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Gente é muito bom

Eu gosto muito de gente, estar com gente, aprender com gente, sofrer com gente amiga, participar de suas alegrias e tristezas, seus momentos de vitórias e também de suas derrotas. Tudo isso faz parte de nosso cotidiano.

E com gente aprendemos em todos os sentidos.  É só estarmos  atentos, porque com a correria e a falta de tempo, nossa tendência é não prestar muita atenção ao que as pessoas dizem ou querem nos contar.

Há poucos dias parei na lanchonete do clube para comer uma salada rapidamente, pois naquele dia eu não dispunha de muito tempo pelos compromissos que já havia assumido.

Me sentei numa mesa localizada num determinado ponto da entrada, assim tinha a vista de todo o ambiente.

Mas comecei a reparar que todos que ali chegavam se sentavam de costas uns para os outros, e não ficavam nem de frente para a vista das piscinas, que é muito bonita.

Estavam sentados de costas mesmo, como que tentando se esconder uns dos outros.  Percebi que, na verdade, não queriam nem o contato do olhar do outro.  Estavam todos de lado e de costas uns para os outros – como se olhando para um paredão.

Ai comecei a observar mais cuidadosamente.

Na mesa a meu lado, sentou-se uma mãe jovem, claro sem me olhar, e com um filhinho de uns 6 anos.  Pediu a comida para os dois.

Nesse momento, chegou outra mãe com seu filho, que tentou falar com o filho dessa mãe que já estava sentada.

A moça nem sequer se dignou a dar um sorriso para a criança, que ficou esperando o contato, e acabou desistindo.

Eu fiquei penalizada, mas não era problema meu, e me contive a minha refeição.

Mas me fez pensar.

Poucos dias antes, havia tido a experiência oposta.

Cheguei para a mesma salada, e meio apressada, dentro de um horário para um compromisso, só que quando entrei, havia apenas uma mesa disponível.

Ao me aproximar dessa mesa, uma outra senhora se dirigia a ela, ao mesmo tempo.

Nos olhamos e sorrimos, meio sem graça.

Ela falou, “se você estiver com pressa pode se sentar”.  E eu respondi, “por que não nos sentamos juntas?”

Eu me arrisquei.  Ela poderia ter dito não.  Mas o que eu perderia com isso?

Mas ela disse sim, com prazer.

Nos sentamos, conversamos, e descobrimos que conhecíamos as famílias, que tínhamos muitas afinidades, e fizemos uma amizade.  Temos tido um contato agradável desde aquele dia.

Às vezes, perdemos a oportunidade de conhecer gente interessante por timidez de nos aproximarmos e travar assim um conhecimento que pode nos proporcionar muitos momentos felizes.  Já fiz grandes amizades simplesmente porque me dei a chance de conhecê-los.

Eu gosto muito de gente e por incrível que pareça, nunca tive decepções com amigos, funcionários de casa ou de empresa, não fui traída e nunca me surpreendi diante de alguma atitude de alguém.  Tento entender o porque das situações e atitudes, seus problemas, e não me aprofundo muito em julgar as pessoas pelo simples prazer de ficar julgando.

Aceito-as como são.

Uma vez, numa roda de amigas, havia uma pessoa que eu não conhecia.  Era amiga das outras pessoas.

Saiu esse assunto e ela disse: “Eu não gosto de gente”.

Ficamos atônitas, pois creio que nenhuma de nós tinha ouvido alguém falar assim com essa franqueza desconcertante.

Surpreendidas com a revelação, o assunto se esvaziou automaticamente.  Perdemos a graça e o fio da conversa.

Dias depois, essa senhora que não gosta de gente, me procurou.  Mas ai, eu não tive muito tempo para ela pois tenho muita gente que gosta de gente no meu rol de amigos.

Bom domingo e um carinhoso abraço a toda essa gente que tanto gosto 🙂

Amanda

Otimismo e Pessimismo

“Aquele que combate será sempre mais forte do que aquele que fica fora da batalha”.

Alberto Montalvão

Outro dia encontrei uma amiga que eu não via há anos.  Fiquei muito feliz e obviamente a primeira pergunta que sempre fazemos:

Como vai?

Ela respondeu: “mais ou menos”.

Achei muito estranho, pois estava linda, bem cuidada, com um ar de prosperidade, descendo de um carrão maravilhoso, na porta de um restaurante muito bom de onde  estávamos saindo.

Evidentemente não se pode nunca imaginar o que está por trás de uma aparência bonita e bem cuidada, pois os dramas íntimos são os que nos fazem sofrer.

Mas uma pessoa com aquela aparência não pode estar em grande sofrimento.  Nem teria tempo físico ou disposição mental para se arrumar tão bem e estar – aparentemente – tão bem disposta.

Tem pessoas que nunca dizem: estou bem, estou ótima.

Acho que por mais que estejam bem física, financeira ou socialmente, nunca estão  felizes com a própria vida.

Toda vez que paro para pensar um pouco no que tenho, e não no que não tenho ou sinto falta, valorizo tudo: meus bens — tanto relativos a saúde como de ordem material, minha família, meus amigos, meus projetos, minhas idéias.  Tudo.

Claro, o que é importante para uma pessoa, para outra nada significa.

Para mim, tendo a saúde — até para lutar para o que se deseja material, profissional ou emocionalmente, já é motivo para se sentir bem, e poder dar uma resposta mais otimista para quem nos pergunta como vamos.

O pessimismo não leva a nada, e ninguém gosta de conviver com  pessoas que não valorizam coisa alguma e só pensam naquilo que não conseguiram ter durante sua vida, em qualquer aspecto dela.

Em compensação, o otimista é sempre bem-vindo em todos os ambientes, pois já chega sorridente, e tem sempre palavras de felicidade a quem se dirige.

Sempre responde com um: “Tudo ótimo”.

E com isso, ele atrai simpatias, sorrisos e bons fluidos das pessoas que com ele convivem, alem de admiração pela sua maneira otimista de encarar situações difíceis.

Ninguém vai conseguir mudar sua vida, a não ser você mesmo, com seu esforço, sua força de vontade, sua luta pelo seu objetivo no sentido de alcançar resultados que o tornem feliz e realizado.

Então se encararmos o que temos de bom, como a saúde, a instrução, disposição física e mental, o negócio é ir à luta com a convicção de que vamos vencer os obstáculos que vão surgindo.

O pessimista  perde seu tempo reclamando.  O otimista ganha tempo realizando e conquistando a boa vontade do próximo através de seu ânimo de viver e lutar.

Se você der algo ao pessimista, ele se perguntará ou perguntará a alguém o porque desse presente ou gesto.

Já o otimista sempre receberá com alegria e prazer o que você lhe oferecer, valorizando a oferta, mesmo que o objeto em questão não tenha valor financeiro.

Ele valoriza o ato de você ter se preocupado em lhe comprar algo, sabendo que tudo o que se oferece teve o empenho de quem comprou.

Custa tão pouco olhar a vida com otimismo.

O otimismo nos proporciona saúde física e mental, e com bom  humor, instantaneamente incitamos o próximo a nos tratar de maneira descontraída e mais alegre.

Nada adianta nosso pessimismo, pois não conseguimos mudar o que já estiver feito, nem acidentes da natureza, nem nossa saúde, que ás vezes não está perfeita. Podemos sim, tentar encarar com otimismo, pensar que vamos melhorar e, enquanto isso, viver com alegria.

Eu, por exemplo, sou otimista — e acho que todos os amigos vão ler e gostar deste blog 🙂

Abraços e bom domingo de muito otimismo, faça sol ou faça chuva!

Amanda

Verdades e Mentiras

Tem pessoas que se acham donas da verdade, como se fossem infalíveis.

Não aceitam controvérsias nem opiniões contrárias às suas verdades absolutas.

Outros contam tantas vezes a mesma mentira que acabam se convencendo de que aquilo tudo é verdade.

E as mentiras piedosas?  Será que qualquer situação justifica uma mentira por mais piedosa que seja?

Por exemplo, você está fazendo compras com uma amiga e ela insiste em comprar algo que não a favorece e pede sua opinião.  Você diz a verdade?

Alguém escreve algo e lhe mostra, você diz que gostou sem ter realmente gostado daquilo?

A verdade pode ser cruel, mas, às vezes, ela tem que ser dita, seja a que preço psicológico for, principalmente quando a mentira chega a prejudicar o próximo.  Fica complicado encobrir ou ignorar.

Há momentos em que nossa consciência nos chama atenção sobre as conseqüências que uma  mentira  grave pode ocasionar e temos que assumir essa responsabilidade.

Pessoalmente, acredito que a mentira não se justifica em nenhuma hipótese.

Tentei passar sempre para a minha filha a vantagem de se falar a verdade em qualquer situação.  Por maior que fosse sua falha em alguma atitude, ela sabia que a mentira seria ainda pior, pois perderia minha confiança.  E confiança, quando perdida, é como um diamante rachado.  Não tem volta.

Mas como lidar com o mentiroso crônico?

Tivemos um amigo muito, mas muito mentiroso, mesmo.

Era médico, tinha um nível de educação muito bom, excelente aluno, mas era muito mentiroso.

Contava que seu pai tinha muitas fazendas e as visitava de avião.

A verdade era que o pai tinha uma pequena loja de secos e molhados no interior.

Quando o rádio estava ligado e começava uma música clássica, ele descrevia toda ela, o autor, o momento em que ela tinha sido composta.  E no fim, o locutor dizia outro nome e outra música completamente diferente do que ele havia falado.

E suas mentiras acabaram ficando um folclore entre os colegas que moravam numa república quando estudavam em São Paulo.

Me lembro que muito tempo depois, meu marido e eu o encontramos, e ele relatou toda a cirurgia que havia feito no coração, dias de UTI, e quando saímos de perto do casal, meu marido comentou: não se impressione, pode ser que tudo o que ele disse seja uma mentira.

Mas na verdade, essas são mentiras sem importância, chamadas inocentes, e que não prejudicam ninguém.  São, no máximo, motivo de risadas de quem já conhece a pessoa e desconsidera em geral tudo o que ela diz.

Para esse tipo de mentira não temos condições, e nem vontade, de desmentir.

Não vale a pena, na maioria das ocasiões, perder tempo desmentindo o mentiroso contumaz.  Vai se criar uma discussão estéril e ele vai continuar mentindo.

Mas se a gente quer ser levado a sério, grande parte da nossa maturidade emocional e social vem da verdade – consigo e com o próximo.

Agora, fala a verdade.  Gostou da história?

Ótimo domingo!

Amanda

Resgatando a Emoção

Emoção é uma entrega dos sentimentos, sem a auto censura que nos impõe a restrição  de senti-la.

Seja por vergonha, por orgulho, seja pelo que for, costumamos nos segurar, e nos controlamos para escondê-la, disfarçá-la como se fosse uma inimiga perigosa.

Chorar de emoção?

Nem pensar, ou melhor, o que vão pensar de mim?

E a maquilagem, que fim vai levar?

É tão bom chorar quando algo nos emociona.  A emoção não é, de forma alguma, algo de que deveríamos nos envergonhar.

É sinal de que ainda temos a capacidade de nos emocionarmos, de que estamos vivos, tanto por um acontecimento triste, como até mesmo por um momento de alegria, de um reencontro, de realizarmos algo que desejávamos.

Choro sempre que presencio um ato de covardia, como a humilhação a alguém que não merece.

As lágrimas chegam aos olhos, muitas vezes, sem que nem mesmo possamos nos controlar.

Conversando com uma grande amiga, mulher inteligente, decidida, vivida e, também, muito sensível, surgiu o assunto “emoção”.

Ela comentava como nos tempos atuais a emoção tem sido deixada de lado, em função da praticidade, da correria do dia a dia – e os jovens já não vivem mais a emoção do amor em si.

A vida foi ficando muito prática e a luta pela sobrevivência tem feito com que  a emoção seja colocada em segundo plano.

Essa amiga me relatou de um romance que teve na juventude, época em que se apaixonou por um grande e renomado poeta bem mais velho.  Era uma relação regada de emoção. Ela recebia cartas de amor desse homem, mais de 2000 que ainda mantém guardadas.

Contou-me que ele jamais a tocou fisicamente, viviam de uma emoção intensa, fato totalmente impossível nos dias atuais, em que os romances são vividos com outro nível de intensidade – mais prático e menos romantizado.  Ela me contou isso com uma expressão de felicidade, saudosa daqueles momentos de antigamente.

Não sou uma pessoa saudosista, pelo contrário, e muito menos tradicional no sentido “careta”.  Acredito plenamente na juventude, renovação e importância da gente acompanhar os tempos e se adaptar às mudanças.

Mas emoção é um sentimento, e sentimentos não são nunca “caretas”, como conceito, não envelhecem ou ficam ultrapassados por uma nova tecnologia.

São eternos: o amor, a saudade, o respeito, a admiração, a alegria e a tristeza.  Eles são atemporais. E por isso, não podem nunca ser ignorados pela correria da vida moderna.

Claro que seria quase impossível viver esse romance platônico de minha amiga nos dias de hoje, mas temos também que tentar trabalhar a nossa emoção, o nosso espírito de felicidade íntima ao lado da parte prática de nossa vida, que é igualmente importante no atual contexto.

Chorar de emoção ao assistir um concerto, ao ouvir uma canção lindamente interpretada de uma forma que nos remete a um momento passado, tudo isso faz bem a nossa alma e nos alivia, muitas vezes, a saudade de alguém que tenha sido importante em nossas vidas.

Sinto sempre, por exemplo, uma emoção especial quando canto alguma música que minha mãe gostava.  E não me envergonho da lágrima que as vezes derramo ao cantá-la.

E emoção não se manifesta somente para momentos de tristeza, mas muito e principalmente em momentos de felicidade, em sorrisos que recebemos ao encontrarmos alguém que não víamos há tempos, ou um novo encontro que nos faz felizes.

A emoção em si nada tem a ver com contato físico, e sim com a saudade gostosa que sentimos de pessoas que foram importantes em nossas vidas, pais, irmãos, filhos, amigos.

Precisamos permitir a emoção, sem culpa.

Um abraço cheio de emoção e votos de um ótimo domingo!

Amanda

Criticas e Elogios

“Você não será recordado pelos seus pensamentos secretos.  Peça ao Senhor a força e sabedoria para expressá-los”.

– Gabriel García Márquez

Fica bem difícil agir nessas duas situações, pois por incrível que pareça, elas estão ligadas.

Se somos responsáveis por um determinado trabalho, empresa ou departamento, muitas vezes temos que corrigir ou tentar melhorar o trabalho de algum de nossos subordinados, e isso pode ser interpretado como uma critica.

E de fato não deixa de ser.

Mas podemos ter uma forma de corrigir, isto é criticar, se preferem, sem ofender.

Acho isso primordial.

Se temos um critério, educação e respeito, a pessoa que sofreu a critica até concordará conosco, principalmente se temos razão no que falamos.

Agora, o que acontece é que, de forma geral, as pessoas se desgastam com criticas a todo momento.

Então quando elas fazem alguma critica séria, que realmente vai mudar algo para melhor, sua imagem já ficou estabelecida como rabugenta, ranzinza e chata.

Fazer uma critica construtiva, que vai com certeza melhorar o desempenho, e portanto aumentar resultados, na maioria das vezes, todos aceitam, com prazer, principalmente quando quem está criticando também elogia com a mesma propriedade.

Elogios que devem ser feitos quando a pessoa merece, sempre fazem muito bem para o ego, e se depois numa outra ocasião você tem que fazer a critica – ou recebê-la, ela é aceita com boa vontade.

Se evitamos implicar por pequeninas falhas, a critica tem mais valor, assim como o elogio, que deve ser sincero e genuíno.

A grande dermatologista Ligia Kogos, queridíssima amiga de muitos anos, é um dos maiores exemplos para mim, e para todos que tem o privilégio de compartir de sua amizade.

Ela sempre tem uma palavra de elogio para as pessoas. Além de ser uma mulher linda, sorri sempre e conquista a simpatia de todos que a conhecem.

E não mente nunca quando faz um elogio, pois valoriza o que a pessoa tem de realmente bonito e bom.

Todas as mulheres adoram sua simplicidade e sinceridade, e isso as incentiva a se cuidarem cada vez mais.

O elogio decididamente é algo sensacional para o nosso ego.

Vamos aprender a elogiar mais o que é bom no próximo, e tentar ser o mais criterioso e justos nas criticas para sermos ouvidos.

Regra básica: criticar somente se formos solicitados.

Um abraço e ótimo domingo 🙂

Amanda