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Componente Crítico Constante
Publicado por amandadelboni
Fico impressionada com certas pessoas às quais nada consegue agradar ou surpreender. Já vão aos lugares para não gostar, seja em restaurantes ou em festas.
A comida não é boa, as roupas das pessoas nunca são elogiadas, e imagine se elogiam as pessoas? Nem pensar.
Para eles, tudo tem defeito, nada serve. Está tudo fora de moda ou sem sentido, frio ou quente demais.
Normalmente não acham graça em nada. Por melhor que seja, estão sempre falando mal de amigos, de parentes e de lugares.
Tenho certeza de que muitos conhecem pessoas assim: o crítico crônico, que nunca está contente porque, por sua própria personalidade, vive procurando defeitos nos outros ao invés de tentar ver algo de bom.
Outro dia uma pessoa amiga achou o bolo doce. Não doce demais. Simplesmente doce. Eu dei risada dentro de mim. Imagine se é uma sobremesa? Não poderia ser salgado.
Confesso que fico com muita pena de pessoas que se sentem dessa forma, pois nada aproveitam da vida. E sempre se tem muita coisa boa para se ver e vivenciar.
Um dos ingredientes fundamentais para desenvolver a inteligência social é curtir a vida, as pessoas, onde estamos.
Eu por exemplo, procuro ver tudo de bom em tudo e em todos. Não sofro do Complexo de Pollyanna. Sou bem realista com a vida, mas bem humorada. Vejo graça em tudo e deixo para me chatear com o que realmente merece chateação.
Digo sempre que se alguém tem alguma qualidade negativa, que todos temos, na verdade, não é problema meu. Coitada dessa pessoa que tem que conviver com isso. Eu só usufruo do que a pessoa tem de bom. É mais prático e também torna a minha vida muito melhor. Me dá menos rugas no rosto, pois dizem que sorrir mexe com muito menos músculos do que ficar zangado.
Canso de ver gente reclamando em viagem. Não adianta estar numa cidade e só conseguir ver o que ela tem que pode nos desagradar.
Quando moramos em Florianópolis, curtíamos o que a cidade tinha de bom. Não comparávamos com São Paulo. Quando tínhamos casa em Washington, adorávamos visitar os museus e monumentos. Não reclamávamos dos americanos. Pelo contrário, tínhamos muitos amigos americanos. Agora que temos casa em Miami, curtimos a latinidade da cidade e não esperamos que seja uma réplica de Washington.
Gosto de todas as cidades e de todos os paises que já visitei, onde vi coisas maravilhosas sob todos os aspectos, sem me incomodar ou procurar algo que não fosse tão bom.
Basta procurar.
Vimos uma vez na Cidade do México o ballet Lago dos Cisnes apresentado num palco armado dentro do Lago de Chapultepec, no centro da cidade. Originalíssimo, lindo, aproveitamos muito essa noite, conhecendo algo completamente diferente e que nunca havíamos visto apresentado num local assim. Só faltava eu estar lá me queixando que era ao ar livre.
Esse foi o encanto.
Sempre tem algo de bom para encontrar nas pessoas e nos lugares.
Comece a procura que vai achar!
Agora vamos curtir o domingo e não reclamar que é um dia monótono 🙂
Feliz Páscoa! Feliz Pessach!
Um abraço,
Amanda
Tratamento em Restaurantes
Publicado por amandadelboni
Recentemente, eu tive uma experiência num restaurante muito bom, elegante e da moda aqui em São Paulo.
Éramos 10 mulheres num almoço.
Todas pedimos o bacalhau que era a recomendação do dia. Quando provei a primeira garfada senti um gosto amargo, mas como é de meu principio, não reclamei, mas todas sentiram e duas falaram que iriam reclamar. Assim o fizeram.
Recolheram-se os pratos e fizemos outro pedido de saladas, etc. Ao terminarmos a refeição, o restaurante cobrou normalmente os preços que estavam previstos para o bacalhau. Claro que não foi muito elegante por parte deles, mas o fato de gritar e reclamar não iria mudar a conduta e só criar um clima de mal estar.
Pagamos e saímos, apesar de muitas ficarem literalmente furiosas. Eu nada falei, e fomos embora.
No dia seguinte, uma amiga comentou em minha casa que o filho dela tinha estado na noite anterior no mesmo restaurante e achou o bacalhau amargo, e que o garçom havia comentado que 10 mulheres no dia anterior tinham achado a mesma coisa.
Eu lhe disse: realmente eu estava lá ontem entre as 10 mulheres.
Rimos muito do fato.
Pois bem, um mês se passou e fomos com amigos no mesmo lugar, e eu nada comentei. Quando entramos, o maître ficou contente de me ver, e ele mesmo comentou o fato de um mês atrás.
Todos na mesa me perguntaram porque eu nada havia dito, e respondi:
Vocês estão gostando do que pediram? Por que eu iria falar mal e colocar vocês preventivamente contra o restaurante que é excelente? Houve uma falha naquela semana, e foi corrigida.
Todos nós pertencemos a algum núcleo de alguma sociedade em alguma forma, social, financeira ou culturalmente.
E essa convivência não se restringe somente a amigos e parentes.
Temos vários tipos de relacionamentos: com funcionários de dentro de nossas casas ou de nossas empresas, com pessoas que de alguma maneira nos servem pois nos servimos de seu trabalho.
E mesmo sendo proprietários – e chamados “patrões”, clientes ou prestadores de serviço, na verdade somos nada mais, nada menos do que dependentes uns dos outros.
Por isso se nos colocarmos no lugar de quem nos serve, fica mais fácil o trato educado e respeitoso em qualquer ambiente no qual dependemos do serviço de outras pessoas.
Não custa pedir sugestões ao garçom com educação e fazer os pedidos com gentileza e simpatia, e se a comida não vier exatamente como imaginávamos, reclamar em voz alta só cria um clima desagradável para todos. Dirigir palavras bruscas a quem está nos servindo, não vai mudar nada, a comida já veio da cozinha e naquele momento, ele nada vai poder fazer para mudar o que havia trazido.
Pessoalmente eu não reclamo. Fato é, se não está bom na primeira vez, há grande chance de estar pior na segunda. Eu simplesmente como menos e na próxima vez peço outro tipo de prato.
Mas se realmente tiver que reclamar, eu ajo como faria com um amigo que estivesse me preparando um lindo jantar – e não com estupidez. Digo que não devo ter conseguido explicar exatamente o que queria. É mais fácil e menos traumatizante para todos em volta e evita aquele clima de constrangimento que se cria toda vez que se reclama.
Quem vai a um restaurante busca momentos aprazíveis, amenos e agradáveis, e não se irritar ou se importunar com coisas que no final não tem importância.
E também não é porque o restaurante não acertou uma vez que isso vai se repetir, como presenciei recentemente. Eu sempre dou uma segunda chance a tudo e a todos.
Minha mãe sempre me ensinou: “Não se corta o pé do burro porque ele deu um coice”.
Grande abraço,
Amanda
O que é a inveja?
Publicado por amandadelboni
É difícil definir esse sentimento, e normalmente quando se sente um pouco de inveja de alguém ou de alguma situação, as pessoas tem vergonha do que estão sentindo.
Muitas vezes, negam até para si mesmas e tentam dominar o sentimento, expressando uma opinião diversa, elogiando o ser que invejam, assim se redimindo desse “pecado”.
Em muitos casos, no entanto, a inveja pode ser construtiva se o sentimento for de genuína vontade de progredir – e não destruir o próximo, mas sim imitar atitudes positivas, das quais “invejamos”, ou melhor almejamos.
O dicionário define a inveja de duas formas: 1. “Desgosto, ódio ou pesar por prosperidade ou alegria de outrem” – e dessa devemos fugir, dominar e abominar. 2. “Desejo de possuir ou gozar algum bem que outrem possui ou desfruta.”
É importante distinguir esses dois sentimentos – a inveja maldosa e destrutiva da inveja que vem da admiração pelo sucesso de alguém, que ganhou muito dinheiro ou é feliz com a família, tem o amor e carinho dos amigos ou conquistou um cargo importante no trabalho, por exemplo. Chamo isso de uma inveja construtiva, que ajuda no amadurecimento da inteligência emocional e social.
O invejoso maldoso não se questiona. Ele critica o sucesso da vitima de sua inveja e passa o tempo tentando regredi-lo a um nada. Diria, “ele é um bajulador, que se casou com a filha do patrão, por isso progrediu” ou algo parecido.
Já a inveja pura vem de um questionamento profundo, de uma vontade de querer compreender o sucesso do próximo para conquistar o seu. Este diria, “aquele senhor conquistou uma fortuna sempre com honestidade. Quero aprender com ele e seguir esse caminho”.
A inveja maldosa não é só uma defesa mas denota insegurança. O invejoso se acha incapaz de conquistar o que o vizinho alcançou na sua vida profissional ou pessoal, com certeza com muita luta, dedicação e determinação: estudou, se sacrificou, dormiu tarde, acordou cedo, não deixou faltar nada no seu trabalho, sempre foi pontual e organizado, cumprindo horários rigorosamente. Não foi “sorte”, como muitos dizem. Nunca é.
Ninguém nasce sabendo, e na maioria das vezes, o bem sucedido se analisou, sozinho ou com ajuda de um profissional competente, e viu que como estava agindo não iria muito longe.
Tem pessoas com quem, às vezes, não nos simpatizamos– sem motivo, á primeira vista. Mas pode acreditar que, geralmente, ou a pessoa tem uma característica positiva que a gente não tem e gostaria de ter, ou ela tem alguma característica negativa com a qual a gente, de alguma maneira, se identifica e também possui – e não gosta.
O que eu tentei fazer minha vida toda foi reconhecer minhas características negativas e trabalhá-las dentro de mim, tirando o bom exemplo do outro e procurando sempre me educar, melhorar e me inspirar.
Me chame de invejosa, se quiser ☺
Bom domingo,
Amanda
Felicidade
Publicado por amandadelboni
Para mim, a felicidade começa com a cultura — no seu amplo sentido. A cultura sempre foi o principal elemento na minha educação, desde a infância.
Meu pai me alfabetizou aos cinco anos de idade e para ele, a felicidade consistia no prazer do conhecimento, que pode nos levar a um mundo diferente, relações diferenciadas e ao encontro com pessoas que nos complementam, e assim nos fazem felizes pelo convívio.
Foi muito gratificante desde então aprender o prazer do conhecimento.
Todos gostavam de me ver lendo livros e até jornais, e declamando uma enorme poesia, chamada: Felicidade é Coisa que Não Tem, de Judas Isgorogota.
Na época não sabia exatamente o que declamava. Mas hoje sei e discordo.
Felicidade é coisa que tem, sim. Que existe, e eu a vivo diariamente. Felicidade é algo que buscamos e conquistamos a cada instante. É um sentimento de realização de nossos desejos, de nossos anseios – mas cada pessoa com sua própria meta.
O sentimento de felicidade é muito relativo. O que significa felicidade para um não é necessariamente motivo de felicidade para o outro. O importante é buscar dentro de si esse motivo.
Para um mendigo, a felicidade pode ser receber um sanduíche, uma moeda. Já para o estudante, pode ser passar numa prova, e para alguém doente, retomar a saúde.
O próprio motivo da felicidade é mutável, de acordo com nosso momento e ciclo de vida.
Importante também que possamos encontrar felicidade naquilo que temos, e não passar a vida desejando o que não temos, em qualquer sentido, seja espiritual ou material — o que não nos impede de lutar pelo que queremos e que nos trará felicidade naquele momento de nossas vidas.
No ultimo ano, estava em Miami, quando comecei a ter muita dor no joelho. Antecipamos a volta, e acabei ficando um mês no hospital e operando a coluna, uma hérnia, que era o real motivo da dor no joelho que me impossibilitava andar.
Quando finalmente consegui dar alguns poucos passos, aquilo foi para mim um enorme motivo de felicidade.
Quer felicidade maior? Nada mais importava naquele momento.
Toda vez que conseguimos ultrapassar alguma dificuldade, seja de que natureza for, deve ser motivo de felicidade e de comemoração.
Compete a cada um de nós decidir e lutar pelas metas que nos farão felizes e, sempre, utilizando a cultura como um dos instrumentos.
Nunca confundir cultura com erudição.
Cultura+felicidade=Inteligência social.
“É preciso ensinar aos homens que a felicidade não está onde, na sua miserável cegueira, eles a vão buscar. Não está na força nem na riqueza, nem no poder, nem tampouco em todas essas coisas reunidas, pois todos – os fortes, os ricos, os poderosos – são escravos das circunstancias e das aparências enganosas. A felicidade está em nós mesmos, na verdadeira liberdade, na ausência ou na conquista de temor indigno, no perfeito domínio de nós mesmos, no contentamento e a paz de uma vida tranqüila, no cumprimento do dever”. — Alberto Montalvão – Moderna Enciclopédia de Relações Humanas e Psicologia Geral
Um abraço e bom domingo,
Amanda
Publicado em Inteligência Social
Prejulgamento=preconceito
Publicado por amandadelboni
“Nunca deixe que pensamentos negativos ou sugestões inimigas penetrem seu espírito.
Você está acima de tudo isto. É um ser livre, forte e positivo”.
— Alberto Montalvão-A Psicologia do Êxito, vol 5
Uma das leis da natureza é a do menor esforço.
Muitos vezes não raciocinamos por nós próprios. Ouvimos e estabelecemos certos padrões a respeito de tudo: comportamento, beleza, inteligência e outros.
Temos que tomar muito cuidado com o “menor esforço” ao julgar uma pessoa ou situação. Essa lei é traiçoeira quando nos deparamos com atitudes preconceituosas ou tendenciosas.
É muito mais cômodo e mais “barato” para o cérebro concordar com aquilo que já se tornou através do tempo um padrão estabelecido como verdadeiro.
A gente ainda ouve falar que mulher bonita é burra, por exemplo. Isso fica em nossa mente, quando na verdade nem toda mulher bonita deixa de estudar, se aprimorar, desenvolver uma bela carreira. Quantas não conhecemos?
O ser humano é influenciado através dos tempos e da nossa educação pré conceituosa a acreditar em idéias generalizadas concernentes a raças, cores, religiões, regiões geográficas, etc.
Mas precisamos nos educar para fazer o contrário: colocar a máquina cerebral e emotiva para trabalhar e prevenir e evitar o PRÉ-julgamento, acionando mecanismos para dominá-lo.
Começa com o questionamento. Devemos estar sempre alertas para reconhecer quando um preconceito procede, se tem sentido ou se ele foi socialmente modelado, sem que tenhamos percebido.
O preconceito deve ser detectado, pois ele pode nos influenciar e prejudicar em diferentes áreas da atividade humana, principalmente nossa inteligência social.
Sofrer prejulgamento provavelmente muitos de nós já sofremos, por exemplo, no trabalho por causa de nossa cor, raça ou religião, maneira de nos vestirmos. Ás vezes somos rotulados pela nossa aparência. Uma pessoa jovem, bonita e bem arrumada sofre o prejulgamento muitas vezes pelo rótulo de que alguém com essa aparência não deve ser eficiente. Mas na verdade, essa pode ser uma pessoa extremamente responsável, dedicada, estudiosa e eficiente.
Outro exemplo é a mulher sozinha, por opção ou por viuvez ou por separação. Ouvimos sempre suas queixas de que são marginalizadas — muitas vezes por outras mulheres inseguras que as isolam por ciúme dos maridos ou namorados. E do resto ouvimos, “ficou pra titia, coitada”.
Por que pré-julgar?
Felizmente, hoje, com a chegada do politicamente correto, mesmo os dicionários estão tendo que mudar conceitos e definições preconceituosas.
Mas vamos tentar ir alem do dicionário e não generalizar, não prejulgar e raciocinar, assim amadurecendo nossa inteligência social para atingir uma melhor convivência, pacífica e agradável, com tudo e com todos.
Voltamos sempre no ponto da tolerância. Procuro sempre e constantemente combater idéias preconcebidas que ouço a vida inteira para não me deixar levar, a não ser pela minha análise imparcial.
As aparências enganam.
Bom domingo,
Amanda
Publicado em Inteligência Social


