Arquivo diário: maio 13, 2012

Escolhas

“O homem que se entrega plenamente à sua profissão, se é um gênio, converter-se-á em um homem prodigioso; se não o é, sua tenacidade elevá-lo-á acima da mediania”.

Diderot

Nós passamos nossas vidas fazendo escolhas — acertando algumas vezes, errando outras – mas constantemente escolhendo nossos caminhos.

Estamos sempre decidindo o que comer, o que vestir, com quem nos relacionamos, onde vamos, se viajamos ou não, o que estudamos, que carreira seguimos, os amigos, etc.

E quando não acertamos, mudamos nossa escolha.

Quantas vezes ouvimos mães contando que seus filhos fizeram uma faculdade e descobriram que não era bem naquilo em que gostariam de trabalhar, se dedicar pelo resto de suas vidas?

Temos amigos cujos filhos estão na terceira faculdade.  Não acho, como muitos dizem, que são perdidos.  Pelo contrário, são corajosos o suficiente para continuar buscando o caminho certo, e no ínterim, estão aprendendo em cada faculdade assuntos diferentes e aumentando a cultura geral, o que vai ajudá-los sempre durante a vida.

E não há nada errado com isso.

Afinal, quem pensa, muda, já diziam os antigos filósofos.

O que não podemos é influir na escolha do próximo.  Aconselhar, se somos  solicitados podemos e devemos, pois a pessoa que nos pediu o conselho se encontra num estágio de indecisão e nos julga mais experientes no determinado assunto.  Mas influir não, e julgar a escolha do outro, por mais próximo que seja, nunca, inclusive a escolha de amigos.

Como os escolhemos?

Muitos dizem que os opostos se atraem, mas eu creio que são as afinidades que unem, de fato, as pessoas.

Acho que valores e atitudes similares tornam mais fácil a convivência no dia a dia.  E sempre preferi a convivência agradável do que a tumultuada e agressiva, cheia de discórdias, tantas vezes desnecessárias.

Mas respeito às individualidades é muito importante, e aí entra a escolha novamente.

O direito de um termina onde começa o do outro.

Uma coisa que não podemos e nem devemos fazer é influir na escolha de amigos  nossos que são amigos de pessoas cujo comportamento não apreciamos.

Não existe colocar nossos amigos em cheque e dar um ultimato tipo: “se você for amigo de fulano, eu não quero mais ser seu amigo”.

É deselegante e demonstra falta de segurança.

Tivemos há pouco tempo um exemplo próximo.

Estávamos oferecendo um jantar sentado para alguns amigos, e não tínhamos conhecimento de que dois deles não se relacionavam, apesar de terem sido amigos no passado.

Fiquei sabendo algum tempo antes do jantar e lamentei, mas ambos vieram, não se cumprimentaram, mas sem alarde.

Foram de uma classe inconteste, e apesar de não terem trocado a palavra durante toda a noite, nenhum convidado percebeu.

O jantar transcorreu num clima de alegria, porque ambos são extremamente educados, pessoas maravilhosas, e nenhum dos dois me disse, “se fulano vai, eu não irei”.

Isso demonstra respeito, educação e uma enorme inteligência social.

Temos o livre arbítrio para fazer a escolha certa, e mudar nossa atitudes e valores quando necessário para se viver melhor, conosco e com os outros.

Tenhamos coragem de escolher e arcar com as conseqüências de nossas escolhas.

“Eu acho que uma pessoa, de cada adversidade, tem uma plataforma para tentar construir seu legado ou seu caminho para o abismo.  Eu sempre procuro usar essa plataforma para criar alguma coisa”.

Maestro João Carlos Martins, amigo querido, e para mim, um herói da superação, com Ph.D em inteligência emocional e social, em entrevista nos EUA à coluna Direto de Miami.