Arquivo diário: agosto 19, 2012

Surpresa

Sempre escutei minha mãe dizer: “De onde não se espera é que vem”.

Concordo plenamente.

Muitas vezes, pensamos poder contar com a ajuda de alguém em uma situação especial, nem que seja simplesmente sua presença, e a pessoa não vem.

Em compensação, numa ocasião difícil, chegam pessoas que nem imaginávamos, oferecendo seu carinho, e aqui nem falamos em ajuda financeira, mas o carinho que naquele momento tanto estávamos necessitando.

A reação das pessoas à surpresa sempre me surpreende.

Enquanto pode ser algo muito agradável e prazeroso para alguns, pode também servir de extremo constrangimento para outros.

Tem quem goste, por exemplo, de surpresas, e as receba com carinho, mas já vivi o desapontamento de organizar uma festa onde a homenageada recebeu o ato com enorme irritação e desaprovação.  Até os convidados perceberam o fracasso da empreitada.  Aprendi a lição e atualmente tomo muito cuidado antes de programar uma festa surpresa.

Eu, pessoalmente, adoro ser surpreendida pelas pessoas, ainda mais quando a imagem de alguém não tem nada a ver com a realidade.

Quantas vezes alguém diz, fulano é metido? Ai conheço a pessoa e constato que é uma pessoa extremamente simples, de trato muito fácil – mas tímida.

Claro, o contrário também pode ocorrer.  Já conheci pessoas aparentemente adoráveis que no convívio mais intimo se mostram dificílimas – uma surpresa negativa, principalmente em viagens.

Para evitar surpresas desagradáveis, adoto uma política de vida de baixa expectativa sem o devido conhecimento prévio, ou seja, evito o pré-julgamento em todos os sentidos.

Temos que ter em mente que as pessoas não podem nos dar o que não possuem.

Sempre escuto de amigos que ficaram chateados que outros não lhe deram um presente bonito no aniversário.  Mas, às vezes, pode não ter sido por esquecimento e, sim, por dificuldade financeira do momento.

Como alguém que está atravessando uma crise financeira pode oferecer algo que custe dinheiro e que provavelmente vai lhe fazer falta?

Se achamos que é má vontade sem conhecermos o real motivo, nos surpreendemos e nos decepcionamos – às vezes injustamente.

Um exemplo que nunca esqueci foi de amigos queridos que estavam passando por uma tremenda crise financeira, o que mudou por completo sua vida social.  Pararam de convidar e de ser convidados por muitas pessoas com quem conviviam frequentemente.

Ficamos, portanto, surpreendidos e felizes quando o casal nos convidou para jantar em sua casa um dia.

Serviram saladas.  E nós adoramos.  Estavam deliciosas.  A noite foi agradabilíssima e nos divertimos demais.

Emocionada, lhes digo que esse foi um dos melhores jantares de nossas vidas, uma surpresa tão linda da qual nunca nos esqueceremos.

Uma das grandes armas para não nos surpreendermos ou nos decepcionarmos é não termos expectativas com o que e quem não conhecemos e ao mesmo tempo saber o que esperar do que e quem conhecemos de forma realista, sem cobrança.

Assim evitamos as surpresas desagradáveis e não nos ofendemos sem necessidade.

Às vezes, nem sabemos o porque de uma reação inesperada de outras pessoas.  Se soubéssemos, talvez desculpássemos uma atitude que taxamos de antipática ou que achamos desmerecida.

Se não temos conhecimento dos problemas que essa pessoa estaria atravessando e que podem determinar uma atitude que não esperávamos, nossa reação pode ser de surpresa e decepção.

Por outro lado, se já conhecemos há mais tempo pessoas que agem sempre de maneira estranha, não nos surpreendemos.

Ou as compreendemos e aceitamos, e as amamos como são, ou interrompemos a relação. Não tem outra alternativa.

Desculpem se os surpreendi 🙂

Bom domingo

Abraços,

Amanda Delboni