Superação

“O que não nos destrói nos faz mais fortes” é uma das frases mais verdadeiras que já escutei.  Ela encerra uma verdade desconcertante.

Sempre conhecemos pessoas que superaram vários tipos de problemas: emocionais, físicos, sociais, financeiros.

E temos um grande exemplo no nosso mundo que é o maestro João Carlos Martins.

Ele é um exemplo sabido e conhecido de superação de problemas físicos, que ao invés de derrubá-lo, o tornou ainda maior, melhor e mais conhecido cada dia que passa.

Ele revigorou o mundo da musica erudita no Brasil, abrindo as portas para quem nunca teria condições de nele entrar e que sonha em participar de sua maravilhosa orquestra filarmônica.

O maestro vai aos bairros menos favorecidos ensinar sua arte e traz talentos de todas as partes, beneficiando, assim, aos que têm a vocação mas jamais teriam a chance de participar contando somente com seu talento.

E como João Carlos, de quem temos a honra e o prazer de sermos amigos e admiradores, vemos outros exemplos maravilhosos de superação.

Me lembro quando era bem pequena, meu avô tinha sete filhos, e um deles, o mais jovem, era músico e trabalhava em uma fábrica de tecidos em uma pequena cidade de Minas Gerais.

Um dia, que seria a comemoração do 7 de setembro, a banda em que ele tocava, e  na qual outro tio meu também participava, estava se apresentando em uma cidade vizinha.

Na estrada, um fazendeiro da região viu passar o ônibus que os conduzia, e não gostou que os homens que estavam dentro riam muito contando casos, como se faz quando se está alegre e sem nenhuma obrigação no momento.

Ele se irritou, pegou a arma e atirou no ônibus.  A bala foi certeira no meu tio mais jovem.  Ele morreu.

Meu avô foi de uma serenidade que me chamou atenção.  Ele adorava e admirava aquele filho, que realmente era muito dedicado e especial para os pais e irmãos.

Mas nunca ouvimos uma lástima sair da boca de meu avô.  Tristeza, sim, mas não queixa ou revolta.

Aquela conformação marcou toda a minha vida.

Me sinto diminuída até porque tenho certeza de que não seria capaz de agir com tal serenidade perante tamanha injustiça.  Conheço minhas limitações, daí humildemente reconheço minha incapacidade nesse sentido.

Tenho uma enorme capacidade de me reinventar e aceitar as mudanças da vida e do mundo, como dizem, dançar conforme a música.  Mas não tenho dentro de mim essa capacidade de superação incondicional.

Acredito que não seja uma qualidade inata mas sim uma postura que deve ser cultivada na medida do possível.

Lembro sempre dessa atitude do meu avô, e tento dar a dimensão devida a cada problema.

Não podemos dar a mesma atenção para dificuldades corriqueiras como damos a  desgraças e tristezas que são realmente motivo de consternação e abatimento.  Mas também não podemos exagerar na dimensão que damos às tragédias que ocorrem nas nossas vidas a ponto de pararmos de viver.

Claro  que não é fácil, mas é a única alternativa de que dispomos para vivermos bem e felizes.

E nunca nos esqueçamos que para superação de situações de tristeza em qualquer âmbito, o apoio de amigos e parentes que nos auxiliam nesse processo é imprescindível.

Vamos sempre tentar amenizar os acontecimentos, nossos e de quem nos rodeia, dando o justo valor, sem super ou sub dimensioná-los.

E quem sabe assim, possamos aprender e nos educar para superar até os problemas que nos parecem mais difíceis.  Essa é a lei da superação.

Abraços e bom domingo 🙂

Amanda

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Publicado em abril 21, 2013, em Inteligência Social e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. 8 Comentários.

  1. Paulete Eberhardt

    Querida Amanda,lindo texto !!!
    Maravilhoso poder encarar a vida com tanta força, e principalmente saber sempre recomeçar!
    Nào deve ser fácil,mas é preciso continuar…
    Acho que é a lei da vida!
    Bjs,
    Paulete.

  2. Querida Amanda,como sempre nos ensinando,tentamos todos os dias superar os desafios que aparecem nas nossas vidas,mas as vezes só o tempo para mostrar a algumas pessoas
    Que estamos com a raszão.
    Saudades.
    Nilda.

  3. Concordo que devemos superar, mas ao mesmo sem passividade para melhorar a sociedade e nosso entorno

  4. Tentemos, pra ver se sobrevivemos…

  5. E tu….sempre te superando com um post melhor que o outro……Beijos.

  6. Elizabeth P Vilela

    A propósito de seu tema de hoje, me aflige constatar que a sociedade, diante da violência atual, parece estar caminhando para a lei do “olho por olho, dente por dente” a famosa lei do Talião. Aonde vamos chegar?

  7. Renée Anne Svacina

    Superaçáo sem ajuda é muito difícil. Uma verdade, que poucos acreditam quando estáo sofrendo, é que o tempo ajuda…

  8. Oriana J Maculet

    Amanda querida, concordo em gênero e grau, mais como você humildemente devo reconhecer que as vezes nao consigo a grandeza de seu avô.. hoje seria um dia destes sem você.
    Bj agradecidos Oriana

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