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Exigências/Obediência

Na verdade, quando falamos em exigências, temos que pensar na cobrança que fazemos ou recebemos.

Na vida, fazemos exigências às vezes indevidas, pois temos que discernir a quem, como e porque exigimos perfeição, seja de nossos funcionários, amigos e, mesmo, vizinhos.

Como exigir algo que a pessoa não tem capacidade de nos dar?

Dai poderá ocorrer um sentimento de frustração indevido, pois não pensamos antes de exigir.

Queremos ser atendidos, mas sem fazer uma análise da possibilidade do resultado que esperamos.

Possivelmente poderemos nos decepcionar, e para evitarmos essa reação de nossa parte, cabe-nos estudar previamente o que esperar da pessoa solicitada.

Como esperar de uma pessoa incapacitada de caminhar que ela corra? Impossível.

De uma pessoa com visão deficiente, que ela enxergue?

De uma pessoa inexperiente, que ela possa ter a visão de quem já viveu situações que ela desconhece totalmente?

Precisamos sempre estar atentos porque às vezes nossas exigências podem não ser atendidas por falta de capacidade física, mental, financeira ou social da outra parte.

Não podemos fazer nada a respeito.

O que podemos e devemos é desenvolver uma sensibilidade para não exigirmos do próximo o que ele não tem capacidade de nos dar.

O grande segredo é analisar antes de solicitar.

Por exemplo, tem pessoas que não tem capacidade de cuidar de animais, apesar de não maltratá-los.

Se temos um cachorro em casa, por exemplo, e contratamos essa pessoa sem pensar nisso, não podemos nos irritar porque ela não estaria cuidando dos nossos animais domésticos.  A culpa teria sido nossa por não termos colocado essa exigência como um dos fatores principais de suas funções.   Não podemos cobrar da pessoa o trabalho que ela não havia se comprometido de nos oferecer.

Forçar a barra só nos traz decepção, e injusta, pois deveríamos saber, de antemão, que a tendência é algo que se tem ou não.

É procurar encrenca!

Tento sempre analisar principalmente a capacidade funcional de cada um, quando se trata de trabalho, mas também de lazer.

Assim, de acordo com o nível de propensão e de capacidade, busco aceitar e respeitar o gosto de cada um, pois, por exemplo, quem não gosta de nadar não pode aceitar o convite específico de amigos para uma tarde especialmente na piscina.

Todos vão acabar se aborrecendo por ter feito uma expectativa que se transforma, muitas vezes, numa angústia, que poderia ter sido evitada simplesmente se ambos  os lados tivessem usado uma franqueza inicial.

Eu, por exemplo, tenho um pânico inexplicável por esportes aquáticos.  Não sou companhia para nadar, andar de barcos pequenos e assumo isso com toda tranquilidade.

Uma vez uma pessoa desagradável, me cobrando essa incapacidade me disse:

“Mas que coisa absurda você não saber nadar”.

E eu lhe respondi, delicada, mas firmemente:  “Imagine, tento aprender e fazer tantas outras coisas e  você só enxerga em mim o que não sei fazer”.

Uma exigência no sentido de limitar uma amizade em função de preferências e gostos — e até incapacidade — só prejudica os relacionamentos.

Vamos tentar exigir o possível de cada um e assim evitar exigências que podem frustrar quando não conseguimos resultados que, muitas vezes, nem deveriam ser esperados.

Abraços e bom domingo, sem exigências 🙂

Amanda

Altos e baixos

Quando falamos em altos e baixos na vida de alguém, pensamos sempre na área financeira, nos resultados que obtiveram em determinada época da vida.

Quando falamos nos baixos, sempre imaginamos um fracasso financeiro ou uma derrota profissional.

Mas independente de derrotas ou vitórias no campo das finanças, são nossas atitudes que determinam de fato o sucesso a longo prazo.

Conheço pessoas que, mesmo diante de revezes na vida,  conseguiram manter um alto nível de atividade, derivando para algo que acabou lhes trazendo os objetivos desejados, através da luta diária que travaram no propósito de atingir o que planejavam.  E se reergueram.

Viver nos baixos depois de ter tido uma vida nos altos, seja em qualquer sentido, claro que é difícil, mas faz parte de nossa trajetória.

Meu pai, o escritor Alberto Montalvão, já dizia e guardei isso por toda a minha vida:

“Sorrir quando tudo vai bem é fácil.  O difícil é sorrir quando tudo vai mal”.

Muitos de nós já devemos ter passado por situações difíceis, e sabemos o quanto é custoso manter o bom humor nessas horas.

Mas os baixos, muitas vezes, nos levam a um nível de maturidade que nos ajuda a desenvolver uma capacidade especial no sentido de conseguirmos prever tanto o sucesso quanto o insucesso em diversas situações.

Mas mesmo assim, por mais que possamos estudar, planejar e calcular, algo pode sair fora de nossa previsão, como público errado para determinado empreendimento, local ou produto.

Nesse caso, o que fazer? Desesperar- se, simplesmente, não irá de modo algum melhorar uma situação já implantada, e ai chegam os momentos de baixa, tanto financeira, quanto a frustração de se ver todos os planos feitos com tanto carinho, irem, como se diz, “por água abaixo”.

Que não é fácil, sabemos, mas, com certeza, a solução não chegará simplesmente pelo fato de ficarmos desanimados, e sim se procurarmos achar uma solução racional, quem sabe até mudando o rumo do comércio anteriormente concebido no local, procurando atingir o público-alvo de maneira diferente da anterior.  Isto é, tomando novas atitudes que conduzam ao resultado pretendido, que nos leve de volta aos períodos de alta na vida, financeira ou socialmente.

Tenho amigas  que, apesar de terem vivido a baixa, financeira e consequentemente  a social, tiveram a maturidade de, usando de uma tremenda força de vontade, conseguirem se manter e voltar à luta, muitas vezes sem o auxilio de amigos que naquela hora não lhe deram o mínimo apoio.

E ao vencerem toda a dificuldade, conseguem sorrir e aceitar o que se passou até como uma lição de vida a não ser repetida.

A vida é como uma gangorra.

E quando estamos no alto, também temos que tomar cuidado e nos prevenir, dentro do possível, para tentar evitar uma forte e súbita queda que poderá ocorrer em seguida.

O importante, como diz minha filha, é saber viver nos baixos com dignidade e nos altos com humildade.

Abraços e bom domingo 🙂

Amanda

Reciprocidade

Reciprocidade á a lei do retorno, da compensação, do falado “amor com amor se paga”.

Importantíssima essa condição do que é recíproco em nossa vida.

A definição oficial se reporta à correspondência mútua de palavras, atos, sentimentos, serviços ou tratados políticos de reciprocidade entre Estados.

Já o amor, por exemplo, nem sempre é recíproco, e quando é unilateral, muitas vezes, deixa a outra parte  infeliz e frustrada.

Não adianta forçar um sentimento.  Quando não há reciprocidade, todos sofrem se insistem em continuar juntos, e isso não é só no amor, pode ser com amizades que não mais tem a ver e no trabalho.

O sentimento correspondido torna os pares felizes e realizados, e isso vale para qualquer tipo de relacionamento.

A reciprocidade é um sentimento admirável, pois representa, de certa forma, uma espécie de gratidão, seja em que âmbito for que ela possa se manifestar.

Uma querida amiga me relatava uma passagem interessante que ocorreu em sua vida profissional:

Ela é maquiladora e trabalha muitas vezes  em conjunto com uma fotógrafa, também profissional excepcional.

Um dia, elas foram atender a uma senhora que havia tido um câncer e estava com sua aparência prejudicada devido ao duro tratamento a que havia se submetido, e suas finanças também haviam sido abaladas pelo alto custo da doença.

Essa amiga, então na hora que a cliente lhe pediu o custo, lhe disse:

“Imagine, essa sessão foi um presente que quero lhe fazer”.

O tempo passou e alguns anos depois, a senhora se recuperou física e economicamente e quis fazer fotos de seu aniversário com as filhas.

Contratou a maquiladora, que nessa diferente e alegre circunstância, conquistou grande numero de clientes.

Ficaram todas felizes e minha amiga se emocionou muito com o desenrolar dos acontecimentos e da reciprocidade do carinho oferecido anteriormente sem o menor interesse.

A reciprocidade é, sem dúvida, a lei do retorno.

E as gentilezas que dispensamos a qualquer ser humano, independentemente do vínculo, também são devolvidas na mesma moeda, como costumamos dizer.

Numa loja, supermercado, banco, teatro, seja onde for, temos a obrigação moral e humana de tratar bem a quem nos atende, e de outro lado, esperamos também a reciprocidade do tratamento gentil.

Adoro a história de um passageiro que tinha um importante cargo público e num “check in” de uma companhia de aviação, passou na frente de outros passageiros que esperavam sua vez para serem atendidos.

Como a funcionária não lhe deu a atenção, que ele achou que merecia dentro de sua pretensão, ele lhe perguntou:

“Você sabe quem eu sou?”

Ela foi ao microfone  e disse: “Aqui tem uma pessoa que não sabe quem é e se alguém puder ajudar, agradecemos”.

Evidentemente, ele não gostou da brincadeira, e usando todo o seu atrevimento, lhe respondeu:

“Pode esperar que eu vou te f….”

E ela, com grande rapidez, ainda conseguiu dar um revide bem humorado: “Senhor, me desculpe, mas até para isso vai ter que esperar, pois olhe o tamanho da fila”.

Nesse caso, o passageiro recebeu esse tipo de tratamento em função da grosseria que fez com a funcionária.

A atitude dela, claro que muitos podem discordar, representava, no entanto, uma perfeita reciprocidade, ainda mais tendo sido colhida de surpresa cumprindo seu trabalho.

Acho esse um dos casos mais marcantes de reciprocidade no tratamento com o próximo.

É preciso respeitar para ser respeitado e assim conseguirmos  seguir caminhos produtivos que preencham nossa vida com alegria e bem estar.

Abraços e um ótimo domingo 🙂

Amanda

Fracasso/Sucesso

Sempre que penso no significado das palavras fracasso e sucesso, me lembro de um caso que ocorreu com minha filha.

Quando ela chegou em Miami, depois de anos como correspondente em Washington, queria lecionar, passar um pouco de sua experiência para alunos de jornalismo.  Ao bater na porta da Florida International University, onde é professora e atualmente dirige uma redação para os universitários, o chefe do departamento na época, hoje um grande amigo e mentor, lhe disse que precisaria conhecer melhor a dinâmica de Miami antes de dar aula numa cidade onde nunca havia trabalhado.

Saiu triste mas em seguida, ela apresentou o currículo na Universidade de Miami e imediatamente foi aceita.

Dois anos depois, havia adquirido experiência na UM, trabalhando diretamente com uma professora que há 20 anos mantinha uma redação de enorme sucesso.  Nesse ínterim, abriu-se uma vaga na FIU, e ela se candidatou.  E entre grandes nomes da mídia americana, foi escolhida para o cargo e passou a dirigir um novo serviço de noticias, South Florida News Service, na faculdade, onde havia sido recusada anteriormente para uma posição de menor prestigio.  Essa vitória se deu justamente por ela ter desenvolvido o conhecimento necessário para atingir o sucesso nesse desafio.

Fracasso?  Ou Sucesso?

O que muitos chamariam de fracasso serviu de incentivo para o sucesso conseguido posteriormente.

Ela se impôs um desafio, pois sendo dona de forte personalidade, ao ter sofrido o “fracasso” naquilo que se propôs fazer, criou um tremenda força interior, ainda maior, o que lhe deu o incentivo para lutar e conseguir o resultado desejado.

Todas as vezes que nos propomos a realizar algo, temos que contar com o sucesso e também aventar a hipótese de um eventual fracasso naquele momento, para não nos surpreendermos ou nos decepcionarmos.

Parece paradoxal que um fracasso possa ser a força propulsora para a vitória, mas isso acontece mais do que imaginamos, e ainda mais nos dias de hoje, onde a competição é enorme, com mais possibilidades do que em tempos passados.

As mulheres, por exemplo, entraram em campos antes exclusivamente masculinos.  Estudam mais, se dedicam a novas profissões que se lhes tornaram acessíveis e por isso, a luta se tornou maior e mais acirrada – mais suscetível  ao fracasso, mas também ao sucesso.

Quem não luta, não se arrisca.

Cada fracasso pode provocar o espírito de luta que esteja latente dentro de nós, e  assim, cada vitória obtida ganha novo aspecto e nova valorização.

Um fracasso pode ser o resultado de uma ou de uma série de falhas.

Mas com experiência, conseguimos, muitas vezes, prever algum fracasso, e, dessa forma, evitá-lo.

Se estamos atentos e conscientes das nossas limitações, conseguimos prever situações de fracasso antes que elas ocorram, tornando mais fácil a vitória.

Um fracasso nada mais é do que uma falta de sucesso em nossas empreitadas.  Mas é importante lembrar que o próprio conceito de sucesso é relativo. Tudo depende  de nossas pretensões.

Muitas vezes, criamos a oportunidade de mudar nossa atividade em função do fracasso na anterior.

Nada nos impede, e ao contrário, podemos substituir uma carreira e obter sucesso absoluto em outra que escolhermos, se nos dermos a chance.

E isso não pode, nem deve ser considerado um fracasso, e sim um tremendo espírito de luta acrescido de humildade.

Fracassar? É humano.

Persistir? Burrice.

Lutar e renovar é o ideal para se vencer em qualquer oportunidade  e em qualquer ramo da atividade humana.

Abraços e bom domingo,

Amanda

Alegria de viver

Luto por tudo o que desejo, mas gosto muito de tudo que tenho.

Aprendi essa filosofia com meus pais desde pequena e procuro me conscientizar sempre a respeito desse tão importante conceito que, se seguido, pode nos trazer satisfação e, por conseguinte, colaborar com a nossa  alegria de viver.

Isso não quer dizer que devamos ser conformistas, pois a vida exige uma luta contínua, e momento a momento temos que enfrentar desencontros em todos os setores de nossa convivência.

Mas toda luta deve ser feita com alegria e esperança de vitória, pois a tristeza gratuita não leva a nenhum lugar, ao contrário, ela afasta as pessoas que já têm seus próprios problemas e não dispõem de tempo para resolver os dos outros.

Se esperarmos momentos especiais para nos sentirmos felizes, fica difícil enfrentar o dia a dia com bom humor.

O segredo é conseguirmos valorizar cada momento e cada evento como se fosse muito especial, e assim nos sentirmos alegres e realizados.

Claro que temos que ser práticos e encarar com boa vontade tudo o que a vida nos reserva, e saber reconhecer o que podemos e o que não temos a capacidade de resolver, pois nem tudo depende de nós, e muitas vezes de fatores externos, independentemente  de nossa vontade e de nossa capacidade.

Portanto, é importante distinguir, entre o  possível e o impossível.  Isto sim, às vezes é mais difícil de determinar e assim conseguirmos acertar na nossa decisão de tentar resultados  desejados.

Eu tento construir meu “castelo” com elementos disponíveis e acessíveis, pois de outro modo nunca teria condições de concluí-lo.

E é isso que faz a diferença, pois  se não é bem calculado traz uma frustração desnecessária, visto que houve um erro de avaliação das probabilidades de êxito.

Mas mesmo que não tenhamos possibilidades de realização de tudo o que sonhamos, por que não ficarmos felizes com o que conseguimos?

Tudo é uma questão de enfoque.

Não se trata de fazer o jogo do contente, mas sim de nos sentirmos felizes e alegres pois o próprio ato de estarmos vivos já é gratificante.

No dia a dia enfrentamos momentos que nos deixam apreensivos, preocupados e mesmo tristes, e isso não podemos evitar.

Mas valorizar o que a vida nos dá, em matéria de saúde física, mental e espiritual, isso sim, é motivo para mantermos a alegria de viver.

Só esse bem já deveria nos fazer felizes, ou pelo menos compreensivos, pois não podemos evitar que as aves do infortúnio esvoacem em torno de nossas cabeças.

Mas devemos e podemos, sim, impedir que façam ninhos  nos nossos cabelos.

Motivos de alegria sempre temos.  A questão é detectá-los .

Por exemplo, conhecemos uma pessoa que possuía vinhos maravilhosos em sua adega, e os economizava para tomá-los em ocasiões especiais, e nunca os tomou, pois nunca encontrou uma ocasião digna de comemoração.

As “ocasiões  especiais” às quais ele se referia nunca apareceram, no seu conceito, pois ele não tinha alegria em nenhuma ocasião.

Pois bem, os vinhos se deterioraram todos, ele morreu sem aproveitar, e sem acreditar que nenhum momento teria sido tão especial a ponto de que merecesse um vinho extraordinário, a comemoração, a alegria.

Também tivemos outro amigo querido, que nunca viajava.  Dizia que gostaria de “viajar à grande”.

Na verdade, seus amigos nunca conseguiram entender o que ele queria dizer com essa expressão.

Nunca viajou, deixou de viver momentos simples e alegres, esperando  por algo que jamais conseguiu realizar.

Para mim, a alegria de viver está em fazermos de momentos simples uma pequena festa.

Esse é um dos segredos para nos sentirmos felizes.

Abraços e feliz domingo, cheio de alegria!

Amanda