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Egoísmo

O egoísmo, a meu ver, está intimamente ligado ao ciúme.

É um sentimento que nos coloca sempre em situação difícil, pois não tem como ser administrado.

Ele constrange e depois de demonstrado, fica quase impossível voltar atrás.

Pode se manifestar desde um forte sentimento de posse por uma pessoa como por objetos que nos pertencem.

O egoísmo faz com que nos apeguemos de maneira exagerada, seja a pessoas ou bens materiais, e se manifesta, muitas vezes, quando as pessoas ignoram a necessidade alheia.

E isso na parte prática da vida, mas tem também o egoísta intrínseco, aquela pessoa que só pensa em si, no que ela quer fazer, no que ela sente. O que o próximo sente ou quer fazer não é problema seu.

Ela quer os amigos só para si, criando situações embaraçosas, pois só pensa no que a faz feliz.

Só que o egoísta é sempre solitário e infeliz.

E o pior, ele pensa que fica feliz fazendo somente o que lhe agrada sem considerar a pessoa ao seu lado, mas no íntimo sabe que não está agindo corretamente e que deveria ouvir a opinião de quem o acompanha.  Mas não o faz.

Tenho uma funcionária, que é como uma irmã para mim.  Ela sempre diz: “quanto melhor vocês estiverem, melhor minha família vai estar”.

O sucesso do próximo deveria sempre ser visto com esses olhos.  A vida é uma troca de atitudes e sentimentos.  Mas muitas vezes, observamos o contrário: Pessoas invejosas e egoístas que passam o tempo se comparando aos que possuem, aparentemente, mais amor, alegria, dinheiro ou até saúde.  Isso não leva a nada.

Eu fico feliz pelo sucesso e conquistas dos outros.

Um dia estava jogando num cassino na França, e ao meu lado tinha uma senhora que se via muito pobre, tentando com suas poucas moedas o prêmio tão desejado por todos.

Me peguei torcendo para que ela pudesse ganhar e aconteceu.  Ganhei meu dia com sua vitória.  Quando queremos o bem do outro, acabamos recebendo em dobro, e isso não é clichê.  Acontece, sim.

Minha torcida foi exatamente porque percebi que naquele momento ela precisava mais do que eu daquele prêmio.

Mas sei que esse sentimento não é comum como acho que deveria ser.

Na maioria das vezes, o egoísmo tem a conotação de inveja, e também de ciúme.

Fica patente quando algumas pessoas percebem que sua amiga dá mais atenção a outra.

Primeiro vem o ciúme, que denota egoísmo, pois gostaria de ter essa amiga mais dedicada a ela.

São sentimentos que raramente percebemos e muito menos a relação entre eles.  Mas mesmo que não queiramos admitir, o egoísmo, inveja e ciúme estão intimamente ligados um ao outro.

E isso não é só entre amigos.  Vejo muito claramente o egoísmo – e ciúme – de muitos pais em relação a seus filhos quando assumem uma ligação amorosa.  Claro, há casos em que os pais, com mais experiência, estão vendo que a relação não vai durar pelas diferenças de hábitos e valores.

Mas outras vezes, é por puro ciúme e por não suportarem a idéia de dividir o amor deles com outra pessoa, acabam interferindo desastradamente nas suas relações, causando o fim do relacionamento de seus filhos, pelo simples prazer de tê-los mais tempo ao seu lado, sem dividir com seus pares.  Ou acabam levando ao distanciamento com os filhos, o que é ainda pior.

Em compensação uma falta de egoísmo, por exemplo, e já presenciei muitas vezes, é alguém prestigiar outro que seria na linguagem popular, seu concorrente.

Meu marido nunca chamou as outras empresas que desenvolviam a mesma atividade que ele, de concorrentes.  Sempre os chamava de colegas de trabalho.  Considerava que todos eles trabalhavam para o bem comum e o desenvolvimento da ciência à qual se dedicavam.

O que denota também falta de egoísmo é o companheirismo entre cônjuges.

Um deve  acompanhar o outro, mesmo que não seja sua atividade predileta, ou permitir que ele pratique o que gosta.  É o respeito às preferências.

Afinal não nascemos iguais.

Mas confesso que sou egoísta ao extremo quando consigo ajudar alguém em qualquer setor da atividade humana.

Se vejo resultados e pude ter alguma influência, fico feliz, e creio que essa felicidade está intimamente ligada ao meu egoísmo, e aqui não há a menor relação com o ciúme ou a inveja.

Espero, então, egoisticamente, que vocês possam apreciar meus blogs 🙂

Abraços, bom domingo.

Amanda

Amizade

Muito se fala sobre este assunto e muitas vezes essa palavra é usada levianamente, sem nenhuma convicção ou fé.

Afinal, o que é um amigo?

Se pararmos para pensar, um amigo é um presente que a vida nos dá.  Em algumas ocasiões, sabemos que sem ele, quando alguma dificuldade se apresenta em nossa vida, não teríamos conseguido superar situações de estresse ou tristeza, seja de teor financeiro ou emocional.

E amigo sincero, com quem podemos contar, não é fácil.

Uma vez uma amiga me disse brincando: para os amigos tudo, para os inimigos, a lei.

Naquele momento demos risadas pela frase, mas realmente os amigos devem ou deveriam ter todos os direitos conosco, claro que estou me referindo a amigos sinceros comprovadamente, que nos apoiaram em momentos difíceis de nossas vidas, sem cobrarem nada em troca.

E não estou me referindo a recursos financeiros, nem cheguei aí, pois muitas pessoas não têm condições de socorrer outras com auxilio dessa natureza, mas não tem preço uma visita no momento oportuno se está passando por uma fase difícil e triste, como doença ou falecimento de um ente querido.

Parece que nada foi empenhado em uma visita, mas foi sim:

O tempo, a programação para dispor daquele momento, pois se estamos em algum lugar, deixamos obviamente de estar em outro, cumprindo outro tipo de obrigação, seja ela qual for.

Valorizo muito quando alguém deixou de fazer algo em seu próprio benefício para dispor de um tempo para me fazer uma visita.

Sempre procuro ver o que fazem por mim, por menor que seja o gesto.

Mesmo que não se tenha muitos gostos em comum, devemos descobrir nos gostos do amigo algo que nos interesse, algum ponto que podemos partilhar e mesmo aprender com as diferenças de opiniões.

Faço questão, por exemplo, de manter minha amizade, mesmo com pessoas que não se dão entre si, e me relaciono com os dois lados, sem permitir interferências malévolas.

A verdadeira amizade desconhece diferença de padrões sociais, financeiros, religiosos, e até mesmo culturais.

Quanto se pode aprender da vida com pessoas que nunca puderam ter uma cultura, mesmo geral ou de colégios?

A carga horária  de convívio também não deve ser usada como índice de profundidade da amizade.

Podemos ter amigos com os quais convivemos relativamente pouco mas temos a certeza de que eles, onde quer que estejam, estarão sempre “de plantão”, esperando um chamado nosso e nos ajudarão, se solicitados, a resolver o que lhes tenha sido pedido.

Outro preceito que aprendi desde cedo é que bons negócios fazem bons amigos.  O acerto de contas deve ser algo normal e elegante.

Isto quer dizer que acordos financeiros devem ser sempre acertados entre amigos, sem constrangimento de ambas as partes, o que denota respeito.

Eu gosto mesmo de ter amigos e os cultivo dia a dia 🙂

Bom domingo e abraços da amiga,

Amanda

Sinceridade/Franqueza

Podemos pensar que ambos tem o mesmo significado, mas na verdade são dois conceitos bem diferentes.

Enquanto a sinceridade pode abordar temas suaves, a franqueza, se mal colocada, pode ser ofensiva.

Tudo depende mesmo até do tom de voz empregado e da situação em si.

Meu marido me relatou um fato que muito me marcou:

Ele ainda era estudante de medicina e fazia um estágio no laboratório do hospital.

Seu chefe marcou com os alunos para um sábado às 17 horas (horário em que todos poderiam ir)  uma foto para registrar o encerramento do estágio recém terminado, claro que de grande significado para todos.

Como ele não se lembrou desse evento que era quase uma ordem, não compareceu e encontrou-se mais tarde com um colega do grupo, que espantou-se com sua ausência para participar da foto.

Na segunda feira ele apresentou-se ao seu chefe desculpando-se por não ter comparecido.

E o chefe lhe disse elegantemente que não se preocupasse com o ocorrido, e perguntou o porquê da ausência.

Ele simplesmente respondeu:

“O senhor me desculpe, esqueci e fui ao cinema”.

O fato poderia ter tido um desfecho desagradável, mas o chefe era uma pessoa justa e inteligente e valorizou o fato dele ter sido honesto e ter dito a verdade.

Isso só aumentou a confiança do chefe, que cada vez mais lhe deu incumbências de maior responsabilidade.

Claro que houve a franqueza nesse diálogo.

O que não se deve misturar é a franqueza desse tipo, chamada de honestidade, com  a franqueza dita de maneira grosseira.

Quem faz isso gosta muito das frases:

“Sou franca, digo tudo o que penso”. Ou “Posso ser franca com você”?

E todos sabemos que não é bem por ai que as coisas se encaminham.

Mesmo porque esse tipo de franqueza geralmente é ofensiva, e muitas vezes dita em tom desagradável.

Tentei sempre passar para a minha filha que nunca deveria culpar os amigos por suas travessuras.  Com isso, ela aprendeu a assumir a própria culpa, ser responsável pelos seus atos e acima de tudo, ser honesta, sincera e verdadeira – mas sempre com respeito.

Esse tipo de atitude norteou a nossa vida, e nunca me arrependi de ter sido transparente nas minhas idéias e sentimentos com colegas, amigos ou parentes.

Mesmo nos piores momentos devemos ter em mente que uma atitude de sinceridade é o melhor que podemos fazer, embora muitas vezes nos custe.

Ela pode ser até acolhida como contundente, não deixando, porém, de ser construtiva.

Isso constrói e fortalece uma amizade entre pessoas que se querem bem de verdade.

Agora, pensar antes de falar é primordial para que uma atitude de sinceridade não se torne uma franqueza rude que possa levar ao fim de uma amizade preciosa.

Claro que temos que ser sinceros quando somos solicitados a dar uma opinião de responsabilidade a uma pessoa amiga, mas vamos medir bem até que ponto essa pessoa que nos pediu quer mesmo ouvir uma opinião sincera.

Espero sempre que possam aproveitar algo de meus blogs, que são feitos com muita sinceridade e franqueza 🙂

Abraços e bom domingo,

Amanda

Cobrança

A cobrança indevida ou inoportuna é uma das características mais inconvenientes que uma pessoa pode desenvolver.

Você tenta fazer tudo direitinho, não faltar a nenhum compromisso, não se esquecer de datas importantes para os amigos.

Mas ai de você se se esquecer algum dia de algo que havia combinado e que lhe passou desapercebido.

Está perdido, pois a cobrança, muitas vezes, vem imediatamente.

E a pergunta é feita sempre em tom de irritação e geralmente perto de outras pessoas, que é para constranger mesmo.

E datas?

Por mais que a gente se esforce para anotar e lembrar de tudo, algo pode escapar.

E aí, vem:

Como você se esqueceu de meu aniversário?

Como você não compareceu em tal compromisso na casa de fulano?

Como você não foi a tal lugar?  Você falou que iria.

E o pior, as pessoas não esperam e nem o deixam se explicar, pois tem esse tipo de personalidade, só cobram e não têm a paciência de ouvir sua justificativa.

Não perdoam uma falha de agenda, ou da secretária, ou um mero esquecimento ao qual todos nós, seres humanos, estamos sujeitos.

E a cobrança aos funcionários?

Se já fazem tanto, e se esquecem de algo, vamos reconhecer o bom, e deixar um pouco de lado pequenas falhas.

Esqueceram de colocar algo?

Eu me levanto e vou buscar.  Não morro por causa disso.

Outra cobrança que raramente gera resultado real é mais atenção em uma loja, por exemplo.  Já percebeu como só desencadeia uma tremenda má vontade  por parte de quem está nos atendendo?  Se a pessoa não foi devidamente treinada, não seremos nós, os clientes, que vamos lhe ensinar.

Já assisti cenas desagradáveis em seções femininas de vendas de roupas, onde a cobrança e irritação da cliente desencadearam uma cena de discussão, que talvez poderia ter sido evitada, pois a cliente, irritadíssima, cobrou uma atenção e uma prioridade que a vendedora não tinha a mínima condição de lhe dar naquele momento.

A cobrança injusta machuca, ofende e desencadeia uma reação, muitas vezes desnecessária.

Um sorriso normalmente é uma arma mais poderosa do que a cobrança.  Desarma qualquer um.

Passar o tempo cobrando só desgasta a relação, seja ela qual for.

Perfeição não existe.

Evito sempre a cobrança indevida.  A vida fica mais leve e mais alegre, e evitamos de um dia acordar e não termos ninguém ao nosso lado.

Abraços e um ótimo domingo, sem cobranças 🙂

Amanda

Coragem ou Irresponsabilidade ?

Coragem é uma palavra que constantemente se confunde com irresponsabilidade.

Vi, de relance, outro dia, uma moça dirigindo um carro novo, de luxo, em altíssima  velocidade, passando inclusive por um farol fechado para ela.

Alguém que estava comigo no carro disse, “Que coragem”!

Eu respondi que aquele tipo de atitude não denotava coragem e sim uma tremenda irresponsabilidade por parte daquela motorista.

Ela arriscava a própria vida, e pior, a vida dos inocentes que atravessavam seu caminho.

Frequentemente confundimos esses dois termos.

Outro exemplo: algumas pessoas viajam meio doentes, pelo simples fato de não suportarem a idéia de cancelar o passeio.

Coragem?

A meu ver, novamente, irresponsabilidade, pois existe a possibilidade de se sentirem mal dentro do avião, que numa viagem internacional, e longa, coloca sua vida em risco.  Mesmo tendo um médico a bordo, ele não dispõe de equipamentos necessários para um atendimento razoável.

E quando corremos um risco pessoal, de uma ameaça de um assalto ou  algo parecido, e somos abordados por alguma pessoa com intenções maldosas?

Reagimos de forma “corajosa”?

O ideal, se conseguirmos raciocinar  naquele momento difícil, é ficarmos o mais passivos possível e se temos que perder algo material, melhor do que enfrentarmos uma pessoa que provavelmente não está no seu estado normal.

Ele está tentando se apossar de algo que lhe pertence, mas se você o enfrenta pode desencadear uma raiva ainda maior, revolta, ou o que se quer chamar.

Enfrentá-lo é se arriscar a receber uma agressão vinda de uma arma ou do próprio punho da pessoa que o está agredindo.

Nesse caso, enfrentá-lo não tem nada de corajoso, mas, mais uma vez, de grande irresponsabilidade pois, normalmente, quem seguiu esse caminho fora da lei não se incomoda com as consequências.

Mas é importante distinguir claramente a coragem irresponsável da coragem autêntica, de um astronauta, por exemplo.

Imagine entrar naqueles foguetes com uma velocidade especial?

Ao mesmo tempo que deve ser fascinante, e é algo que admiro, nunca teria essa “coragem” pois sou covarde para aventuras que colocam minha vida em risco.

Sou covarde também em parque de diversões.  Nunca consegui entrar numa montanha russa. Admiro a coragem autêntica de quem vai e se diverte.

Admiro também a coragem de alguém que deixa uma vida toda, um passado confortável em busca da sua verdade, felicidade e seu futuro, às vezes abrindo mão da segurança emocional e até financeira.

Tenho uma amiga muito querida que é o próprio exemplo de coragem.  Casou-se muito jovem.  Tinha uma vida de princesa em São Paulo.  Mas um dia resolveu dizer basta para as constantes traições do marido.  Deixou o conforto de uma vida inteira para recomeçar num país estranho – longe dos amigos e família – mas com integridade.  Isso para mim é muita coragem.

Outro exemplo de coragem se mostra em pessoas que abraçam as carreiras de defesa do público, sejam policiais, bombeiros, agentes de segurança de maneira geral, e que agem em nossa proteção.

Mas temos que estar atentos para não se confundir a coragem com a irresponsabilidade.

Lembremos sempre a frase inteligente de meu marido:

“A ausência do medo não diminui o risco”.

Se tiver que escolher, fico com minha covardia.  Adoro viver!

Vamos, então, ter coragem e enfrentar a semana que começa agora 🙂

Bom  domingo,

Amanda