atraso tenha sido benéfico e nos livrado de algum acidente ou algo pior?

Claro, isso não nos dá o direito de relaxamento de horário, mas é um exemplo simples para não nos desesperarmos por coisas irrelevantes que se apresentam seguidamente em nossas vidas.

Quando nos desesperamos, ficamos sem condições de raciocínio para a solução ideal de uma situação que exige equilíbrio.

O desespero provoca um estado de angústia e de impaciência que nos impede até mesmo de pensar positivamente.

Por isso, tentemos evitar esse estado de aflição que só pode sabotar nosso raciocínio, nos levando a soluções inadequadas que, muitas vezes, trazem consequências  desastrosas.

Não podemos, nem devemos cultivar a desesperança, pois apesar da vida nos reservar surpresas nem sempre agradáveis, nos chegam também, por outro lado, acontecimentos que nos surpreendem para nossa alegria e felicidade.

E sua amizade e consideração constituem um dos motivos de minha sempre esperançosa alegria!

Abraços e bom domingo 🙂

Amanda

Lealdade

Sempre entendemos a lealdade como a qualidade de quem é leal.

Claro, é a definição mais adequada e a mais usada por todos nós, ligada à fidelidade, sem sombra de dúvida.

Mas quando falo fidelidade, quero dizer fidelidade aos preceitos de honra, decência e honestidade.

Acho importante distinguir a ausência de traição do sentido mais compreensivo que dou a palavra lealdade na minha vida.

Leais, para mim, não são só pessoas que não traem.  São pessoas que “honram” seus compromissos, tanto sociais, quanto financeiros e amorosos – e os cumprem com retidão e responsabilidade.

Falamos, por exemplo, da lealdade do cão ao seu dono.  Isso todos nós conhecemos.  Mesmo que não tenhamos cães, acompanhamos essa relação através de nossos filhos e amigos que gostam e os têm.

A lealdade deles é algo emocionante e impressionante, pois os animais sentem conosco qualquer tipo de emoção que estamos sentindo naquele momento.

Eles se tornam, na verdade, a companhia ideal, sem cobrança, só dão amor, sem pedir nada em troca de seu afeto desinteressado.

Isso é lealdade pura.

E deveria sempre ser assim.

A lealdade desenvolvida por nós em relação a outros seres, sejam animais ou humanos, deve nos encher de felicidade e servir para tornar nossa vida mais alegre.

Lealdade de idéias, por exemplo, é muito importante.  Devemos defender nossos pontos de vista sem nos deixar influenciar por vantagens, sejam financeiras, sociais, ou de outro aspecto que nos for apresentado.

Do ponto de vista amoroso, nem se fala.

Confiamos em quem dedicamos nosso amor e afeto e, automaticamente, damos e exigimos a lealdade, mesmo que isso não seja objeto de discussão entre os casais.

Nos parece natural oferecermos a nossa lealdade, não negarmos a nossa dedicação que transparece com nossas atitudes, até mesmo nos defendendo de situações que poderiam, eventualmente, nos levar a uma traição – que não é o mesmo de deslealdade.

Nos desinteressamos de objetos, de algumas comidas, de trabalho, e deixamos também de amar pessoas pelas quais já fomos apaixonados.

Isso não é deslealdade.

Deslealdade seria nos enganar em relação a esses sentimentos.

Já traição seria mentir aos outros sobre esses sentimentos.

Ser verdadeiro é ser leal, mesmo que, às vezes, doa.

Para se viver bem consigo mesmo e com o próximo é importante ser leal com seus próprios princípios, com seus ideais, sua propositura de vida e sua maneira de pensar e agir.

Isso é lealdade pura, que traz uma conscientização de nossa força íntima e a tranquilidade para vivermos melhor.

Abraços e bom domingo 🙂

Amanda

Harmonia

Harmonia, para mim, é bem estar no sentido mais puro e amplo.  Significa estar bem consigo mesmo e com todos ao seu redor.

Não sei viver sem harmonia.

E encontro essa simetria também na música.

Cresci com meu pai tocando piano e violão em casa, sempre incentivando minha pretensão de cantar, que até hoje tenho.

A harmonia musical é mágica.

Quando escutamos uma orquestra, percebemos imediatamente a sincronia e sintonia de todos os instrumentos, evidentemente estudados com critério e persistência.

Acabei de assistir um maravilhoso exemplo de harmonia em um programa de televisão, onde havia a participação de uma orquestra sinfônica, sob a regência de um conhecido e excelente maestro.

No mesmo programa, em total harmonia, participavam grandes cantores da música popular, que se apresentaram junto com os cantores da orquestra.

Foi uma alegria emocionante que a platéia sentiu e um exemplo de integração, onde o que importava realmente ali era o gosto pela arte musical, a qualidade da escolha e, principalmente, a idéia dessa “simbiose” tão perfeita.

E como na música, harmonia é primordial também na nossa convivência diária, seja com os parentes com quem vivemos, seja com amigos, funcionários, colegas de trabalho ou simples conhecidos.

Mesmo que esse encontro seja rápido e ocasional, seja num teatro, cinema ou em outro local público, busco sempre aquela harmonia musical da infância em tudo que faço e com todos que cruzam meu caminho.

De fato, se pensarmos bem, tudo em nossa vida está ligado a harmonia, seja harmonia de cores, de sons, de imagens, de lugares, de gostos, de pessoas ou de ambientes.

Claro que existe a idéia sempre citada, de  que “os opostos” se atraem.

Pode até mesmo ser uma grande verdade, pelo encantamento inicial da novidade, mas conviver com “opostos”, muitas vezes, dificulta a convivência harmônica, pois o dia a dia nem sempre é uma festa constante.

Sempre enfrentamos desafios  em diversas áreas, tanto financeira, quanto de saúde, de maneira diferente de viver em qualquer sentido.

Nesse caso, na primeira dificuldade, quando não há harmonia, sintonia ou sincronia como numa orquestra, pode surgir o desentendimento natural pela visão diferente que cada um de nós tem da vida e soluções aos problemas que surgem, pois nossa maneira de viver geralmente influencia nossas decisões.

A harmonia é essencial para nossa capacidade de ação em momentos difíceis e primordial para nosso bem estar diário.

Buscar viver em harmonia com nossa família, nossos amigos, nossos circunstantes de maneira geral talvez seja um dos maiores segredos da inteligência social.

Recebam meu abraço harmonioso 🙂

Bom domingo.

Amanda

Interesses

Como em muitas palavras na nossa língua, esta também dá margem a uma série de interpretações, pois ela pode ser usada em muitos sentidos.

Um sentido importante, a meu ver, seria o do interesse público ou privado no bem estar do cidadão comum, que faz parte da população que é em grande número numa cidade como a nossa enorme São Paulo, e que trabalha dependendo de condução pública, como metrô e ônibus.

Hoje de manhã, estava minha TV ligada num programa no qual participava o público também, além de outras atrações.  Uma senhora expôs à apresentadora um problema que ela viveu ao ir a um super mercado em um shopping.

Quem chega, a pessoa coloca o carro em um estacionamento e sobe por escada rolante, sem nenhuma possibilidade de um idoso, por exemplo, que depende de uma cadeira de rodas, ter acesso ao super mercado.

Isso denota falta de atenção e de “interesse” pelas pessoas com alguma limitação.

Essa senhora foi ao gerente, que lhe disse nada poder fazer.  Ela se dirigiu à diretoria  de um ou outro departamento do próprio shopping, e assim foi levando sua reclamação.

Espero que ela tenha conseguido finalmente chegar na pessoa certa e que alguém tenha tido o dito interesse em servir aqueles que não tiveram a sorte de poder acessar a pé o determinado empreendimento – interesse em atender, interesse em tentar resolver.

Tudo sempre depende do “interesse”, seja ele pessoal, profissional, financeiro, emocional ou social.

Às vezes, não tomamos conhecimento do que se passa sob nossos olhos pois não parece nos interessar aparentemente, e preferimos ignorar.

Claro, se não nos interessamos, nem mesmo nos damos a chance de achar algo interessante.  Pode ser mais prático e mais cômodo para quem não quer ser incomodado, mas essa atitude acaba nos alienando e limitando as oportunidades que batem nas nossas portas mas, por não chamar a atenção, não são vistas.

Meu marido diz que o pior cego é aquele que não quer escutar.  E eu acredito mesmo que se prestarmos atenção ao nosso redor, tudo é interessante.

Felizmente, temos pessoas em nossa sociedade que se interessam ao ponto de exercerem um papel muito importante de assumir entidades que exigem um trabalho hercúleo para sobreviverem, dependendo sempre de ajuda particular ou pública.

E para obter essa ajuda, essas pessoas colocam seu interesse acima de tudo e pedem contribuição para quem realmente necessita, nunca para si próprias.

Isso é o próprio interesse desinteressado.

Já outros se interessam por divulgar a cultura, distribuem livros a quem não teria condições de comprá-los e, com essa atitude, ampliam o campo de atuação e até de ambição de gente que passa a sonhar mais alto.

A cultura traz novas perspectivas e gera novos interesses.

Na peça “My Fair Lady”, um senhor demonstra isso quando faz uma proposta a uma moça vendedora de flores na porta de um teatro.

Ele lhe propôs ensinar-lhe a ler e escrever, e ela concordou.

À medida que ela vai se desenvolvendo na cultura proposta por ele, vai se transformando em uma pessoa diferente, sua rudez é substituída por uma delicadeza, aprendendo desde ler e escrever até um pouco de etiqueta, como saber comer com educação, e assim vai se transformando em uma pessoa fina e educada, por quem ele acaba se apaixonando.

Claro que isso é apresentado como um romance, mas ilustra como o interesse por alguém pode mudar uma vida e, muitas vezes, sem nossa dedicação integral e sem nos privar de nada.

Agora, espero que você se interesse sempre pelo meu blog, porque eu me interesso muito por você 🙂

Abraços e bom domingo,

Amanda