Arquivo diário: maio 27, 2012
Resgatando a Emoção
Publicado por amandadelboni
Emoção é uma entrega dos sentimentos, sem a auto censura que nos impõe a restrição de senti-la.
Seja por vergonha, por orgulho, seja pelo que for, costumamos nos segurar, e nos controlamos para escondê-la, disfarçá-la como se fosse uma inimiga perigosa.
Chorar de emoção?
Nem pensar, ou melhor, o que vão pensar de mim?
E a maquilagem, que fim vai levar?
É tão bom chorar quando algo nos emociona. A emoção não é, de forma alguma, algo de que deveríamos nos envergonhar.
É sinal de que ainda temos a capacidade de nos emocionarmos, de que estamos vivos, tanto por um acontecimento triste, como até mesmo por um momento de alegria, de um reencontro, de realizarmos algo que desejávamos.
Choro sempre que presencio um ato de covardia, como a humilhação a alguém que não merece.
As lágrimas chegam aos olhos, muitas vezes, sem que nem mesmo possamos nos controlar.
Conversando com uma grande amiga, mulher inteligente, decidida, vivida e, também, muito sensível, surgiu o assunto “emoção”.
Ela comentava como nos tempos atuais a emoção tem sido deixada de lado, em função da praticidade, da correria do dia a dia – e os jovens já não vivem mais a emoção do amor em si.
A vida foi ficando muito prática e a luta pela sobrevivência tem feito com que a emoção seja colocada em segundo plano.
Essa amiga me relatou de um romance que teve na juventude, época em que se apaixonou por um grande e renomado poeta bem mais velho. Era uma relação regada de emoção. Ela recebia cartas de amor desse homem, mais de 2000 que ainda mantém guardadas.
Contou-me que ele jamais a tocou fisicamente, viviam de uma emoção intensa, fato totalmente impossível nos dias atuais, em que os romances são vividos com outro nível de intensidade – mais prático e menos romantizado. Ela me contou isso com uma expressão de felicidade, saudosa daqueles momentos de antigamente.
Não sou uma pessoa saudosista, pelo contrário, e muito menos tradicional no sentido “careta”. Acredito plenamente na juventude, renovação e importância da gente acompanhar os tempos e se adaptar às mudanças.
Mas emoção é um sentimento, e sentimentos não são nunca “caretas”, como conceito, não envelhecem ou ficam ultrapassados por uma nova tecnologia.
São eternos: o amor, a saudade, o respeito, a admiração, a alegria e a tristeza. Eles são atemporais. E por isso, não podem nunca ser ignorados pela correria da vida moderna.
Claro que seria quase impossível viver esse romance platônico de minha amiga nos dias de hoje, mas temos também que tentar trabalhar a nossa emoção, o nosso espírito de felicidade íntima ao lado da parte prática de nossa vida, que é igualmente importante no atual contexto.
Chorar de emoção ao assistir um concerto, ao ouvir uma canção lindamente interpretada de uma forma que nos remete a um momento passado, tudo isso faz bem a nossa alma e nos alivia, muitas vezes, a saudade de alguém que tenha sido importante em nossas vidas.
Sinto sempre, por exemplo, uma emoção especial quando canto alguma música que minha mãe gostava. E não me envergonho da lágrima que as vezes derramo ao cantá-la.
E emoção não se manifesta somente para momentos de tristeza, mas muito e principalmente em momentos de felicidade, em sorrisos que recebemos ao encontrarmos alguém que não víamos há tempos, ou um novo encontro que nos faz felizes.
A emoção em si nada tem a ver com contato físico, e sim com a saudade gostosa que sentimos de pessoas que foram importantes em nossas vidas, pais, irmãos, filhos, amigos.
Precisamos permitir a emoção, sem culpa.
Um abraço cheio de emoção e votos de um ótimo domingo!
Amanda
